Mundaka - Eric de Souza fala sobre a sessão super crowd em ondas épicas

“Eu pensava que não existia um crowd pior que o de Pipeline, mas realmente o crowd de Mundaka é muito pior”


Eu vim para a Europa, mais precisamente Portugal, um pouco antes do Natal e fiquei com o (Pedro) Tojal e a Bombom (Tatiane Araújo). Já costumamos viajar juntos há muito tempo. Depois de uma semana de Supertubos decidimos nos mudar, pois o vento estava previsto para soprar de uma direção muito ruim para os slabs que a gente gosta de surfar. Já a previsão para a Espanha estava ótima. O Tojal já conhecia a região de Mundaka e viu que a previsão estava muito boa, então começou a botar pilha e a gente decidiu pegar o carro e viajar durante 10 horas. Foi a melhor coisa que podíamos fazer.

Eric entocado em Mundaka. Frame: @bombomproducoes.

Eric entocado em Mundaka. Frame: @bombomproducoes.



Chegamos há quatro dias e o crowd estava bem intenso... muitas pessoas na água... Acho que nunca tinha visto tanta gente na água. Na terça-feira eu contei umas 250 pessoas. Só que o mar estava absurdo, um dos mares mais perfeitos que já vi na minha vida. Confesso que não peguei todas as ondas que gostaria, mas o frio e o vento forte também acabaram me deixando congelado, pois lá dentro ficamos boiando e tomando onda na cabeça no meio daquele crowd.

É um pouco tenso... eu pensava que não existia um crowd pior que o de Pipeline (Hawaii), mas realmente o crowd de Mundaka é muito pior. Se você der sorte e pegar uma onda boa já vai valer o dia e vai sair com o sorriso estampado no rosto. Eu não sou um surfista muito de crowd, não me considero um cara que se dá bem em dias assim, mas a gente entra na água e tenta pegar uma. As vezes sobra... rs

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Estava muita remação no pico. O rio é muito grande e tem uma variação de quatro metros. O banco de areia também é gigantesco e a boca do rio enorme. Esse visual lembra bastante Guaratiba, no Rio, só que que tudo de forma maior, numa escala bem maior, pois o rio tem muito mais fluxo de água.

Lá o pessoal surfa com pranchas grandes, 7’6, 8’, e tem vários locais que surfam muito bem, uma galera que rema muito bem, que tira os tubos, que representa, então isso acaba deixando o surf mais difícil, fica mais complicado se posicionar no crowd.

Eric entocado em Mundaka. Frame: @bombomproducoes.

Eric entocado em Mundaka. Frame: @bombomproducoes.



A onda é bem parecida com Desert Point, na Indonésia. Ela vem lá de trás e tem um drop teoricamente fácil, numa parte que a onda fica mais cheia, mas depois ela dobra na bancada, faz aquele double up e começa a fazer aquele rotor e não para até o final. É uma onda marvilhosa! Mas por ela ser assim fica difícil pegar a onda no meio dela, pois geralmente já tem alguém.

É uma onda espetacular, uma das mais perfeitas que já vi na minha vida. Com certeza dá uma angústia de não conseguir pegar todas as ondas que eu gostaria, mas só de estar aqui, vendo esse mar perfeito e conseguindo pegar duas ondas por dia, uns tubos de seis, sete segundos, está ótimo pra mim. Não preciso muito mais do que isso.

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