Long Sessions - Thiago Mariano entrevista Caio Teixeira

Em seu primeiro texto na nova coluna do Ricosurf, o shaper e longboarder conversa com o amigo que tem o esporte na alma


Semana passada, Rico de Souza me convidou  para escrever sobre o Longboard no Ricosurf.com.  Que Honra. Que  Responsabilidade.

Confesso que pensei em inúmeros assuntos: desde o significado profundo do esporte em perspectivas diferentes, indo até competições do circuito mundial, WLT, onde Phil, Chloé, Atalanta são 100% culpados de colocar o Brasil onde está.

Pensei no Augusto Olinto inovando / apavorando  em terras lusitanas. Pensei na nova geração talentosa que está surfando muito... Jasmin Avelino, Mateus Santos, Marina Carbonell, Pedro Machado, Ayllar Cinti... dentre outros...

Pensei nas lendas Friedmann, Neco, Pastor, Pacheco, Mudinho, R.Barreto, Mansur... pensei até em divulgar um surf épico no RJ com o paulista Jaime Viúdes recentemente... Mas resolvi inaugurar a coluna fazendo uma entrevista com um grande amigo. Longboard  na alma, monoquilha tatuada na pele. Músico e desenhista nas horas vagas,  sr.  Caio Teixeira.

Caio Teixeira na praia da Macumba. Foto: Felipe Ditadi.

Caio Teixeira na praia da Macumba. Foto: Felipe Ditadi.



Conheço Caio há um tempo, já corremos finais do Estadual juntos na sua terra natal, Cabo Frio... Lembro que eu o “escovei” na final, pura sorte, diga-se por passagem. E no término da bateria, já na areia, seu pai o “escovou” novamente por ter perdido para um forasteiro rsrs.

Thiago Mariano (verde), Caio Teixeira (preto) e um amigo. Foto: divulgação.

Thiago Mariano (verde), Caio Teixeira (preto) e um amigo. Foto: divulgação.



Mesmo assim ele ainda me ofereceu para dormir dentro do acervo de pranchas do seu pai. Dormi literalmente no meio de mais de 400 pranchas. Surreal a experiência de pernoitar dentro de um Museu de Surf.

Caio com o pai. Foto: divulgação.

Caio com o pai. Foto: divulgação.



Temos uma certa afinidade, música e somos vizinhos de shapes na First Glass.  Mas resolvi entrevistá-lo pelo surf clássico extremo que possui e por ter sido convidado pro Surf Relik, campeonato com premiação record de 75.000 dólares que acontece hoje e amanhã em Malibu, Califórnia.

Thiago Mariano - Caio, me conte como surgiu essa ligação forte com o surf clássico. Como foi essa inspiração, suas primeiras referências, suas atuais referências, o que significa realmente o surf clássico pra você?

Caio Teixeira - Essa ligação foi automática, eu acabei entrando nela sem mesmo perceber que estava sendo "clássico". Muita gente não sabe, mas meu pai, Telmo Moraes, é um colecionador, tem um acervo com mais de 800 pranchas. Fui criado em meio a pranchas antigas, ofinicas de reparo, fábricas de pranchas, campeonatos e tudo que possa envolver o universo eu estava participando e totalmente infiltrado.

Minhas primeiras referências foram os amigos do meu pai, Miguel Kury, Babu, Guilherme Tchecudo, e, claro, meu pai foi meu maior tutor, me deu a minha primeira prancha e me levava pra surfar sempre aos finais de semana.

Tenho até uma lembrança engraçada... Meu pai gosta de acordar tarde, diferente de mim, que gosto muito de acordar cedo, e todos os domingos que eu queria chegar cedo pra surfar, e nunca conseguia, por que ele acordava e queria assistir antes de ir à praia, ou a Maratona, ou a Fórmula 1. Ainda bem que tive amigos que começaram a me levar às 6 da manhã pra surfar.

