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Vídeo e Galeria Surf Trip - Vivendo o sonho na Indonésia

Autor: Administrador
Data da publicação: 18/11/2016 - 00:03h
Christiano Paiva curtindo Balangan. Foto: arquivo pessoal.

Durante o mês de julho o freesurfer carioca Christiano Paiva Neves conseguiu umas merecidas férias no seu trabalho, fez as malas e se mandou para o outro lado do mundo para concretizar um sonho de todos os surfistas: ficar um mês na Indonésia surfando as ondas mais perfeitas do mundo!

Tudo começou em Bali, a Ilha da Magia, com sua cultura peculiar, cheiros e paladares exóticos e com o que para muitos continua sendo a melhor onda hot dog do mundo: o Inside Coner de Uluwatu!

Instalado no Hotel Puri Uluwatu Villas, do nosso amigo Ketut Rona, ou Ronaldo, para os brasileiros. De frente para o gol, nas perfeitas linhas de Uluwatu, surfamos as melhores e mais perfeitas ondas que deram no início da trip, e com a ajuda do fotógrafo freelancer Léo Neves, que registrou altos tubos no Inside Corner, e do âncora, Sebastian Rojas, pegamos o que há de melhor na Ilha de Bali: o BuKit e suas intermináveis esquerdas, que tal como um expresso da felicidade, começa em Uluwatu e passa várias praias com diferentes tipos de ondas para terminar na lindíssima Balangan onde passamos uma tarde maravilhosa.

Foram três dias de altas ondas e finais de tardes lúdicos com o sol se pondo sobre o mar de Bali, com tubos de 6 a 8 pés. Não por menos o renomado surfista americano, Rob Machado, também lá estava para curtir aqueles momentos mágicos.

Christiano Paiva no trilho de Balangan. Foto: arquivo pessoal.

Christiano Paiva no trilho de Balangan. Foto: arquivo pessoal.



Após um dia épico de surf e sentado no bar, The Edge, do local Made, apreciando com os brasileiros Rodrigo Digones Mascarenhas (Bali Surf Connection), e o casca grossa, André Vinhas, a famosa cerveja Bintang, surgiu o convite/intimação de um dos maiores entendedores da Indonésia, Rodrigo Digones: aproveitar a baixa do swell e ir conhecer um dos mais famosos surf spot da ilha de Sumbawa, a mundialmente conhecida Lakey Peak, na longínqua ilha de Sumbawa, na Indonésia.

Não deu outra, cinco dias depois estávamos de frente para uma das melhores ondinhas da Indonésia formada no final de uma lago de coral, que dá nome ao pico, sendo incrível a variação da maré, que no auge não se vê o lago, mas conforme a maré vai secando o lago vai surgindo e junto com ele os tubos rasos. Nunca mais esquecerei o retorno andando sob o luar naquela afiada bancada, quando os protons fluorescentes misturavam-se com as memórias dos míticos tubos que havia acabado de surfar.

E as idas para Periscopes e Colbert Stones, dois secretes spots da região. O primeiro uma direta high performance e o segundo uma esquerda alucinante num fundo de pedras redondas no cotovelo do litoral. Altas ondas cuja mística dos lugares remontam aos mais profundos sonhos e anseios dos surfistas e ao ideal da busca pelas ondas perfeitas e longínquas.

Veja a GALERIA DE FOTOS.

De motinho a caminho de Periscopes pude ter a certeza de que lá foi o lugar mais longe que cheguei até hoje para tornar realidade o sonho de surfar ondas perfeitas, diferentes e sem crowd. E ali, vendo aquelas camponesas indonésias cultivando arroz, pude sinceramente agradecer a Deus a oportunidade que havia me dado de estar vivendo o sonho, mas que ainda havia muito ainda para acontecer.

De motinha no caminho de Periscopes, Sumbawa. Foto: arquivo pessoal.

De motinha no caminho de Periscopes, Sumbawa. Foto: arquivo pessoal.



Na volta de Sumbawa fomos direto para a ilha de Lombok encarar o último desafio do surf, Desert Point, The Ultimate Surf!

De início as diversas histórias de assaltantes com facões afiados, para a realidade da dificuldade de se chegar ao pico vindo do aeroporto internacional de Lombok pude contar com a tecnologia e me comunicar com nosso fiel aliado, Rodrigo Digone Mascarenhas, que nos indicou um hostel de beira de estrada muito honesto do lendário Suleman para passar a noite e no dia seguinte buscar a mitológica esquerda de Desert Point.

Suleman há anos trabalha acomodando surfistas que vão em busca do sonho de pegar o último desafio do surf de ondas perfeitas, Desert Point, e Digone foi mais uma vez certeiro e me colocou em boas mãos naquele momento difícil da viagem, pois sem ter reservas não tinha certeza de onde iria passar a noite com todas as malas e pranchas, e com medo de assaltantes, fui acolhido como um filho por Suleman e sua esposa, e pude jantar e pernoitar em seu modesto hostel que fica na Vila de Bangko Bangko.

