Blog do Rico - Saquarema, o real espírito do Surf

Nesse post Rico de Souza lembra de suas primeiras idas à Saquarema


Conheci Saquarema quando eu era criança, quando eu tinha cerca 15 anos. Foi a rapaziada da pesca submarina, que também gostava de surfar, que descobriu o pico do surf.

Itaúna, Saquarema. Foto: divulgação.

Itaúna, Saquarema. Foto: divulgação.



Eu não tinha carro na época, então ia de carona com os meus amigos Paulette, Marcelo Caneca ou então de ônibus - não tinha moleza.

Era uma viagem longa, já que não havia a ponte Rio-Niterói, então tínhamos de atravessar o carro na balsa e pegar o ônibus até Saquarema. Era realmente uma aventura.

Naqueles tempos não havia nada por lá, então dormíamos na praia no sleeping-bag ou em barracas de camping, em Itaúna.

Também não havia nenhuma preocupação com roubos: deixávamos tudo na praia e nem imaginávamos que poderiam mexer em nossas pranchas. Eram outros tempos, outro mundo.

Itaúna, Saquarema. Foto: divulgação.

Itaúna, Saquarema. Foto: divulgação.



Nessa época, Itaúna não tinha nenhum bar nem restaurante, então caminhávamos até a praia da Vila e comíamos no Bar Marisco, onde tinha um prato feito maravilhoso, principalmente depois de estar horas dentro d'água.

Nos finais de semana todo o nosso grupo viajava para lá e nos divertíamos muito.

Quem gostava de levar um som na praia era o Evandro Mesquita, Otavio Pacheco, Paulo Proenca e seu irmão Zeca Mendigo, que tocavam a noite toda para a galera ao redor das fogueiras.

Os pescadores e os surfistas locais sempre foram muito simpáticos, tínhamos uma relação muito boa, e mais tarde alguns se tornaram excelentes surfistas.

Itaúna, Saquarema. Foto: Pedro Monteiro.

Itaúna, Saquarema. Foto: Pedro Monteiro.



Por volta de 1976 começaram os festivais nacionais de surf, que aconteciam junto com os festivais de música, era loucura total. Jovens de todo o Brasil viajavam para a cidade em um movimento cultural. Durante o evento, cerca de 40 mil pessoas acampavam na praia. Era o WoodStock brasileiro.

Saquarema sempre foi considerada uma das melhores ondas do Brasil, o Maracanã do Surf Brasileiro. Quando o fundo está bom, as direitas tubulares quebram de 0,5 metro até 2 metros e meio, com a ondulação de Sudeste/Leste. Nos dias grandes, as esquerdas quebram perfeitas e pesadas, chegando até 4 metros de altura.

Itaúna, Saquarema. Foto: Carlos Matias.

Itaúna, Saquarema. Foto: Carlos Matias.



Agora a etapa brasileira do mundial da WSL acontece em Saquarema. Sucesso total pela qualidade das ondas e pelo real espírito do surf.

Aloha e boas ondas,

Rico de Souza

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