Críticas ao tow in no meio da galera na Barra da Tijuca

Especialistas na atividade, Carlos Burle e Alemão de Maresias, reprovam atitude


Quem surfa na Barra da Tijuca sabe que quando as ondas chegam aos 2m fica bem complicado surfar na remada. Não pelo tamanho das ondas, e sim pela dificuldade em varar a arrebentação. É nessas horas que a galera do tow in parte para o treino. Porém, quem surfa frequentemente nessa praia, principalmente entre os postos 5 e 8, têm visto essa prática ser adotada em ondas de apenas 1m, e o pior, com duplas de surfistas e pilotos passando próximos de surfistas no outside e até “roubando” ondas deles com a ajuda da máquina.

Tow in na Barra da Tijuca. Frame.

Tow in na Barra da Tijuca. Frame.



Na manhã deste sábado o Presidente da Federação de Surf do Rio de Janeiro, Guilherme Aguiar, usou sua conta pessoal no Facebook para criticar esse mau comportamento. “Se o cara curte praticar town-in na marola ou se é um big-rider treinando para os dias maiores, não importa. A questão é praticar tow in perto ou no mesmo pico de outros surfistas que estão remando”.

Confira abaixo o vídeo publicado por e ele e leia todo o post:



"O que você acha da prática de tow in em ondas de 1 metro no meio do crowd? Sinceramente, eu acho um absurdo!

Estas imagens foram gravadas na última sexta-feira (16/Fev/2018) entre os Posto 6 e 7 do GMar na Barra da Tijuca, e apenas ilustram (sem querer apontar o dedo pra ninguém) o que tem acontecido ultimamente: a prática de tow in no meio do crowd em dias com ondas de 1 metro ou um pouco mais.

Em um outro dia, neste mesmo mês, surfando em frente ao Posto 7 com ondas de ‘1 metrão’, a maioria fechando, a melhor onda do dia (uma das únicas da série que abriu) veio pra mim na minha vez. Não é que o jet ski veio acelerando tudo lá de longe e jogou o seu parceiro na onda, roubando-a de mim e de todos que estavam esperando pacientemente na fila? Depois eles saíram acelerando na maior cara-de-pau, e foram pegar outra boa no pico do lado, deixando pra gente a fumaça, o barulho, e o forte cheiro de gasolina do seu motor. Além, é claro, de bagunçar o nosso line-up por um bom tempo com a turbulência do motor.

Se o cara curte praticar tow in na marola ou se é um big rider treinando para os dias maiores, não importa. A questão é praticar tow in perto ou no mesmo pico de outros surfistas que estão remando. Isso foi condenado pelos criadores do esporte no início da década de 90 (para surfar ondas gigantes que não conseguiam entrar remando, diga-se de passagem) e continua atual para a grande maioria da comunidade surfística por motivos óbvios: primeiro que o jet pode atropelar um surfista ou banhista que esteja no seu caminho enquanto acelera para colocar o seu parceiro na onda, ou para resgatá-lo. Segundo que o tow in oferece uma disputa desleal pelas ondas contra aqueles que estão remando. E terceiro que o jet perturba o ambiente com o barulho do motor e o cheiro de gasolina, além de deixar o line-up turbulento por um bom tempo.

Claro que há duplas de tow in conscientes, que não chegam perto dos surfistas remando e dos banhistas em hipótese alguma. O problema é que se for permitido para um, daqui a pouco teremos 10, 20 duplas, e algumas destas integradas por verdadeiros babacas que não respeitam nada e nem ninguém.

Temos de cobrar da Capitania dos Portos que fiscalize esta prática ilegal na orla carioca, pois é proibido embarcação a menos de 200 metros da praia. Antes que seja tarde demais...".

Ao Ricosurf Guilherme falou: “Quero deixar claro que não sou contra o esporte tow in, sou contra a prática no meio do crowd. Tenho o maior respeito por quem faz tow in nas lajes e em ondas realmente grandes. Isso eu admiro. O que não dá para aceitar é o tow in no meio do crowd em ondas pequenas”.

