Diários de Heckert - Big rider relata sua 1ª temporada havaiana


Tive a satisfação de realizar o sonho de surfar Pipe e Waimea pela primeira vez e, finalmente, ter minha primeira gunzeira de 10 pés. Essa primeira temporada Havaiana foi irada, em termo de ondas, amizades, experiências fora d'água, mas principalmente em termos de ondas grandes. Foi a temporada do fenômeno El niño, ou seja, muito swell, mar liso, e quando tinha vento, era quase sempre a favor!

Raquel botando pra baixo em Jaws. Foto: arquivo pessoal.



Houve semanas em que só quebrava Waimea, Outtereefs e Pipeline. Surfei um dos maiores e melhores mares da vida, ao lado dos big e tube riders mais “cascas” do mundo.

Raquel e Caio Vaz em Waimea. Foto: arquivo pessoal.

Raquel e Caio Vaz em Waimea. Foto: arquivo pessoal.



Tenho muitas aventuras iradas a contar, mas lembro que peguei um mar muito clássico em Pipeline depois do 'Volcom Pro', que foram um dos dias mais bonitos de tubos grandes que já vi na minha frente!

Raquel em Pipeline. Foto: Arquivo pessoal.

Raquel em Pipeline. Foto: Arquivo pessoal.



E teve um outro dia alucinante, em que cancelaram o Campeonato de ondas grandes em tributo ao ”Eddie Aikau”, porque a previsão só estava mostrando 4 horas de ondas grandes, e a organização precisava de no mínimo oito horas para realizar o evento.

Estava gigante, liso e perfeito, mas não havia tempo suficiente para rolar o Evento; então eu e mais umas 60 “cabeças” fomos para água. Consegui surfar cinco ondas nessa caída e uma delas sozinha, que é algo muito raro em Waimea.

Agradeci muito a Deus de estar viva no final da sessão, porque tinha umas séries muito assustadoras e a tão temida “fechada da baìa” aconteceu meia hora depois que saí. Chegou a pegar minha amiga, Nicole Pacelli quando ela estava saindo no shorebreak.

Raquel em Waimea. Foto: Fábio Dias.

Raquel em Waimea. Foto: Fábio Dias.



Cerca de duas semanas mais tarde, houve outra chamada para o Eddie, e desta vez o evento histórico rolou. As cenas eram chocantes, nunca havia presenciado um swell daquele porte sendo humanamente “surfável”.

Nunca mais esquecerei a cena de ver a baìa de Waimea fechando com uma onda gigante, anormal, vindo do meio do oceano, entrando e varrendo todo mundo no pico e fazendo com que todos os jet skis, que estavam na água (que eram uns cinco) tivessem que sair do mar acelerando tudo para areia.

Descendo a ladeira em Waimea. Foto: Matt Paul.

Descendo a ladeira em Waimea. Foto: Matt Paul.



Vi drops insanos, vacas monstruosas... Impressionante! Ah, lembro que adorei ver o Danilo Couto de backside representando o Brasil bravamente no campeonato, e também a performance do John John Florence, surfista super jovem vencendo uma competição daquele nível contra os melhores big riders do mundo.

Em seguida tive participação da série Mulheres do Mar no Canal Off e gravei pra um Tv show americano chamado Insight Tv, para o programa “Chasing monsters”, que em português significa: “Perseguindo Monstros”, sobre atletas que fazem esportes extremos.

Raquel Heckert. Foto: arquivo pessoal.

Raquel Heckert. Foto: arquivo pessoal.



Tempos depois, competi um campeonato “Expression session” feminino de ondas grandes, em um outereef, no qual ganhei 650 dólares que somando com o meu trabalho em uma plantação e foodtruck, mais a ajuda do meu avô Adonias, me proporcionaram passar três meses buscando swells pelas ilhas da Indonésia. Fui para Sumatra, Java, Bali, Lombok, Sumbawa... Foram três meses buscando ondas boas no arquipélago.

Raquel em Nias, Indonésia. Foto: arquivo pessoal.

Raquel em Nias, Indonésia. Foto: arquivo pessoal.



Voltei ao Brasil, após 9 meses viajando, e pude ficar 3 meses com a família. Em seguida, fui ao México (Puerto Escondido) por duas semanas para aquecer os motores antes de seguir para mais cinco meses de Havaí, para a minha segunda temporada.

Raquel em Puerto Escondido, México. Foto: arquivo pessoal.

Raquel em Puerto Escondido, México. Foto: arquivo pessoal.

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