Longboard - Jasmim Avelino quer o mundo

Carioca campeã brasileira de 2017 vai competir for do Brasil de olho numa vaga na competição que dá o título de campeã do mundo


Esse ano Jasmim Avelino @jasmimavelino, 23 anos, surfando desde os 9, vai ser vista bastante no lineup da praia da Macumba. Após cumprir sua meta de se formar em biologia, 2019 vai ser dedicado e focado nas competições. Ela vai treinar forte com as suas longs do Pastor (shaper) para conseguir entrar no ranking das top 20 participando das etapas do circuito mundial na Austrália, Portugal e França abertos, visando atingir a meta de competir o profissional na China no final do ano.

Jasmim Avelino. Foto: Fedoca Lima.

Jasmim Avelino. Foto: Fedoca Lima.



A primeira missão internacional, apesar de não pontuar para o circuito mundial, é importante é o Mexi Log Festival no final de abril nas esquerdas de Saladita. Já está com a prancha log encomendada para esse campeonato para convidados que se dediquem ao surf mais clássico, convite indicado pelo amigo Caio Teixeira: “Ele já tinha me chamado outra vez, mas eu não tinha estrutura. Neste ano vamos eu e a Chloé no feminino. Eu vou, com meu coach, assessor e namorado Paulo, rsrsrrsr para o México um pouco antes para surfar aquelas ondinhas e também para uma esquerda Rio Nexpa perfeita também, mas com mais pressão”.

Jasmim começou a competir cedo, com 12 anos, incentivada pelo pai e a irmã mais velha Shayana. “Eu era magrinha, ficava lá no outside, morria de medo, mas peguei uma experiência muito boa, ele me empurrava na onda. Aí com uns 12 passei para o long, e meu primeiro corte foi em Jacaraípe-ES, quando fui acompanhar meu e pai e minha irmã num campeonato. A sensação era como se eu tivesse em Mentawai”.

Ela participou de alguns campeonatos, como um do Petrobrás Longboard Classic, em 2008, que teve uma bateria feminina júnior. Participaram, além dela, a Chloé e a Rayana Amaral, 1ª e 2ª colocadas respectivamente, e ela em terceiro. Muitas vezes Jasmim competia com as meninas mais velhas e experientes como a Mainá Tompson, Karina Olas, Cris Pires...

Shayana e Jasmim. Foto: Fedoca Lima.

Shayana e Jasmim. Foto: Fedoca Lima.



A experiência mais marcante dela de sufoco foi durante um campeonato local na Macumba: “Estava uns 3 metros perfeito, gigante, até hoje não peguei mar maior, eu dei sorte de estar na mesma bateria da minha irmã, a gente remou pela pedra mas o campeonato era lá no Rico Point, aí veio uma rainha enorme varrendo, eu olhei para a Shayana, ela falou mergulha em pé na prancha e vai o mais fundo que der. Eu achei que não dava, comecei a chorar, lá fora. Tentei mergulhar escorreguei e caí de barriga, só que a onda tinha perdido um pouco da força, ficou meio cheia e eu passei de boa! O Dionísio, que estava dando uma força, falou para eu pegar qualquer onda e sai do mar. Foi o que eu tentei, dropei e caí no drop, passei o maior sufoco, mas me rendeu 0,80 que acabou me lavando para a final no dia seguinte porque as outras meninas não quiseram entrar. Meu pai estava na areia se sentindo um irresponsável por ter me deixado entrar.... Deu tudo certo fiquei em quarto lugar, surfei umas 3 ondas, a Mel Gergull, big rider, levou, a minha irmã em 2º, a Chloé em 3º. Foi o meu melhor campeonato”.

Jasmim Avelino na Praia da Macumba. Foto: Fedoca Lima.

Jasmim Avelino na Praia da Macumba. Foto: Fedoca Lima.