O vice-presidente da FESERJ, o ex-top CT Guilherme Herdy, escreveu um comentário no post de Guilherme. “Praticar sem ninguém e até compreensível, pois aprender tem mesmo que ser em dia pequeno, porém em lugar deserto! É inacreditável isso acontecer, é óbvio que onde tem surfista nao deve ter jet! Mesmo quando se tem ondas gigantes quando tem surfistas na remada se para no mesmo instante o tow in. Apenas se usa jet para resgatar! Lamentável essas cenas! Cuidado!”.

Outro surfista carioca, Jéferson Coêlho, também não gostou do que viu num dia deste mês de fevereiro na Barra. “No domingo, dia 4 deste mês, eu estava tendo aula de surf em frente ao Golden Green. O mar tinha 1 metrão com uma série ou outra de 1,5m, então ficamos no inside, mas tinham vários surfistas no outside. Num determinado momento notei uma prancha sozinha perto da gente, então logo veio uma pessoa num jet ski para pegá-la. Ele passou do meu lado, buscou a prancha e voltou para o outside, onde ficou transitando no meio dos outros surfistas que ali estavam. Fiquei totalmente desconfortável depois disso, porque achei muito perigosa a situação que se criava a cada onda surfada pelo cara que estava de tow in. Até onde eu sei, transitar com uma moto aquática tão próximo das pessoas na água é proibido ” , nos contou Jéferson Coêlho (veja as normas da ICETRAN abaixo).

Como Guilherme lembrou, existem duplas conscientes e na Barra as vezes treinam grandes nomes da modalidade, como Carlos Burle e Alemão de Maresias. Para Burle a regra é clara: “A regra é bem clara: onde tem surfista remando, independente até do tamanho, não pode ter o jet ski, a não ser que os surfistas que estivererm remando estejam de acordo com a presença do jet ski pra segurança ou até pro tow in. Infelizmente isso tem acontecido no Rio de Janeiro, e eu acho de uma péssima educação das pessoas que têm o jet ski e o usam pra pegar onda chegarem do lado, ou perto, ou até mesmo na área de quem está praticando surf na remada. Horrível isso. Um péssimo exemplo. Isso não deveria aontecer. Se não tiver ninguém na água, se não tiver ninguém perto, se não atrapalhar,  tudo bem. Quando você não está atrapalhando os outros, quando você não está entrando na vida do outro, você pode assumir a responsabilidade dos seus atos. Agora o seu direito acaba quando o direito do outro começa. É claro isso. Não é questão de ser a favor ou contra, é uma questão de respeito. A regra é bem clara em relação a isso”, disse à equipe do Ricosurf o ídolo Carlos Burle.

Alemão de Maresias também criticou a atitude. “Seguindo o post do Presidente da Feserj, eu acho que ele está coberto de razão. Uma das regras básicas do tow in é: onde há surfistas numa bancada a dupla do jet ski (surfista e piloto) deve se mover para uma outra bancada. Além disso ela deve respeitar os surfistas que estão na remada. A gente sabe os riscos que a máquina oferece e muitas vezes quem não pratica o tow in não tem esse mesmo conhecimento. Quando passa dos limites, é importante ressaltar que o jet ski tem nome e número e as pessoas devem ser identificadas e advertidas pelo o que ele estão fazendo. Essa é uma forma da gente regularizar e colocar ordem no lugar. Essa é uma das minhas sugestões. Então fica aí meu recado ao pessoal do tow in e ao pessoal do surf em geral”, falou Alemão de Maresias.

Segundo o ICETRAN (Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e Transporte) as normas para quem usa o jet ski são as seguintes:

  • Todos as pessoas em jet ski precisam usar coletes salva-vidas devidamente homologados, em quantidade igual ou superior ao número de pessoas na embarcação;
  • Apenas motos aquáticas (com três lugares) têm permissão para rebocar dispositivos aquáticos de diversão, como pranchas e boias;
  • Não se pode conduzir jetskis com crianças posicionadas a frente do condutor;
  • A distância limite para se navegar com jetski é a 200 metros da orla da praia;
  • É permitido o desembarque de jet ski em praias, porém a aproximação deve ser perpendicular à orla e a velocidade não pode ultrapassar 3 nós (5,5 km/h) e
  • Jetskis só podem ser ancorados a partir de 50 metros de distância da areia.


O Disque Denúncia da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro funciona pelos números (21) 2104-5480 / 98218-6968.

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