Colunista Gustavo Franck: O boteco do seu Kelly

COLUNISTA


                              

Boteco carioca -  Reprodução da Internet

O boteco do seu Kelly , não há nesse planeta lugar mais outdoor do que o Rio de Janeiro. As milhões de pessoas que aqui vivem quando não estão em função das obrigações diárias, na grande maioria das vezes encontram-se fora de casa, interagindo com as diversas atrações que o maior balneário do mundo lhes proporciona. Praias, trilhas cachoeiras, caminhadas, escaladas etc. etc. etc. E quase sempre essas programações terminam em um bom buteco, outra típica instituição local, também conhecida como pé sujo ou bunda de fora, devido as suas, digamos rústicas condições. Em função disso não faltam casos em que os esforçados pequenos proprietários, na mais pura intenção de dar aquele up no negócio, promovem reformas visando tornar seus ganha-pãos mais atrativos a clientela. Bem, nos meus quase infinitos anos de assíduas visitas aos botequins cariocas pude concluir uma coisa: sempre que se faz obra, ele fica pior do que era antes.

Cachoeira carioca  -  Reprodução da Internet

Toda essa embromação travestida de preâmbulo é para chegar ao seguinte ponto: mexeram na onda da piscina e ela ficou pior. A suspeita surgiu desde o primeiro dia do evento até que uma raposa felpuda presente no local, me confirmou que a configuração da onda era mesmo outra. Assim, ficou claro que o 9.80 de Filipe Toledo no ano passado, quando o surfista voador desferiu nada menos do que três aéreos de uma só vez, não iria se repetir em 2019. Muitas podem ser as razões que levaram a essas alterações (teorias conspiratórias liberadas!), mas o fato é as manobras proporcionadas ficaram ainda mais previsíveis, deixando as diferenciações das performances em um nível de detalhamento extremamente técnico e que certamente passaram despercebidos aos olhos do grande público. Para essa galera, o espetáculo, o entretenimento está nos malabarismos e não no fato do arco ser mais aberto ou fechado. Tiro no pé de quem almeja popularizar seu produto. Mas o que está feito, está feito. E se a onda mudou, o resultado final foi o mesmo: Brasil na cabeça, com direito a dobradinha de Gabriel Medina e Filipe Toledo. De novo. Achei que o atual campeão do mundo sobrou muito na turma. Controlou como quis tanto a esquerda quanto a direita, fez o seu bem feito e ainda se deu ao luxo de esnobar as tentativas extras, tanto na fase classificatória quanto na final.


Filipinho entocado -  Foto: WSL

Em relação a Filipe, mesmo prejudicado pelas dores nas costas e pela falta de rampas nas paredes gordas de Lemoore, conseguiu novamente se sobressair nas direitas, mas mais uma vez ficou abaixo da crítica nas esquerdas. Foi ali que ele perdeu em 2018 e foi ali que ele perdeu em 2019. Se vale a pena correr atrás dessa questão para apenas uma etapa, isso é outra história. Agora ambos estão nas cabeças do ranking, dando a entender que a disputa pelo caneco desse ano vai ser resolvida de forma doméstica mesmo. Jordy Smith, terceiro colocado do CT, já está a 4.500 pontos da liderança e Kolohe Andino, o mais cruzmaltino de todos os estadunidenses, perdeu o fôlego de vez e se dará por satisfeito com a vaga olímpica.

O Tour segue para a reta final, com a perna europeia e a derradeira etapa em Pipe. Com os rumos da taça mais ou menos delineados, as emoções devem ficar por conta da segunda vaga dos Estados Unidos para os jogos de Tóquio. Kelly Slater não pode nem sonhar colocações abaixo do nono lugar em todas elas, senão não ultrapassa John John na pontuação. E ainda precisa levar em conta o fato do havaiano estar tentando voltar para a disputa do último evento e de ter o também havaiano Seth Moniz fungando no seu cangote. Não está fácil a vida do careca... Ato final Foi num 23 de setembro que Robert Nesta Marley subiu ao palco pela última vez.


Capa do clássico -  Foto: reprodução Internet

O show aconteceu em 1980, no início da perna americana da turnê do disco “Uprising”, lançado meses antes. Após essa apresentação o rei do reggae, já tomado pelo câncer, precisou cancelar o resto da agenda, vindo a falecer em 11 de maio do ano seguinte. Aqui mais uma vez se confirmou a teoria de que um ídolo vale muito mais morto do que vivo. Naquele dia, apenas 3.500 espectadores estiveram presentes ao Stanley Theatre, na cidade de Pittsburg, para assistir Bob Marley & The Wailers.

 

Certamente jamais se esquecerão dele. Bob Marley – Tuff Gong Studio Rehearsal 1980 https://youtu.be/nDZ8jnpKzsk

Gustavo Franck 
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