Entrevista - Michaela Fregonese: big rider por natureza

Com performances sólidas, a brasileira já mostra a que veio e chama atenção da comunidade dos big riders


Nascida em Curitiba, surfista, mãe, esposa e big rider. Essa é a síntese de Michaela Fregonese, atleta que segue seus objetivos tendo como principal objetivo surfar as maiores ondas do mundo. Para tanto não vem poupando esforços. Em sua rotina treinamento funcional, musculação, pilates, e claro muito surf. Michaela foi destaque, entre os homens inclusive, na última expedição realizada para a “Urca do Mioto”  no outer reef no Nordeste brasileiro que mostrou ter muito potencial.

“É uma onda incrível, mas não consistente. Ela fica bem longe da costa e é linda. Imagino quantos swells perfeitos não devem ter quebrado ali sem ninguém”,  afirma.

Michaela Fregonese. Frame.

Michaela Fregonese. Frame.



Esse ano havia a expectativa de sua onda, um tubo bem grande em Puerto Escondido, no México, ser finalista para o XXL,  o mais importante prêmio do big surf mundial. A final não veio, mas com sua performance ela ratificou seu lugar no rol das postulantes ao título do Oscar das Ondas grandes, como o prêmio é conhecido.

Suas performances em ondas pesadas como Backdoor, Padang Padang, Puerto Escondido, entre outros, já chama a atenção da comunidade do surf mundial. Abaixo uma entrevista exclusiva na qual a surfista fala de vários assuntos. Vale o drop!

Gerson Filho -  Quais seus principais objetivos como atleta?

Michaela Fregonese - Meu objetivo este ano é ir para os lugares onde rolam as maiores ondas do mundo, sendo desta forma convidada para os campeonatos mundiais de ondas grandes que rolam em Jaws e em Maverick's e tentar um título de melhor performance feminino de ondas grandes o Big Wave Award!

Qual sua onda predileta?

Depois de surfar em Jaws pela primeira vez, ela se tornou minha onda predileta no mundo!

Qual sua manobra preferida?

Tubo.

Michaela Fregonese em Phantons, no Hawaii. Foto: divulgação.

Michaela Fregonese em Phantons, no Hawaii. Foto: divulgação.



Quem são seus ídolos no esporte?

João Capilé, Rodrigo Resende, Kelly Slater, entre outros !

Como você analisa a atual cena do surf em ondas grandes, no que diz respeito às mulheres?

Acredito que o surf de ondas grandes vem crescendo e ganhando um espaço cada vez mais notável, no qual nós, mulheres, estamos sabendo aproveitar este momento. Estamos  conseguindo ampliar nossos limites,  surfando ondas cada vez maiores, e mostrando um bom desempenho.

No Rio de Janeiro, quais são seus picos preferidos?

Laje do Sheraton, Prainha e Grumari.

Qual é seu quiver atual?

5’10”  - 5’11” -  6’3”  - 6’6” -  6’9” -  7’3” -  10’ e 10’5”.

Michaela Fregonese em Padang Padang, na Indonésia. Foto: divulgação.

Michaela Fregonese em Padang Padang, na Indonésia. Foto: divulgação.



Qual foi o pior perrengue que você já passou surfando?

Acredito que tenha sido quando tomei a série na cabeça em Jaws! Eu já estava cansada, pois cheguei no Hawaii à noite. Aluguei um carro, dirigi até o North Shore e no outro dia surfei em Waimea durante algumas horas. Depois fui pra Maui. Cheguei por volta das 23h e às 5h30 já estava de pé! Foi tudo muito cansativo, mesmo assim consegui pegar uma onda! Mas na hora que tomei a série já estava sem energia, então foi bem difícil ainda mais tendo que entrar e sair pelas pedras!

Qual foi o maior mar que você já caiu?

Foi em Jaws no dia 14 de janeiro de 2017, haviam ondas de 50 pés!

O que você acha da atual tendência: tow in acabando e o surf de remada ressurgindo?

Acho Tow in sensacional! Você poder surfar de Tow in uma onda que na remada não é possível é realmente o futuro do Surf. Mas se der pra remar eu prefiro remar.

Michaela Fregonese em Pipeline, no Hawaii. Foto: divulgação.

Michaela Fregonese em Pipeline, no Hawaii. Foto: divulgação.



Qual o seu maior desafio em termos de big surf. Até aonde você acredita que possa chegar?

Quero muito voltar a Jaws, menos cansada, com uma estrutura melhor de suporte, um Jet no qual eu possa guardar água, protetor e umas barrinhas pra poder ficar mais tempo na água e lógico pra não precisar passar pelo perrengue se entrar e sair pelas pedras e ser resgatada quando precisar.

Quero surfar Nazaré e estou me preparando pra isso. Amei Puerto Escondido.  Foi lá que fiquei conhecida no mundo do Big Surf, (Michaela pegou um tubão em Puerto)  mas prefiro focar nas ondas em que rolam os eventos de ondas grande das WSL:  Maverick's e Jaws!

Que mensagem você gostaria de deixar?

Preciso de um patrocínio pois o Big Surf demanda um alto investimento financeiro, tanto para as viagens quanto para os resgates como para o equipamento e o preparo físico!

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