Entrevista - Andrea Lopes e a transição de surfista profissional para empresária

Conversamos com a tetracampeã brasileira de surf profissional sobre essa fase tão crucial


Andrea Lopes no mundial da Barra em 1988. Foto: arquivo pessoal.

Andrea Lopes no mundial da Barra em
1988. Foto: arquivo pessoal.

Um dos principais desafios de atletas de alto nível é a aposentadoria. No surf, no futebol, no basquete, enfim, em todas as modalidades, deixar de competir, de ter a emoção da vitória e da derrota é uma fase muito difícil para um competidor. Fazer uma transição tranquila pode ser um problema, caso não haja um bom planejamento.

Alguns atletas conseguem superar essa fase e fazer até mais sucesso quando as competições não são mais prioridade. As opções variam desde ser comentarista em veículos de comunicação, tornar-se técnico, ou até mesmo atuar como produtor de eventos, entre outros.

Nessa linha de frente temos exemplos como Rico de Souza, Carlos Burle, Maya Gabeira, Silvio Mancusi, Marcelo Trekinho, Marcos Sifu, Gabriel Pastori, Claudia Gonçalves, entre vários outros, que continuam a serviço do esporte, contudo, em atuaçoes diversa.

Conversamos com Andrea Lopes, tetracampeã brasileira de surf profissional, sobre essa fase tão crucial. Andrea soube se reinventar ao longo dos anos e até hoje se mantém patrocinada.

Andrea Lopes em Saquarema. Foto: Luciano Santos Paula.

Andrea Lopes em Saquarema. Foto: Luciano Santos Paula.



Gerson Filho - Como foi a sua transição de uma atleta profissional, para uma vida mais corporativa?

Andrea Lopes - As coisas aconteceram muito rápido, nunca cruzei os braços e esperei nada cair do céu... Deixei de competir em 2010, praticamente no final do melhor Circuito Brasileiro Profissional - o Super Surf, na qual fui tetracampeã brasileira. Fui para São Paulo dar palestras e me formar como Coach na sociedade Brasileira de Coaching e Wellness Coaching - careevolution.

Fiz também nesta época cursos de oratória e estava mega interessada no mundo corporativo, nas ferramentas que eu poderia associar com minha expertise de atleta e entender mais deste mundo. Fiz nesta época  palestras, treinamento e etc... Entre meus clientes estavam Peixe Urbano, Hortifruti, Mitsui entre outros.

Após três anos de mundo indoor, não aguentei e fiz o que tanto me pediam: começar a dar aulas de surf e Stand Up Paddle (SUP). Uso o coaching e suas ferramentas para lidar com o ser humano e meu know-how de 30 anos de mar para ensinar a técnica.

Transformei isso numa escola de sucesso na qual fazemos um trabalho super direcionado e com qualidade e segurança. A escola só cresce e devo isso a toda minha equipe e patrocinadores, principalmente a Guaraviton que está conosco há três anos.

Andrea Lopes é patrocinada pela Guaraviton. Foto: arquivo pessoal.

Andrea tem o patrocínio da Guaraviton. Foto: arquivo pessoal.



O que você diria a um atleta que está prestes a se aposentar, e para aqueles que ainda estão no início de suas carreiras - em termos de planejamento de vida?

Para uma atleta que está prestes a se aposentar, sugiro que encontre outra paixão. Deixamos de competir, ganhar, perder... é sempre muita emoção e abandonar esse cenário pode ser doloroso se a gente não se encantar por outra atividade em que precisamos estar INTEIRAS e não somente cumprir horários.

Para as surfistas - atletas que estão iniciando suas carreiras, minha dica é simples e relevante: seja inteligente de construir parcerias de sucesso com seus patrocinadores, pense neles e pense em crescer junto!

Em paralelo use seus ganhos para construir outros ativos. Sua carreira algum dia acaba e você não pode somente depender de uma fonte de renda.  Seja sempre humilde, parceira e mantenha cabeça erguida! A vida é uma eterna onda.

Andrea com a sócia Andriana. Foto: arquivo pessoal.

Andrea com a sócia Adriana. Foto: arquivo pessoal.



Você sempre teve bons patrocínios e mesmo em momentos de crise e baixas no mercado conseguiu se manter com investidores ao seu lado. Na sua opinião, a que se deve esse fato?

Parceria e bons relacionamentos. Tudo que você faz dentro e fora da água reflete na sua carreira. Entenda, negocie, SURPREENDA. Aos invés de esperar as coisas acontecerem, faça as coisas acontecerem!

Você acredita que os surfistas brasileiros estão descobrindo que seu principal produto, são eles mesmos, e com isso vem fortalecendo suas marcas. Exemplos como você, Carlos Burle, Rico de Souza, Maya Gabeira, vem consolidando suas imagens em "terrenos" extra surf. Por quê as empresas se interessam em perfis como os de vocês?

Acredito que ter uma imagem forte, saudável, que representa VIDA, é interessante para qualquer marca que queira a associação de imagens / marcas. Somos o que somos de natureza, o surfista é pura vida. Vejo cada vez mais anúncios com surfistas famosos ou simplesmente usando o estilo de vida do surfista para representar uma marca e isso acredito ser extremamente positivo.

Qual a receita, se é que há, para uma reativação das competições nacionais em alto nível?

Sinceramente, investimento e boa gestão das associações e confederação. Acredito na CBSURF, na nova diretoria da FESERJ e outras. Acredito nas mudanças que vem acontecendo. Precisamos agora empresas que acreditem na gente!

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