GALERIA: Thiago Mariano Hang Five, Tubo e Terremoto

Longboarder carioca relata sua última trip à Indonésia


Depois de tanto ouvir tantos relatos incríveis sobre a ilha dos Deuses e depois de ficar praticamente 2 meses de cama em devido a um mísero mosquito, peguei a calculadora, pesquisei uns preços e decidir visitar a famosa ilha de Bali. De uns anos pra cá, ocasionalmente, algumas operadoras de turismo lançam promoções quem podem chegar a 800 dólares uma passagem, geralmente custa 2.000 dólares americanos, vale muito ficar atento a elas.Conseguiu a minha com um preço razoável, separei 3 longboards e parti. Chegando lá, por coincidência, esbarrei com os longboarders profissionais Jonas Lima, Gabriel Nascimento e Igor Pitasi.
 

Jonas foi o mais instigado, sempre me ligava pro surf de madrugada e para as trips mais insanas, como Desert Point. Pitasi, estava em êxtase com a qualidade das ondas e tirou belos tubos comemorando sempre no final do dia com uma boa Bintang, cerveja local. Gabriel era o mais encaixado nas ondas, parecia que estava em casa, aliás, está lá já um bom tempo, meses, parece que morou lá em outras vidas com tamanha sintonia. Todos também com belos ralados de coral, cada um com uma “tatuagem” diferente,  eu fiz a minha tomando uma onda de 8 pés na cabeça com água no joelho. Balangan foi o nome da praia que me batizou.Todos estavam quebrando as ondas e também quebrando as pranchas, partir a prancha em Bali, longboard principalmente, é inevitável, uma hora ela te pega, eu parti 1, o Gabriel 4 , o Jonas 3 e o Pitasi 3, mas lembrando que todos estavam se jogando em ondas de 6 pés pra cima. Não foi diferente com as freesurfers, Julia Araújo e Paula Uchoa. Muita atitude e desenvoltura no mar também, realmente vi as duas superando seus próprios limites em ondas bem tubulares. Evolução e coragem são palavras que atribuo a essas gurias. Mas Uluwatu não perdoa erros.. o placar foi 1 prancha quebrada da Julia e 3 pranchas partidas da Paula, que logo depois, comprou um Log e foi se divertir nas ondas mais suaves de Canggu e Medewi. 

 

As ondas na região de Bukiti, onde ficam os principais picos, são ondas bem fortes, com bastante massa d’água. Uluwatu, Padang Padang, Impossibles, Balangan, Temples, nessas ondas vc não pode vacilar, tem que escolher a certa e ser bastante prudente. Porém, na Indonésia, tem lugares que as ondas são mais cheias e são o mais propícias para o longboard e log como Canggu, Medewi, e Batukaras...que aliás , esse último, um pouco mais longe, mas que vale muito a pena a missão de chegar até lá...Quem quiser fazer um surf mais mellow...esses são os points mais indicados. Agora, mais adrenalizante que surfar Uluwatu 10 -12 pés, foi andar de moto de Bukit até Canggu por exemplo...1h de muita loucura no trânsito. Realmente se vê de tudo: crianças de 12 anos com 3 na garupa ultrapassando pela calçada, senhoras pilotando sem capacete com as compras do mês, os sinais de transito raramente funcionam, os Go Jacks (Ubers de lá) são os mais kamikazes... Caí 2 x de moto. Na primeira vez, estava na garupa de uma amiga.

A segunda vez, caí sozinho fugindo de um terremoto, sim, peguei pela primeira vez na vida um terremoto, e estava a 58km do epicentro. Eram 8h da manhã, estava em um Warung, uma espécie de quiosque, debaixo de uma marquise, tomando um cafezinho preto. Olhei para a chícara, o líquido do café começou a sacudir, na hora não entendi muito...apenas realizei quando a atendente largou meu prato de frutas no chão, começou a gritar de nervoso e começou a correr...em 2 segundos umas 10 pessoas ao meu redor, saíram correndo também. Daí caiu a ficha! Entrei no modo “salve-se quem puder” e saí correndo em busca de um local aberto, achei minha moto no meio de dezenas. Subi, acelerei, e na correria alguém esbarrou no meu longboard, quando percebi, já estava no chão com a moto em cima da minha perna. Como um gato, me levantei muito rápido e saí acelerando novamente, nem olhei pro machucado. Depois de já estar em local aberto, fui ver o prejuízo, apenas um inchaço, nada grave...tudo certo.


Mas Bali é isso, um misto de emoções... karmas... espiritualidade... e muito surf. O oceano e a terra literalmente vibram. Agradecimentos a Rico de Souza, Marcelo Teixeira, Francisco Silva, Beto Nascimento, Paulo Ribeiro e todos que vibraram a favor para eu ir elevar meu surf e meu espírito na ilha dos Deuses. Bali Bagus!!!

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