Colunista: Código vermelho na WSL, Fabricio Menezes fala sobre o fim do BWWT

Com o fim do BWWT e a afirmação de que o WCT só fecha no vermelho o sinal de alerta está fortemente ligado.


 

Laurie Towner durante a épica sessão em Cloud Break 2012 - Foto: Ted Grambeau

O que fazer para atrair audiência, grandes patrocinadores e acima de tudo gerar receitas para o produto Surf?Mudança! Com certeza essa é a palavra chave. Mas o que precisa ser mudado? Uma coisa é certa, eles estão tentando. Agora com a criação do Challenger Series separando as etapas 10000 do resto do WQS com as etapas de 5000 3000 1500 1000, abre um leque de opções.Reestruturação dos circuitos WQS e WCT é um começo, mas é preciso focar em melhores ondas.

Com o Challenger com 7 etapas 10000 e com o objetivo de chegar a 10 etapas, pode ser que se crie um segundo dreamtour para os 100 primeiros do ranking, estimulando assim a participação dos tops do WCT. O circuito classificatório também precisa ser atrativo, gerando dinheiro sem esquecer das ondas de qualidade para que o Surfista chegue preparado ao WCT. Diferente do que muitos pensam, querendo limitar o QS e agora o Challenger a atletas que não correm o CT, os números mostram o contrário, a participação das estrelas atrai audiência. O desconhecido Maresias Supertubes ficou conhecido no mundo todo com a participação do bicampeão mundial Gabriel Medina.

Medina competiu em casa durante o QS de Paúba -  Foto: divulgação

Já imaginou como seria se os tops do CT pudessem trocar os seus dois piores resultados na corrida do título mundial por duas etapas do Challenger? A maioria dos tops correria alavancando a audiência do circuito! O WQS deixou de ter etapas 6000, para ficar distante do Challenger e passa a contar pontuação de com as 5000 3000 1500 e 1000. Para continuar tendo visibilidade pode ser feito como era no Brasil no inicio dos anos 90, vinculado aos circuitos nacionais, regionais e estaduais. Isso fomentaria os campeonatos em cada continente, criando seeding para os atletas alcançarem o Challenger. E o CT, como tornar realmente um dreamtour? Lembram do Codered em Fiji em 2012 que por excesso??!! De ondas a etapa foi suspensa e os bigriders cairam na água e a audiência da Internet explodiu! O WCT explodiria em audiência se fosse realizado em ondas entre 6 e 15 pés.

Rodrigo Koxa bateu o recorde de maior onda já surfada com essa bomba em Nazaré -  Foto: divulgação

Maior que isso já teria que usar pranchas grandes demais, o que comprometeria as manobras. Para ratificar essa idéia é só olharmos os números da audiência dos dias maiores em Teahupoo, Jbay e Bells, comparando com os dias pequenos das mesmas etapas ou do fiasco da Gold Coas esse ano.É preciso também definir vagas por região ou continente para que todos tenham oportunidade de participar e criar mercado em todos os países. Já imaginou o potencial da China? Uma nação como Brasil ou até Austrália dominando, não é viável financeiramente. Cada região precisa criar seus ídolos para vender o produto. Quanto ao BWWT, é preciso achar a fórmula certa para prender a atenção do público. Demora muito para ter ação na bateria. Talvez, quem sabe, mais atletas em baterias mais longas. No CT o overlaps heats tem se mostrado eficaz para quebrar o tempo de espera assistindo sem nenhuma ação na água! No WCT, apesar de todas as controvérsias, se criou a etapa da piscina e porque não também uma etapa de Tow in ou possibilitar aos tops participarem de uma de onda grande do BWWT valendo como troca do seu pior resultado? Uma questão que vale ser falada também é a desvinculação do surf masculino e feminino. São produtos diferentes para públicos diferentes. Quem tem o direito da melhor hora do mar? Os dois saem prejudicados porque querem minimizar custos!

Silvana Lima -  Foto: divulgação

O certo é que o público quer ver o Surf como X Games, esporte radical, extremo, homem versus a força bruta da natureza como na Vitória de Medina em Teahupoo 2014! Sim, o mainstream precisa de mega shows como o evento de Huntington beach, mas jamais podemos esquecer que as ondas e os Surfistas são o maior espetáculo para o público, seja nas areias ou na web!

 

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