Calado, atual 2º melhor no Mundial de Ondas Grandes, sem patrocínio


Calado sobre essa onda: "Foi o momento mais marcante
da minha vida". Foto: Bidu.

Pedro Calado ganhou o mundo rapidamente. Com atuações de respeito em ondas gigantes ganhou reconhecimento e respeito. Com isso vieram os convites para disputar o Big Wave Tour, o Circuito Mundial de Ondas Grandes da WSL.


Na primeira etapa que participou fez final (3º em Puerto Escondido). Com isso foi novamente convidado e fez nova final (5º em Jaws). E na terceira que participou também chegou na bateria mais importante do evento (4º em Nazaré) e agora é o atual segundo melhor do mundo em ondas gigantes. Mas mesmo com um currículo impressionante ele está sem patrocínio.

Para saber como está a cabeça desse novo ídolo brasileiro, a equipe do Ricosurf entrou em contato e preparou uma entrevista onde ele fala do ano de 2016, treinamento, onda que mais gosta e muito mais.

Confira:

Carlos Matias - Como você está de patrocínio e apoio?

Pedro Calado - Estou sem patrocínio e sem apoio. Mas estou na esperança... Tenho certeza que uma hora vai vir o que eu quero, um que me agrade e que me valorize também.
 
Como você define o seu ano de 2016?

Foi um ano muito bom. Em relação a minha carreira de surfista profissional sem dúvidas esse foi meu melhor. Espero que daqui pra frente seja melhor ainda, que eu consiga me dar melhor nos campeonatos. No ano de 2016 inteiro, de janeiro até dezembro, minha vida foi perfeita, aconteceu tudo o que eu queria e estou muito feliz com a vida que estou tendo.

Calado participou da cerimônia do Eddie Aikau, evento mais tradicional do surf d

Calado participou da cerimônia do Eddie Aikau, evento mais tradicional do surf de ondas grandes. Ele é um dos alternates. Foto: @igorhossmann.


 
Você já vinha demonstrando que era casca grossa no surf de onda grandes, mas agora você arrombou a porta, fazendo final nas três etapas que participou do BWT e sendo o atual segundo colocado no ranking. Você tem sentido diferença de atitude dos outros big riders “famosos” quando está com eles no outside?

Não cara, a única diferença é que estou convivendo mais com eles, estou conhecendo-os, tendo mais intimidade e a gente acaba fazendo uma amizade. Quando nos encontramos nos falamos e vamos nos tornando amigos.
 
O que foi mais especial pra você em 2016?

Com certeza foi a esquerda em Jaws que eu peguei em janeiro. Foi o momento mais marcante da minha vida.


 
O que você quer fazer de diferente em 2017?

Quero pegar mais ondas boas. Quero viajar bastante, conhecer novos lugares, quero ir para o Tahiti, Fiji... Conheço pouca coisa ainda. Quero manter essa vida que estou tendo e viajar mais.
 
Qual onda grande você gosta mais?

Jaws, por que é uma onda que você surfa mais, tem tubo... Ela é diferente de outras ondas que você só dropa e sai no canal. Em Jaws você surfa mais a onda, tem como dar um cavadão, pegar um tubão e sair na baforada, então é mais por isso. Pra mim ela é a melhor. Mas tem muita onda grande pelo mundo que eu ainda não surfei, quero muito pegar gigante em Fiji, talvez seja uma das melhores ondas do mundo.

Calado competindo em Jaws. Foto: WSL.

Calado competindo em Jaws. Foto: WSL.


 
O que passa na sua cabeça um dia antes de competir num evento de ondas grandes?

Sinceramente, no primeiro evento que competi, em Puerto Escondido (México), fiquei nervosão, nem comi direito na semana antes quando recebi o convite, fiquei nervosão, nem sentia tanta fome, mas estou sabendo trabalhar isso.

Agora em Nazaré (Portugal) fiquei bem mais tranquilo na questão de alimentação, estava comendo direito, mas sempre que bate um swell gigante, quando chamam o campeonato, não tem essa, todo mundo fica nervoso, todo mundo fica ansioso para saber como vai estar no dia.

A noite anterior é disparada a pior de todas. Pela manhã começa a adrenalina com você já sabendo que vai estar na água em pouco tempo, então é mais tranquilo.

Calado amarradão com mais uma final do BWT. Frame.

Calado amarradão com mais uma final do BWT. Frame.


 
Como você tem se preparado fisicamente e psicologicamente?

Tenho feito treinamento de natação voltada para o surf, aqui no Recreio. Trabalho apneia, dou uns tiros de natação, carregamos peso debaixo d’água... Temos que trabalhar a natação. Quem pega onda tem que estar com a natação em dia, pois se você perder a prancha e não tiver ninguém para te resgatar você vai ter que nadar. Então não tem treinamento melhor que esse.

Acho que o psicológico fica confortável quando você sabe que está preparado fisicamente. Tenho feito um treinamento físico com meu fisioterapeuta Leandro na Bodytech da Barra. A gente trabalha muito com bola, de vez em quando eu puxo uns pesos na perna pra fortalecer a coxa e o joelho, mas nada de exagero, pois não gosto de pegar peso, mas é tudo controlado. A gente trabalha com corda etc.

É basicamente isso, a natação e o treinamento físico me deixam confortável psicologicamente. Sempre é bom manter a calma, fazer yoga... de vez em quando eu faço pra ter uma respiração boa, o que você aprende com yoga. Tem umas técnicas que faz você se acalmar rápido em certas situações, então acho importante.

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.


 
Você se tornou um ídolo brasileiro no surf. Como você enxerga isso?

Pra mim é tudo muito novo, tudo aconteceu muito rápido na minha carreira como surfista de ondas grandes, mas eu estou muito feliz. É estranho sair na rua e uma galera te reconhecer e dizer que você está representando bem o Brasil [risos]. É meio novo pra mim, mas estou amarradão por isso.

Mas o que eu estou achando mais maneiro é que estou conseguindo passar uma mensagem legal para a garotada. Eu já tive umas experiências que eu pude contar um pouco da minha história que eu acho que pode ajudar essa criançada aqui do Brasil, pelo menos aqui no Recreio onde fiz essas coisas.

Fui num trabalho social no CADES (Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe) que eu fiquei amarradão de estar ali contando um pouco da minha história para uma galera que gosta mesmo do surf.

Se eu puder trazer um título para o Brasil vai ser melhor ainda, pois vai trazer ainda mais visibilidade para o nosso país, pode trazer mais investimento pro surf brasileiro, aqui do Rio de Janeiro também, pois tem que melhorar bastante.

Pedro Calado, ídolo brasileiro de ondas grandes. Foto: Bidu.

Pedro Calado, ídolo brasileiro de ondas grandes. Foto: Bidu.



Deixe um recado para a galera que acessa o Ricosurf e vibra a cada drop seu numa bomba.

Obrigado galera, obrigado por tudo, pelas mensagens, pela vibe positiva que toda a galera me dá no Instagram @pedrocaladoo e no Facebook!

Queria desejar altas ondas pra galera, feliz ano novo, que esse ano de 2017 seja um ano bom pra todo mundo, para o Brasil inteiro.

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