CT Snapper 2019 - Ítalo Ferreira domina Dbah e é campeão na Gold Coast

Brasileiro passa por baterias equilibradas e apertadas, a mais emocionante delas na final, e sai na frente na temporada do CT 2019


Ítalo Ferreira vira bateria nos segundos finais e conquista o título da primeira etapa do Championship Tour (CT) 2019. No útlimo dia do evento, novamente em Duranbah, Ítalo passou por Wade Carmichael, Jordy Smith e, na grande decisão, Kolohe Andino. Gabriel Medina perdeu para Jordy nas quartas, finalizando na 5ª colocação, na Gold Coast, Austrália. 


Ítalo Ferreira usou suas armas letais para levar o título em Dbah. Foto: WSL / Cestari.

A bateria foi eletrizante e tensa. Mais uma vez com muito equilíbiro, tônica do que foi o dia, a final foi outra disputa decidida aos 45 do segundo tempo. Com alternâncias de liderança ao longo do tempo regulamentar, Ítalo ficou atrás do placar da metade para o final da bateria.

O potiguar precisava de 6.93 e, faltando pouco menos de dois minutos para o fim, conseguiu transformar uma onda aparentemente sem potencial em sua principal onda do campoanato. Recebeu 7.07 quando já  estava na areia da praia e foi cercado pelos milhares de brasileiros que invadiram, mais uma vez, a Gold Coast Australiana.

INÍCIO DAS AÇÕES - O último e decisivo dia da primeira etapa do Championship Tour 2019 teve início às 6h30, no horário local da Gold Coast, mais uma vez no beachbreak de Duranbah.

Dessa vez o vento sul, que ajuda a formar as boas rampas de esquerda, ótimas para os goofy footers, não apareceu. Em seu lugar, soprava uma brisa de quadrante norte, favorecendo as direitas, que acabaram dando o ritmo do derradeiro dia na Gold Coast.

John John Florence e Conner Coffin abriram os duelos com o sol nascente incomodando a vista de ambos. O bicampeão mundial começou na frente e parecia que iria dominar o heat. Mas não foi o que aconteceu. Quando estava com a prioridade, deixou uma boa direita passar e Conner aproveitou a chance. Fez sua maior nota e virou a bateria.


John John começou solto no início da manhã, em Dbah. Foto: WSL / Cestari.

Daí em diante o havaiano abusou dos erros nos aéreos, tendo caído em três tentativas seguidas (algo que não é de seu feitio), e ficou em uma situação tensa nos minutos finais. Precisando de um 5.04, JJF pegou uma direita faltando 2 minutos para o fim, recebeu um 6.33 e voltou a liderar.

Logo na sequência da onda de John, Conner achou uma outra boa direitinha, acelerou e mandou um "layback power hack" na junção da onda e deixou tudo nas mãos dos juízes. Neste momento, o norte-americano precisava de 5 alto, mas recebeu um 4.53 e deu adeus às disputas.

Na 2ª bateria do dia, Seth Moniz e e Kolohe Andino foram à caça das ondas em Dbah, que ainda estavam confusas e não tão fácil de serem encontradas.

Moniz, em sua 1ª onda, já deu uma mostra de como seria dali em diante. Arriscou um aéreo full rotation muito bizarro, com muita altura, mas, por muito pouco, não conseguiu voltar.

Andino também foi para o progressivo e começou na frente e botando pressão. Fez notas 6.60 e 4.17 e jogou o problema para o havaiano. Mas Seth conseguiu acertar em sua 2ª tentativa, em um aéreo mais baixo do que o tentado anteriormente, mas com um giro muito rápido, completando de forma limpa a manobra. Os juizes gostaram e lhe deram 6.77, colocando o estreante do ano de volta na briga.

Na sequência Andino voltou a liderança com um 4.73. Mas foi apenas por um curto momento. Seth achou outra direitinha, recebeu 4.70 e, por uma diferença muito pequena, foi novamente para a 1ª colocação.

Só que o havaiano deixou o experiente e perigoso Kolohe solto e à vontade. Andino teve algumas tentativas, até conseguir, em um belo aéreo de frontside, uma nota 5.73, sem a prioridade, para virar o confronto e deixar o havaiano jogando água para o alto por ter "facilitado" o trabalho de Kolohe, que avançou às semis para encarar John John.


Kolohe abrindo caminho para a final. Foto: WSL / Cestari.

Medina x Jordy Smith - O nosso bicampão mundial foi para a água por volta das 7h30 (horário australiano) para duelar com o sempre arisco Jordy Smith.

Nos primeiros 15 minutos de bateria praticamente apenas Jordy Smith havia surfado. O sul-africano já tinha notas 4.17 e 5.67, enquanto Medina tinha apenas um 0.43 e um 2.60.