Depois Digone afirmou que na década de 97/98 ficou um mês instalado no hostel do Suleman e pode surfar as melhores ondas de sua vida em Desert Point.

Na manhã seguinte sai em busca das ondas perfeitas. A praia de frente para o hostel era completamente flat, como uma baía e as ondas ainda teriam que ser desbravadas com um rali de motocross com a motinho que o Sr. Suleman insistia em me alugar. Assim, no final da estrada, por cima da montanha, lá no fim avistei a famosa placa de Desert Point, The Ultimate Surf, e seguindo a onda pude avistar outra placa muito famosa para nós brasileiros. The GROWER!

Enfim havia chegado em Desert Point! E o sonho de adolescente era real ali bem na minha frente, naquela areia. Com toda a excitação comecei a ouvir alguém falando um português misturado com espanhol e inglês e sem cerimônias tal como um "Pirata do Caribe", Augusto Ziggy foi se apresentando e logo pude perceber que ele era o famoso local Ziggy, que acolhia os brasileiros em sua pousada em frente ao Grower de Desert Point. Rapidamente conversamos e acertei minha mudança para lá. Afinal, nada melhor do que acordar com o pé na areia, e melhor ainda quando essa areia é Desert Point.

Tubo em Desert Point. Foto: arquivo pessoal.

Tubo em Desert Point. Foto: arquivo pessoal.



Dali então foram seis dias da mais pura perfeição e pude compreender o significado da expressão ‘tubo paga’ olhando as paredes da pousada do Ziggy. Sua hospitalidade, cordialidade e companheirismo com nós, brasileiros, não tem preço, e diante de tanta fraternidade pode se dizer que não só surfei altas ondas, mas realmente fiz um amigo.

Quanto ao mar, realmente não deu aquele Desert Point que se vê no cinema, posto que o swell não entrou, mas realmente estava melhor do que qualquer home brake espalhado pelo mundo. Quanto ao Grower pude entender como a galera faz aquelas fotos fantásticas que vemos nas revistas de surf, pois se você não pega o tubo, o tubo pega você.

Já no Point não há nada mais alucinante do que ficar três ou quatro placas dentro do tubo e de repente sair e ainda ter mais três sessões de altas performance pela frente. Incontestavelmente. ‘Tubo paga’!

Na hora de ir embora Ziggy fez questão de nos levar até ao aeroporto e na despedida ficou aquela sensação de que não seria a última vez que iríamos nos despedir, posto que ainda ficou o desejo de ver aquele pico do jeito que se vê nos filmes.

Retornamos para Bali e lá ficamos mais dois dias curtindo a cidade e sua boemia. Sem dúvida Bali ainda é a Búzios do mundo, e suas boates e nights estão entre as melhores e mais sofisticadas do planeta.

Quanto ao comércio e as compras, em toda a esquina há lojas de tudo o quanto é tipo, das melhores surfshops até as mais cara e glamorosas grifes do mundo. Bali sem dúvida é também o paraíso das compras. Muita variedade, tudo muito barato e diversas novas tendências de moda e estilos.

Vai uma Bintang. Foto: arquivo pessoal.

Vai uma Bintang. Foto: arquivo pessoal.



Descansados e com a energia recarregada rumamos para a última estadia da viagem. Doze dias no barco Moon Palikir, do nosso amigo Kadu Maia, capitão da Mentawaii Surf Charter, sem dúvida a cereja do bolo e o creme de lá creme, das ondas mais perfeitas do mundo: Mentawaii!

Dos passageiros fui o último a chegar e logo fui apresentado aos demais integrantes da Boat Trip composta de onze australianos, e somente eu de brasileiro, todos muito bons surfistas e alguns proprietários de umas novas marcas que veem surgindo na Austrália, na Gold Coast, a FK, ou Far King Surf, de parafinas e acessórios, óculos Live e OBfive Skateboards.

Instalados em suas cabines navegamos para mar aberto e tivemos como primeira parada Bintang, um direitinha divertida com um bowl que por vezes fazia um tubo, sendo um bom local para o início dos trabalhos. Na sequência fomos para o outro lado da baía quando o vento mudou no dia seguinte e surtamos altas ondas em Lances Left.

Mais que onda! Nessa manhã estava clássico com 6 a 8 pés de onda no intervalo sem uma gota fora do lugar. Clássico, tubos e mais tubos, podendo se dizer que ganhei o direto de pedir a música parafraseando o artilheiro do Fantástico.



Foram três tubões seguidos um em cada onda que jamais esquecerei. E ali ao final do terceiro tubo tudo o que havia sido gasto de tempo, dinheiro e viagens valeu a pena naquele sorriso de gratidão e satisfação pela absoluta certeza de que vale muito a pena ir em busca de nosso sonhos e concretiza-los.