Hoje em dia eu gosto muito de surfar com pessoas que fazem subir o nível do meu surf. Quando vejo meus amigos fazendo uma boa onda, o foco é pegar uma próxima que seja tão boa quanto a dele. E isso eu faço com meus amigos Pedro Scansetti, Tiago Bulhões,  Wolters, Olinto, esses caras são minhas principais referências em terras tupiniquins. Todos assim como eu, são fissurados por surf, e pelo Longboard.

O surf pra mim é simplesmente minha vida.

Como você definiria um Longboard?

Acima de 9'4" de preferência sendo monoquilha.

Como você definiria um longboarder?

Eu não gosto muito dessa definição, eu prefiro achar que todo mundo é surfista.

Caio Teixeira. Foto: arquivo pessoal.

Caio Teixeira. Foto: arquivo pessoal.



Diferença no esporte  Macumba / Malibu?

Eu acho que a educação faz toda diferença nessas horas. Eu moro na praia da Macumba há 4 anos, e o crowd é muito, muito mais tranquilo se comparado ao de Malibu. Mas por mais incrível que pareça, você não vê ninguém discutindo por onda, os caras simplesmente vão pra água curtir e aproveitar todos os tipos de prancha, eu disse “todos", da alaia, às pranchas de softboard, fish, glider, log e qualquer objeto que boie.

Qual o seu quiver atual?

Nesse momento eu tenho feito minhas pranchas, e com isso a cada criação eu procuro surfar em todas as condições possíveis, com diferentes quilhas pra poder entender bem como ela funciona. Eu tenho ulitilzado a minha MexiCali, uma prancha numa pegada bem anos 60, com bordas 50/50 mais pesada, feita em Volan, onde tenho utilizado uma quilha do modelo Malibu da Alma Quilhas.

Como você costuma variar de equipamento? Quando o mar sobe, ou diminui... ondas cheias, ocas... tem uma preferência particular para cada combinação?

Eu gosto de experimentar no mesmo dia vários tipos de pranchas. Acho isso bem legal, dá pra entender qual foi a melhor prancha naquelas condições.

Caio Teixeira. Foto: Fedoca Lima.

Caio Teixeira. Foto: Fedoca Lima.



Existe prancha mágica?

Existe a prancha que encaixa no seu pé que te faz feliz, que para algumas pessoas, isso também pode ser chamado de prancha mágica.

Conte um pouco do campeonato SurfRelik que está rolando agora na Califórnia.

Esse campeonato está sendo épico bem antes de começar. Foram dois dias intensos de um swell incrível que encostou antes dos dias de competição. Os melhores surfistas de Longboard e log estão aqui. Acho que com uma só palavra, épico, seria a mais adequada.

Agora me fale que foto foi aquela que o CJ Nelson, referencia máxima no esporte, tirou no pré-evento ?



Qual a diferença básica desses eventos, assim como o Mexilog, em relação aos eventos no Brasil? Alguma sugestão para uma possível mudança de perspectivas?

Achei a sacada de unificar o Longboard e o Log muito bacana. Quem quiser ver show de pancada reta vai ver, assim como quem quiser ver um show de longos noseridings também.

O Mexilog é um evento incrível onde tive a oportunidade de participar durante 3 anos consecutivos e pude fazer uma final na praia de Sayulita com uma nova geração que tem dado o que falar.

A diferença do Mexilog para os eventos tradicionais são pautadas em; todas as pranchas tem que ser acima de 9'4", bordas 50/50, Quilhas com mais de 9", e o uso da cordinha "strap" não é permitido. As manobras tem uma abordagem diferente dos tradicionais campeonatos brasileiros, onde estilo, fluidez e técnica, contam muito.

Caio Teixeira. Foto: reprodução Instagram.

Caio Teixeira. Foto: reprodução Instagram.



Mande umas dicas de vídeos e referências que vc curte.

Eu costumo seguir algumas páginas em redes sociais que mostram bastante coisa legal, no Instagram vale a pena ver o "Lograp" e "One perfect wave" são os meus favoritos.

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