O mar não estava fácil para os goofys naquele momento. Aparentemente, além da escassez de esquerdas, as ondas estava com menos energia do que nos dias anteriores.

Sem a prioriedade, faltando 10 minutos, Medina conseguiu achar uma curta esquerda. Fabricou um aéreo numa onda que não parecia ser boa, e arrancou um 4.23, ficando precisando de apenas 5.62.

A três minutos do fim, Medina, já com a prioridade, achou uma outra direita. Dessa vez um pouco mais longa. Aplicou uma batida inicial, e finalizou com um aéreo 360, mas sem muita amplitude e velocidade. A nota veio abaixo do que precisava, um 5,00 pontos, continuando, assim, em 2º lugar na bateria.

Só que quando faltavam apenas 70 segundos para o fim, Jordy pegou uma boa direita, iniciou com um belo Alley-Oop e finalizou com uma poderosa batida na junção para conseguir 7.50 e selar sua vitória em cima do bicampeão mundial, Gabriel Medina.

"Ontem estava muito divertido. Surfei em dbah e peguei boas ondas, mas eles quiseram rodar em Snapper, fazer o que.", falou Medina depois da derrota, alfinetando o day off do dia anterior e a intenção fracassada da WSL em colocar as finais em Snapper.


Jordy Smith mostrou-se em forma na abertura da temporada. Foto: WSL / Cestari.


Quartas de final - heat 4: Ítalo Ferreira x Wade Carmichael - Logo nos primeiro minutos de bateria, Ítalo conseguiu achar uma esquerda um pouco mais longa e aplicou duas fortes manobras para começar os trabalhos com um 5.50.

Após tentar, sem sucesso, alguns aéreos de backside, Ítalo achou uma bela direita e soltou as patadas. Assim como em sua primeira onda, o potiguar não foi pelos ares. Porém, mesmo assim, fez uma boa nota: 5.57.

Faltando 15 minutos para o término, Wade não havia pegado nenhuma onda. Quando finalmente o "homem das cavernas" australiano resolveu remar na sua, mandou três manobras de frontside e entrou na briga com um 5.20.


Ítalo teve que diversificar seu jogo e não teve vida fácil. Foto: WSL / Cestari.

Ítalo ainda não havia conseguido soltar de fato seu surfe e, assim como foi na bateria contra o Panda, passou por tensos momentos. O brasileiro parecia nervoso, errou muito mais do que de costume. Teve algumas chances de acertar o conhecido aéreo de backside, mas acabou errando em todos - algo que não é comum.

Por sorte as ondas demoraram a aparecer e Wade não teve como reagir. Ítalo venceu O brasileiro seguiu vivo na briga, e saiu do mar já com a cabeça em Jordy Smith, seu próximo adversário.

Ao fim das quartas de final do masculino, as mulheres entraram em ação e os homens tiveram um break de (tanto tempo) até retornarem à água.

SEMIFINAIS MASCULINO

JOHN JOHN X ANDINO - No retorno do Quiksilver Pro, Kolohe Andino e John John foram para a água decidir quem seria o primeiro finalista do ano.

John começou arriscando em uma onda intermediária, mandou um pequeno 360 de início e finalizou forte na junção. Recebeu 4.33 e começou a marcar pontos contra o norte-americano e amigo, Kolohe Andino.

Os 10 primeiro minutos passavam, Kolehe tinha apenas um 1.43. John estava com a prioridade e pegou uma linda direita, umas das mais bonitas até então. Mandou uma manobra passando, aproveitou a energia da onda e tentou, sem sucesso, um Aley-Oop. Oportunidade perdida para John, prioridade para Andino.

Aos 15 minutos, após pouca coisa acontecer, John foi em outra direita, começou com um bom full rotation, rasgou na sequência, mas a onda morreu ali. Mas foi o suficiente para, com uma nota 4.63, fez sua melhor nota e aumentou sobre Kolohe.

Aos 12 do fim, Andino reagiu com um 4.23, ficando na obrigação de conseguir, no mínimo, uma nota 4.73.

JJF estava com a prioridade, mas foi Kolohe quem pegou uma direita balançada, mas que o permitiu executar três boas manobras e, faltando apenas seis minutos para o término, lhe rendeu uma nota 5,00, o levando direto para a liderança.

John, naquele momento, precisava de apenas um 4.61 para voltar à 1ª posição.

O tempo passava, a pressão aumentava, e o horizonte parecia não ajudar o havaiano.COm cinco segundo para o fim, John foi numa pequena direita que armou a rampa, mas o bicampeão mundial não conseguiu completar a manobra e foi eliminado do evento, saindo na 3ª colocação, com 6.085 pontos.