Na sequência, seguindo o swell fomos, para Macarronis e amanhecemos com um mar mais para Teahupoo do que Mentawai, tamanha era a força e perfeição do mar. Ondas de 10 pés explodindo na rasa bancada de coral do pico de ondas hot dog. Logo transformaram o ar em adrenalina pura. Aos poucos fui me soltando e logo já estava disputando as rainhas da série com minha alma de big rider.

No entanto o local para o drop ali tem que ser no ponto exato, nem mais para dentro e nem mais para fora se não for na marca é vaca na certa, e numa dessas, com o crowd empurrado na disputa, acabei vacando e quase quebrando a minha 6'4"que estava mágica durante toda a viagem. Contudo não desisto facilmente. Voltei no barco, peguei a gunzeira, uma 6'6" encorpada que o meu shaper Cláudio Hennek da Wetwork havia feito para o Hawaii e consegui fazer o drop e pegar um tubaço no qual sai mandando beijinhos aos céus de tanta felicidade.

Dropzao Macaronis. Foto: arquivo pessoal.

Dropzao Macaronis. Foto: arquivo pessoal.



Durante o por do sol e nas noites que se seguiram a amizade do grupo foi se fortalecendo e a Surf Music australiana foi a liga que uniu o grupo, pois os gringos ficaram de bobeira como eu tinha tanta música boa na minha playlist do Iphone, era só sonzeira da Surf Music das antigas. Os laços de amizade foram criados ao som de Concret Blond, Sunnyboys, T.S.O.L, Social Distortion, The Dream Syndicate, Nei Young, Hoodo Gurus, Australian Crawl, SPYxSPY e The Police etc, e muitos goles de Bintangs.

No barco além da maravilhosa tripulação, sem contar o inigualável Robin, haviam mais dois brasileiros, nosso capitão Kadu Maia e o fotógrafo super gente fina Paulo Mendes, o Paulinho, que fez várias imagens alucinantes e o vídeo da trip.

Com o mar subindo pegamos ainda uma das ondas mais cascudas que eu vi quebrar tal de Raga`s Rights, nada mais nada menos que um expresso tubular para a direta que vinha enroscando lá da ponta da ilha e dobrava num canal profundo e azul turquesa abissal dobrando de tamanho e perfeição, mas que no final acabava num poste de coral exposto.

Ninguém do barco se atreveu e eu fui o único que fez às honras da casa, ou melhor do barco, e pude pegar algumas das diretas mais lindas que já vi em minha vida. Aquela imagem da onda formando um muro de ondulação para dentro do profundo canal azul turquesa e indo explodir num expresso tubular nunca sairá da minha mente.

Na noite seguinte, com o vento norte ainda forte, fomos descansar e na manhã seguinte descobrimos o pote de ouro no final do arco íris: Mooths! Uma esquerda perfeita aplainada pelo terra, na confluência de duas ilhas irmãs gêmeas que proporcionava, dependendo da maré, hora sessões tubulares, hora sessões de alta performance, sendo que no primeiro dia em que lá chegamos estava mágico!

Drop em Mooths, Mentawai. Foto: arquivo pessoal.

Drop em Mooths, Mentawai. Foto: arquivo pessoal.



E lá ficamos por quatro dias somente surfando aquelas onda maravilhosas. Hora era sem vento, hora era muito terral, hora era chuva, hora era sol e nessa confluência da natureza surgiu sobre nossas cabeças um belíssimo arco-íris, e então, a lenda do pote de ouro no final o arco íris se fez verdade. Só que o nosso tesouro era líquido e em forma de ondas maravilhosas.

Pegamos muitas ondas até a exaustão. Alguns, como eu, mergulhavam nas hora vagas, outros pescavam saborosos peixes que salvaram o Sashimi e e o Shushi, mas todos sem exceção estávamos muito felizes por podermos estar vivendo o sonho na Indonésia.

Após todos estarem surfadões, voltamos para Macarronis e pegamos o último dia da Boat Trip. Sem brincadeira, esse foi épico, foram 15 tubos em 15 ondas diferentes, sendo que aquilo era uma máquina de tubos! Foram todos os tipos de tubos; profundos, curtos, largos, estreitos, secos, fechados, ocos e enchuveirados, sendo que na minha última onda fui tão longe que quase sai andando por cima dos corais, lá de little Macarronis.

Alguns dirão que não fui em Green Bush, é verdade, meu querido Capitão está me devendo essa, no entanto não esquecerei jamais Mooths e sua perfeição alucinógena. Mas volto com o sentido de que é muito bom poder sonhar e muito melhor quando o sonho se trona realidade.

Portanto, caros amigos, façamos por merecer que nossos sonhos e ideais sejam realidade.

Tremakassi!

Por Christiano Paiva Neves





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