Meio Ambiente: prancha feita a partir de guimbas de cigarro funciona bem

Projeto dá um ótimo recado


O surfe chegou a um patamar tecnológico em que pranchas e mais pranchas são produzidas diariamente. E não só nas salas de shape, e nas fábricas de pequeno e médio porte - em sua maioria - mas em fábricas com escala industrial,  inclusive na China. Além das pranchas, fabricadas com material altamente tóxico, temos toda a industria periférica: quilhas, estrepes, corpinhos, protetores de rabeta, decks, entre outros, que tem em sua composição materiais que agridem o Meio-ambiente de alguma forma.

Taylor Lane exibe sua Cigarette Board

Mesmo sendo parte integrante de um processo altamente poluente, paradoxalmente, nós surfistas temos na proteção do Meio-Ambiente uma causa que sempre está entre os assuntos. Contudo, as iniciativas não chegam a fazer a diferença em um cenário já tão “viciado”: compra a prancha, usa a prancha, não se preocupa com o descarte. Recentemente a WSL ( World Surf League ) começou a campanha “Stop Trashing Waves”, tendo como máxima empreender novas ações e compromissos relacionados à sustentabilidade - no primeiro momento tendo a redução do consumo de plástico como meta. Nesse sentido, a entidade vem promovendo ações, criando eventos, e pelo menos já começou a tocar no assunto com mais ênfase, algo que antes era ignorado e jogado para baixo do tapete, ninguém, sabe, ninguém viu e toca o barco.

 Video - Processo de fabricação

Caputra Internet 

Mas nem tudo está perdido. Entre as iniciativas que unem criatividade, funcionalidade, e uma boa dose de talento está “Cigarette Surfboards”, prancha feita a partir de guimbas de cigarros. Isso mesmo. A ideia a princípio nasceu em um concurso criado pela marca Visla no qual a ideia era premiar iniciativas eco amigáveis. O filme sobre a produção da prancha tendo como base 10 mil guimbas,  foi produzido para o festival, e a iniciativa deu tão certo que o desenhista industrial Taylor Lane e o cineasta Ben Judkins transformaram a história em um projeto permanente.

Quiver de Cigarette Boards - Reprodução site https://www.thecigarettesurfboard.com

A guimbas de cigarro são feitas basicamente de plásticos e seus derivados, como acetato e celulose o que faz com que não de decomponham com facilidade. Elas também são consideradas como um dos lixos mais difíceis de serem processados: difícil coleta, grande quantidade. A ideia do filme é questionar a mentalidade de usar pontas de cigarro e como isso representa em grande parte nossa cultura plástica de uso único e seus efeitos no oceano.

“As Pranchas de surf de cigarros, nos permitem atrair surfistas e outras pessoas influentes que estão fazendo uma diferença inspiradora no mundo para proteger nossos oceanos. Nosso filme forneceu em seu lançamento ( 2017) um kit de ferramentas para surfistas e não-surfistas se tornarem engajados no mar, já que os surfistas de todos os tipos podem curtir nossa prancha" , afirma Taylor.

VIDEO: https://vimeo.com/329653971

Single fin fiuncionando em Cloud Break

O processo de fabricação, que inclui as quilhas, é bastante interessante. Os fabricantes utilizam as guimbas ( cerca de 10 mil) para criar uma massa homogênea que é imersa em outros materiais, criando uma espécie de “bloco” de guimbas. Depois a prancha é shapeada e ainda funciona muito bem na água!

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