Blog do Rico - O surfe é mais do que um esporte

Muito importante nunca para de sonhar, conhecer novos picos e fazer novos amigos


Sempre comentamos sobre as performances dos brasileiros nas competições, tanto amadoras quanto profissionais, e na evolução do surfe nacional em termos de profissionalismo. Tudo isso, é claro, faz parte do processo de desenvolvimento do esporte e é extremamente benéfico.

Durante o campeonato de Bell’s Beach 1976 na Austrália: eu,  Barry Kananaiapuni e Randy Rarick, criador do circuito Mundial Profissional e do Pipe Master! História do Surfe! Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.

Durante o campeonato de Bell’s Beach 1976 na Austrália: eu,  Barry Kananaiapuni e Randy Rarick, criador do circuito Mundial Profissional e do Pipe Master! História do Surfe! Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.



Hoje, resolvi abordar um surfe mais romântico e sua pura essência, do nosso esporte tão amado. O que de fato significa o surfe para os surfistas? Tenho certeza de que, mesmo para os campeões mundias, o surfe vai além dos meros resultados. É aquele velho mantra, tão comumente falado entre nós, que surfe não é só um esporte, mas sim, um estilo de vida. Apesar do clichê, é a mais pura verdade. Para quem tem o surfe na alma e no sangue, é exatamente isso.

Boas memórias do Arpoador: dia Clássico no inicio anos 70. Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.

Boas memórias do Arpoador: dia Clássico no inicio anos 70. Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.



O surfe representa a integração homem / natureza, o desafio e principalmente o respeito entre nós, meros mortais, e a força máxima representada pela dinâmica complexa e cosntante dos oceano. E não é só em relação aos sete mares, mas ao clima, os ventos, a lua, a geografia... Nós, surfistas de alma, respiramos surfe 24h por dia. Mesmo distante do mar, estamos atento às previsões e aos movimentos que a natureza faz.

Eu e meu amigo Owl Chapman em Sunset, Hawaii. Grande amizade que começou numa viagem a J-Bay (África do Sul) em 1975. Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.

Eu e meu amigo Owl Chapman em Sunset, Hawaii. Grande amizade que começou numa viagem a J-Bay (África do Sul) em 1975. Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.



Além disso, esse esporte proporciona a exploração de outros lugares. O clímax, inclusive, consiste nas viagens, nas surf trips, seja pro litoral aqui ao lado, seja para explorar novos países e novas culturas. E com essas viagens adquirimos novas experiências , convivemos com pessoas diferentes e aprendemos a harmonizar com pessoas de diferentes culturas, credo ou cor. É uma comunidade internacional que, mesmo sem conhecer uns aos outros, parece se reconhecer quando se encontram com o objetivo de surfar e/ou explorar novos picos.

Eu e meu filho Patrick sempre surfamos juntos. Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.

Eu e meu filho Patrick sempre surfamos juntos. Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.



O surfe proporciona um sentimento de adrenalina, medo, superação, misticismo e euforia. O surfe me proporciona uma paz indescritível, uma paz espiritual que, para mim, é a razão de tudo. É esse sentimento de paz interior, de estar bem comigo mesmo, com meu corpo, com a minha mente e em harmonia com a natureza, que me mantém empolgado como um garoto da nova geração para continuar surfando e descobrindo cada vez mais.

Campeonato mundial Guston 500 na África do Sul em 1983. Aloha e good times! Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.

Campeonato mundial Guston 500 na África do Sul em 1983. Aloha e good times! Foto: arquivo pessoal Rico de Souza.



Mesmo com novos campeões mundiais, mesmo com a nossa torcida para que um brasileiro volte a vencer o circuito, mesmo com as discussões acaloradas que envolvem as polêmicas decisões de baterias no circuito, é fundamental e crucial que tenhamos isso em mente: o surfe é mais do que um esporte; é, sim, de fato, um estilo de vida.

Muito importante nunca para de sonhar, conhecer novos picos e fazer novos amigos

Espírito Aloha!

Rico de Souza.

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