Colunista Gustavo Franck: A Rainha das Direitas

A rainha das direitas, a onda mágica de Jeffreys Bay, a que povoa os sonhos dos regulars.


A rainha das direitas Prezados leitores chegou a hora dela, a onda mágica, a que povoa os sonhos de 11 entre 10 surfistas regulars. Daqui a algumas horas abre-se a janela de disputas da etapa do CT na África do Sul e quando o assunto são as direitas, bem, existe Jeffreys Bay e o resto. Apesar das previsões não serem as mais animadoras para esta primeira semana, vamos torcer por boas condições em algum momento, como as do ano retrasado quando Filipe Toledo reescreveu a forma de se surfar por ali. 

J-Bay - Foto: Alanvan Gysen

Aliás, nos dois últimos anos, não teve pra ninguém. Filipinho é quem manda prender e manda soltar no local. Vitórias avassaladoras, médias altíssimas e surras impiedosas compuseram o cartel do surfista de Ubatuba. Para 2019, além da pressão de manter a supremacia conquistada, um novo desafio se vislumbra: em caso de mais um caneco, será o único verdadeiro tricampeão em J-Bay, ou como dizem os gringos, three fucking years in a row. Mick Fanning, o maior vencedor (2002, 2006, 2014 e 2016), poderia ter conseguido o feito em 2015 quando chegou até a final, mas um tubarão estragou seus planos...

 

Filipinho voando em J-Bay: Foto: WSL

O esquadrão disposto a colocar água na cerveja do brazuca é liderado pelo local Jordy Smith, vencedor em 2010 e 2011 e dono de um potente e encaixado surf em Supertubes. Também coloco nessa lista, Julian Wilson (finalista com Mick, em 2015) e Adriano de Souza, que levou em 2012 e se estiver em boa forma fará frente aos demais adversários, já que vontade não lhe falta. Correndo por fora Conner Coffin (representante da escola e da linha do mestre Tom Curren), Kanoa Higarashi (a.k.a. genérico do Filipinho) e o patrício Frederico Morais, vice em 2017. Alguns elencam também Kelly Slater como postulante. Sinceramente, acho que pra ter alguma chance o highlander dependerá de condições de onda muito específicas e de mais do que boa vontade dos juízes... Aí, é claro que você se pergunta: nenhum goofy??? Bem, se as etapas do tour andam um tormento pra turma que surfa com o pé direito na frente, J-Bay é a cereja do bolo. Uma solitária vitória compõe o histórico, de Mark Occhilupo então com 17 anos, na estreia em 1984. Depois disso, neca de pitibiriba. Ou seja, jejum maior do que o da seleção argentina e até mesmo que o do Vasco, em finais contra o Mengão.

             

Pôster com Occy na página central  - reprodução internet/ZigZag

Mas se tem alguém capaz de quebrar a escrita, ele atende pelo nome de Gabriel Medina. Junto com Ítalo um dos melhores backsides do tour, Medina tem um surf que se encaixa no tipo de onda que J-Bay proporciona, rápida e que precisa ser surfada pra frente em diversos momentos. Ano após ano está mais lapidado para o pico, tanto que em 2017 chegou até a semis e no ano passado foi parado apenas pelo imparável Filipe. Mas fez jogo duro. Apesar da inegável qualidade das ondas, a história de J-Bay na elite é cheia de idas e vindas. Uma etapa solidária em 1984 seguida por anos de boicote e banimento, em razão da política racista então vigente no país. Astros como Tom Carrol, Tom Curren e mesmo o local Martin Potter recusavam-se a competir na África do Sul. Voltou ao calendário em 1993 como QS e do CT entre 1996 e 2011, quando novamente pulou fora, sendo QS em 2012, por questões de patrocínio. Retornou em 2013 (torçamos que não saia mais!) e no ano passado também voltou a ser disputada pelas meninas, depois de um hiato de 18 anos. 

J-BAY -  https://youtu.be/a8VYlggE-Bg

 Tom Curren sempre em sintonia com a majestade J-Bay - Foto: Muller  

Mudando de bicicleta pra melancia -  Há exatamente 72 anos o jornal Roswell Daily Record noticiava em sua capa a queda e captura de um disco voador na região. O incidente mais famoso na história dos OVNIs e extraterrestres foi prontamente desmentido, mas o estrago já estava feito. Até hoje, só o governo estadunidense acredita na estória em que contou e que tornou versão oficial a fórceps.O fato é que casos como o de Roswell influenciaram as artes e a música jamais poderia ficar de fora. O ícone maior desse flerte interplanetário sem dúvida é a obra-prima de David Bowie, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, lançado em junho de 1972.

A capa do famoso "Caso Roswell"

O disco (sem trocadilho) capitaneado pelo hit “Starman” é um legítimo representante dos chamados trabalhos conceito, onde há uma conexão entre as temáticas e abordagens das canções. “Starman” também encabeça a lista do site Ultimate Classic Rock com canções que têm discos voadores como tema. Aliás, uma lista de responsa e que conta com “It came out of the sky” (Creedence Clearwater Revival), “Arriving UFO” (Yes), “Zero zero UFO” (Ramones), “Mr. Spaceman” (The Byrds) e “I’ve seen the saucers” (Elton John). Que viagem...

A capa do clássico

Starman https://youtu.be/sI66hcu9fIs Mr. Spaceman https://youtu.be/fzkU_ckRXHY It came out of the sky https://youtu.be/VuPtOtGF4TY

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