Por elas, Canal OFF

Em 2017, após o título de campeã brasileira da ABRASP, as portas se abriram e o Canal OFF convidou a Jasmim para participar do programa Por Elas na América Central. Foi uma experiência única para quem nunca tinha saído do Brasil. “Um sonho estar gravando e pegando ondas perfeitas! Ficamos em El Salvador, em Sunzal, o Maracanã do long, e pegamos altas ondas de 1,5/2m.  Eu sou goofy, mas mesmo de backside estava em casa. Cada onda era a melhor do dia, sempre com a prancha Pastor”.

Além dela estavam Marina Werneck, Chantalla Furlanetto, Marina Resende e Barbara Muller, todas com pranchinhas. Elas surfaram as desafiadoras direitas de Punta Roca e depois foram para Nicarágua aonde se juntaram à Aline Adsaka (SUP) e Michele Des Bouillons.

Na Nicarágua surfaram Miramar e Popoyos em condições menores do que em El Salvador, mas foi tudo muito bom. “Foi irado, a maior experiência”, conta Jasmim.

Já pensando na experiência de ondas internacionais ela passou as férias de julho no Peru. Lá, apesar do frio intenso, conseguiu pegar altas ondas quase sem ninguém em picos como Cerro Azul e Punta Rocas.

No Rio ela mora no bairro do Humaitá, e de vez em quando vai de bike com amigos surfar de noite no Arpoador, por volta das 11h30/12h. “A onda atrás do Pontão surge de repente é uma adrenalina, depois fica uma certa loteria a medida que entra no inside mais escuro”. É também um susto para o porteiro quando ela chega por volta das 3 da manhã molhada, de bike e prancha!

Jasmim fechou 2018 vencendo, em dezembro, de virada, no último segundo, a bateria final contra a Mainá Tompson, no 5º Macumba Longboard Classic. “Eu competi com surfistas que eram ídolos pra mim quando eu tinha uns 12 anos, como a Cris Pires, a Mainá 5 vezes campeã brasileira, referências para mim. A competição foi em casa, aonde eu aprendi a surfar, e o mar estava meio loteria, quase flat. Eu não estava ouvindo nada, eu já tinha pego uma boa, a Mainá também, a Cris também, eu achava que estava tudo perdido. Faltava 1 minuto e eu sabia que precisava de nota, mas não sabia quanto, naquela aflição veio uma onda e no mesmo momento eu ouvi a contagem regressiva. Eu pensei: ‘vou virar e fazer qualquer coisa’, e fiz até areia. Saí achando que tinha perdido e eu pensei: ‘nunca consigo ganhar!’. rsrrrsr Aí teve a surpresa: fiquei sabendo que tinha virado. Super emoção, foi uma emoção muito forte, o próprio locutor que me acompanha desde novinha, o Rick Lopes, disse que tinha sido a maior emoção. Foi muito bom pois meus pais estavam na areia, e também por dividir o pódio com essas meninas. Isso é pra gente ver como o surf é legal, uma harmonia boa. O principal é que a gente não pode perder a essência do esporte”, falou Jasmim.

Jasmim Avelino  no pódio do 5o Macumba Longboard Classic. Foto: Fedoca Lima.

Jasmim Avelino  no pódio do 5o Macumba Longboard Classic. Foto: Fedoca Lima.



Essa vitória carimbou o apoio para equipe profissional do Pastor e um apoio financeiro da sua já apoiadora Aloha Veículos para dar prosseguimento na carreira. Jasmim já conseguiu alguns outros apoios como os biquínis da Balangan beachwear, academia Endorfina, protetor solar Brazinco e Wari Pratas acessórios.

Ainda falta um patrocinador forte porque essas etapas internacionais são caras. Por exemplo: para abertura do circuito em Noosa, na Austrália, em março,  precisa de uns R$ 15.000,00 e mais ainda para o grande Taiwan Open World Longboard que dá o título de campeã mundial.



Fedoca Lima tem o apoio da Aloha Veículos.

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