Galeria BodySurf - A Besta de peito aberto

Grupo de bodysurfers da LeblonFins encara a temida onda na boca da Baía de Guanabara durante o swell gigante que se abateu sobre o Rio de Janeiro


Domingo, 13 de agosto de 2017: um dia que entrará para história do bodysurf brasileiro. Pela primeira vez na história, A Besta, a traiçoeira – e gigantesca – onda bissexta na Baía de Guanabara foi surfada de peito. Isso mesmo, de peito. O autor da façanha foi Fábio Eller, o Russo. Ele fazia parte de um grupo de cascas grossas especialmente reunido por Mauricio Jordan, da LeblonFins, para tentar desbravar a Besta.

Bodysurf na laje a Besta. Foto: Fernando Amorim @ZeroDoisZoom.

Bodysurf na laje a Besta. Foto: Fernando Amorim @ZeroDoisZoom.



“Na verdade, a ideia era juntar a galera e ver qual era; se dava para surfar a Besta de peito”, diz Mauricio. Foram ainda encarar a fera: Júlio César Rodrigues, o JC, e Paulo Pillegi, de Florianópolis, todos da equipe LeblonFins. Além desses bodysurfers, a equipe contou com apoio, dentro d’água inclusive, dos tenentes-coronéis bombeiros Fábio Braga e Dr. David Szpilman – ambos diretores da Sobrasa (Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático) –, e do capitão Luiz Morizot, o Dunga, chefe do serviço de salvamento do condado de Miami-Dade, na Flórida. Havia também uma lancha de apoio e suporte do jetski da Surf Resgate. Uma infra de responsa, afinal o risco para bodysurfers é muito maior do que para surfistas de prancha e bodyboarders.

A incursão foi anunciada na quarta-feira (9), quando foi confirmada a chegada do swell histórico. Como a ondulação entraria de sudeste, vários gigantes adormecidos seriam despertados, como o Sorriso, em Copacabana, e a Besta. Esta quebra sobre uma laje de pedra a 7 metros de profundidade, próxima à Ilha da Laje, na entrada da Baía de Guanabara.

Devido à profundidade, a Besta só quebra com swell acima de 3 m de altura, em geral com período acima de 12 segundos, entrando de sul ou, principalmente, sudeste. Neste domingo, foram duas horas dentro d’água durante a maré morta da vazante para evitar as fortes correntezas da boca da barra. Tudo para aumentar as chances da Besta quebrar. E ela quebrou. Várias ondas superavam os 4 m. A maior do dia quebrou exatamente às 13h56: passava dos 5 m.

Bodysurf na laje a Besta. Foto: Fernando Amorim @ZeroDoisZoom.

Bodysurf na laje a Besta. Foto: Fernando Amorim @ZeroDoisZoom.



“Além da pressão absurda das ondas, elas não quebravam no mesmo lugar. Acertar a posição na água foi muito difícil”, relata JC. “E quando vinha quebrando sobre a gente, você tinha que mergulhar muito fundo. Depois de um tempão, você tentava subir, mas ela ainda te puxava pelos pés de patos. E por causa da espuma você não conseguia avançar”, acrescenta Dunga.

“As bombas vinham cheionas, mas quando chegavam na laje, elas empinavam. Se botássemos para baixo no crítico, em cima da laje, seria suicídio. O cara seria cuspido para a frente e despencaria no meio do espumeiro. Tentamos pegar as rabetas”, explica Pillegi. Só que as rabetas enchiam em vez de abrir. E pior, as ondas eram rápidas – avançavam a cerca de 30 km/h devido ao período médio de 12 segundos.

Os bodysurfers penavam para tentar dropar. Foram várias “quase”; Dunga chegou a entrar numa bomba, a galera gritou, mas ele não conseguiu manter a linha. Em seguida, tentou-se dropar do jetski para pegar mais velocidade. Porém, era muito arriscado. “Tentei duas vezes pular diretamente do jetski já descendo a onda. No entanto, quando vi aquela muralha de água quase vertical em cima de mim, desisti. Eu não seria veloz o bastante para escapar de ser sugado para dentro do furdunço”, relembra Mauricio.

E assim foi até o momento o momento em que Russo estava no “sweet spot” no momento certo. “Notei que as rabetas enchiam muito, então me posicionei mais para dentro sem me arriscar muito. Fiz um alinhamento com a placa no mirante do Morro Cara de Cão com um prédio alto no Centro e tentei ficar neste point. Uma hora vai entrar aqui”, conta Russo. Com efeito.

Depois de uns 40 minutos boiando ou tentando não tomar na cabeça, uma “intermediária” com quase 4 metros avançou para cima dele. “Olhei aquele paredão e a rabeta parecia que ia abrir, comecei a bater os pés e remar feito um maluco. Para minha surpresa, a onda cavou ainda mais, a rabeta abriu e eu passei. Só vi aquele rampão na frente: botei no trilho e mandei para baixo. Andei um tempão, trepidando, com espuma na cara, até a onda encher e morrer. Cara, foi muito maneiro. Fiquei amarradão”, alegra-se Russo, o primeiro bodysurfer a dominar a Besta.

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