ÍTALO FERREIRA X JORDY SMITH - Ítalo começou forte a segunda semifinal em Dbah. Mandou um lindo aéreo de backside e recebeu um 7.33. Só que aí o sul-africano despertou para os voos (algo que não vinha acontecendo muito nesta etapa) e botou muita pressão do brasileiro.

Com notas 8.67, num aéreo sinistro de frontside, e um 6,00 numa outra boa direita, Smith com apenas 10 minutos de bateria, já fazia ali o melhor somatório do dia até aquele instante.

O potiguar teve que mostrar o seu melhor. Pouco depois Ítalo mandou outros de seus conhecidos aéreos full rotation de backside, recebeu 8,00 pontos dos juízes, e assumiu a liderança.

Jordy, aos 12 minutos do término, estava a dependência de um 6.66 (|_|) para chegar à final na Gold Coast e o brasileiro começou a arriscar tudo o que tinha e a caçar todas as ondas que apareciam

Com cinco minutos restantes no relógio, Ítalo, sem a prioridade, pegou uma direita que não parecia ser nada demais. De fato, a onda não foi boa, mas Ítalo foi criativo e habilidoso o suficiente para fazer dois 360 quase sem espaço algum. Mas a onda não convenceu os juízes, que lhe deram um 6.87, mantendo a situação da bateria inalterável.

Para alívio do brasileiro, o mar resolveu cooperar nos minutos finais. As ondas pararam de vir e Jordy nada pode fazer. Após um duro e super equilibrado (mais outro!) duelo, Ítalo levou o Brasil à final.

GRANDE FINAL: ÍTALO X KOLOHE - A bateria decisiva começou com os surfistas trocando notas regulares, na casa dos 5,00 pontos. O mar já estava bastante prejudicado pelo maral, mas ainda assim havia boas opotunidades no lineup de Duranbah.

Ítalo levava certa vantagem, mas ambos estavam praticamente empatados -`Ítalo com 5.50 e Kolohe com 5.43.

Aos 20 minutos da buzina soar, o norte-americano conseguiu abrir vantagem com um 5.93, a maior nota da bateria até aquele momento.

Ambos os atletas acostumados com esse tipo de condição, a bateria estava mais do que em aberto.

Poucos minutos depois, Ítalo achou uma direita, mandou aquela rabetada giratória na boca da onda, e linkou, não táo limpo assim, com uma potente rasagada. Ele precisava de um 5.87, mas acabou recebendo um 5.23, o que não mudava em nada sua situação.

Restavam 15 minutos e mais uma vez, assim como foi em praticamente todas as baterias do última dia em Dbah, a bateria estava bastante equilibrada e indefinida.

Kolohe conseguiu aumentar a vantagem em uma onda de apenas uma manobra, um bom aéreo 360, que lhe rendeu 6,50 pontos. Com isso ìtalo passava a precisar de um 6.93, faltando 9 minutos para terminar.

O potiguar estava com a prioridade e preferiu deixar Kolohe sozinho em busca das ondas, e esperou no local que aparentemente estavam as melhores rampas.

Com pouco mais de 5 minutos na contagem,`Ítalo pegou ma direita meio bagunçada, tentou inovar, mas não convenceu os juízes. Ficou apenas com 4.63, e seguia na caça de Kolohe, precisando dos mesmos 6.93, só que agpra sem a prioridade.

Com o norte-americano fungando em seu cangote, Ítalo conseguiu potencializar uma onda que aparentemente não ofereceria nada de bom. Mandou um full rotation limpo e veloz, aterrisando no flat da onda e, faltando apenas pouco mais de um minuto, ficou nas mãos dos juízes.

Seria aquela única manobra um 6.93? Tempo correndo, tensão aumentando e mais uma bateria seria decidida nos segundos finais.

E foi com o potiguar já nas areias de Dbah, que os juízes anunciaram o 7.007, o suficiente para levar Ítalo Ferreira ao título do Quiksilver Pro Gold Coast, dominando o outside de Duranbah.

Vitória emocionante e que coloca o brasileiro na 1ª colocação do ranking mundial.


Ítalo vai pra galera (ou teria sido o oposto?). Foto: WSL / Cestari.


"Foi inacreditavel. Eu treinei muito nos últimos três meses. O ano está apenas começando. Vamos pra cima!", falou um ainda pilhado Ítalo Ferreira.

A próxima etapa acontece na icônica onda de Bells Beach, entre os dias 17 e 27 de abril.

Resultado do CT Snapper 2019:

1 - Ítalo Ferreira (BRA)
2 - Kolohe Andino (EUA)
3 - John John Florence (HAV)
3 - Jordy Smith (AFS)
5 - Gabriel Medina (BRA)
5 - Wade Carmichael (AUS)
5 - Conner Coffin (EUA)
5 - Seth Moniz (HAV)

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