Mundial de SUP - Aline Adisaka busca apoio para poder competir na Dinamarca

Atleta de Ubatuba corre contra o tempo para arrecadara a verba necessária


Habituada a superar adversidades, a paulista Aline Adisaka, já venceu muitas conquistas importantes e agora está diante de mais um novo e importante desafio. A atual bicampeã brasileira de SUP Wave, campeã brasileira de sprint race e vice brasileira de SUP Rrace garantiu as vagas para o ISA World Sup and Paddleboard Championship, na Dinamarca, mas sem patrocinador, corre contra o tempo para conseguir custear as despesas da viagem.

Aline Adisaka. Foto: Carol Barcellos.

Aline Adisaka. Foto: Carol Barcellos.



A atleta de Ubatuba é a única do País até hoje a garantir vagas nas quatro provas do evento e optou por competir em três provas, onde têm chances reais de títulos. Junto com a preparação física e técnica para competir, ela faz contas de quanto gastará, tenta um patrocinador e, em paralelo, promove uma campanha financiamento coletivo pela internet, além de vender equipamentos pessoais. Tudo na esperança de alcançar o valor necessário.

“Estou vendendo pranchas, remos usados, roupas que não uso mais e também dos meus irmãos e estou tendo um grande apoio da família, amigos e admiradores do meu trabalho. Ainda tenho esperança de conseguir fechar parceria com alguma empresa”, fala.

Ela calcula que deve gastar em torno de 18 mil reais e até o momento só arrecadou três mil, faltando poucos dias para o campeonato. “Mas não vou desistir. O mais difícil já consegui, que são as vagas e não se pode comprar”, revela a atleta, que tem apoios da New Advance (pranchas), Remos Crespo, a treinadora de surf Andréa Lopes e o nutricionista Reinaldo Tubarão.

Aline Adisaka. Foto: Allan Gandra.

Aline Adisaka. Foto: Allan Gandra.



No Mundial, que será realizado de 1 a 10 de setembro, em Vorupør e Copenhagen, ela competirá na sprint race (velocidade – 200 metros), na race técnico (obstáculos) e no surf, abrindo mão da prova mais longa (18 km). “Cheguei recentemente de uma expedição de 67 dias, saindo de veleiro da Rússia e navegando até as Ilhas Aleutas, no Alasca, para gravar uma nova série para o Canal Off. Fiquei muito tempo sem treinar, então optei por fazer as provas de mais explosão”, argumenta.

Surf

Aos 26 anos, Aline teve seu primeiro contato com o SUP aos 21, pelo convite de um amigo, o triatleta e pioneiro na modalidade, Huka. “Nunca tinha remado, muito menos surfado de SUP, mas em dois dias, desde o primeiro contato com prancha e remo, entrei na competição e senti que era aquilo que eu queria fazer, pois era tão difícil e desafiador, que fez eu sair da minha zona de conforto de surfar de pranchinha e, com isso, superar meus limites cada vez mais”, lembra. “É como se eu tivesse encontrado o que eu nasci para fazer”, acrescenta.

Mesmo competindo nas duas provas em excelente nível técnico, a preferência é pelo SUP Wave. “Quem surfa sabe o quanto é indescritível a sensação de surfar. De vez em quando participo de umas provas de race pois mesmo sem treinar especificamente para esta modalidade, quando remo, acho um ótimo treino complementar para o SUP Wave e adoro estar na agua de qualquer forma. Na verdade, um complementa o outro”, explica.

Aline Adisaka. Foto: Allan Gandra.

Aline Adisaka. Foto: Allan Gandra.



“Mas em competição, acho muito mais justo no race, pois não somos julgados. Nosso resultado é imparcial, é uma corrida. Quem chegar primeiro ganha e pronto”, ressalta Aline, que decidiu se tornar uma atleta completa de remo, uma ‘waterwoman’. “Também brinco de surf de pranchinha, longboard e remo de canoa havaiana”, comenta.

Preparação

Apesar de estar próxima do mundial, Aline passa a maior parte do dia fora do mar. “Na verdade, como estou na maior missão de captar recursos para viabilizar a viagem, fico o dia todo correndo atrás de comércios, mandando e-mails, batendo de porta em porta, vendendo coisas e isso tudo toma muito tempo. Estou com a planilha de treinos, mas não estou conseguindo cumpri-la como gostaria. Agora, retorno ao Rio de Janeiro e farei alguns treinos com a Andréa Lopes”, conta.

Para a atleta, disputar o Mundial representa uma grande superação pessoal. “Lutei bastante tempo para conseguir conquistar uma vaga no ISA Games e hoje, graças a Deus, consegui algo inédito, que nenhum atleta, entre homens e mulheres havia conquistado antes, vagas nas quatro modalidades”, anuncia.

“Não falo isso para me vangloriar de forma alguma, reconheço que foi Deus quem permitiu este feito. Falo isso apenas para servir de inspiração e motivação a pessoas para acreditarem, terem fé e lutarem pelos seus sonhos, por mais impossíveis que pareçam”, complementa.

Aline Adisaka. Foto: Beto Marcondes.

Aline Adisaka. Foto: Beto Marcondes.



Além dos títulos no Brasil, Aline Adisaka já se destacou no exterior e chegou a ser a quarta do ranking em seu primeiro ano do Circuito Mundial. “No ano seguinte, lutava novamente pelo título mundial, mas me lesionei seriamente no joelho e tive de abandonar o tour. Após isso, a situação apertou e não tive mais recursos para viabilizar o Circuito sem patrocínio”, recorda.

Família

Vale ressaltar que Aline vem de uma família voltada ao surf. Seu pai já comandou duas grandes marcas de surfwear, sucesso em todo País, e seus irmãos mais novos, Gabriel e Daniel são surfistas. Gabriel compete como profissional e Daniel faz parte do Instituto Gabriel Medina e, como a irmã, garantiu vaga para o Mundial Júnior, da ISA, que também será disputado em setembro, no Japão.

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