Entrevista - Eric de Souza atrás das bombas mexicanas

Carioca vai à Puerto Escondido após monitorar big swell para o pico


O carioca Eric de Souza, reconhecido tuberider brasileiro, não nega seu gosto pelos grandes tubos mundo afora. O cara é um verdadeiro "Barrel Hunting" e está sempre em busca das melhores e maiores cracas por aí.


Eric em Puerto Escondido antes de encarar as bombas. Foto: Igor Hossman

O freesurfer, que tem patrocínio principal da @penaoficial, co-patrocíno da @arnette e conta com apoio do restaurante @rayzrecreio, rumou para o México na semana passada, após receber a informação do mega swell que estava pra chegar em Puerto Escondido - swell, inclusive, que fez ligar o alerta para a primeira etapa do Big Wave Tour (BWT), que rola no pico.

"Na quarta (05/07) embarquei para o México; na quinta tive um dos melhores dias de surf da minha vida e na sexta acho que peguei o maior tubo da vida. Então já nos dois primeiros dias de México, devo ter tido provavelmente umas das melhores 48h da minha vida em termos de surf."


De Souza já de olho no tubo. Foto / frame: Igor Hossman


Normalmente, nesse período do ano, Eric passa seus dias na Indonésia, espécie de segunda casa do carioca, nas famosas e perfeitas ondas do maior arquipélago do mundo. Mas, dessa vez, o atleta de 29 anos decidiu mudar o destino e partiu na missão de surfar essa grande ondulação que estava por vir e pegar umas ondas diferentes do que estava acostumado.

Batemos um papo breve com Eric, que nos falou sobre essa trip, que é apenas a sua segunda para o México, e seus objetivos para o restante da temporada.


No 2º dia da trip, Eric de Souza pegou um dos maiores tubos da vida. Foto: Igor Hossman

Confira a entrevista:

Iuri Corsini - Qual o objetivo principal dessa trip?

Eric de Souza - Já estava há um bom tempo treinando, pegando algumas ondas pelo Brasil e estava só observando as ondulações em alguns picos. Quase fui pra Indonésia nesse último swell, mas resolvi esperar. E aí surgiu essa ondulação no México, que inclusive teve a chamada do BWT. Eu já estava com muita vontade de ir à Puerto Escondido, ter uma experiência dessa em ondas maiores, tubos grandes, usar outros tipos de pranchas também. É diferente do que temos na Indonésia, um outro tipo de surf. Então basicamente meu único objetivo foi de pegar bons e grandes tubos, aproveitando esse swell que estava marcado pra entrar.

É a sua primeira trip para o México?

Na verdade é a segunda. Já vim pra cá há oito anos atrás.

E como foi naquela ocasião?

Foi uma época em que eu estava sem patrocínio, havia acabado de ganhar o QS, perdi o meu patrocinador e resolvi viajar para treinar. Fiquei apaixonado pelas ondas daqui, mas de certa forma percebi que eu precisava aprimorar bastante a minha técnica. Logo depois dessa trip, fui para o Tahiti com o Tojal e a galera. 



Como você analisa hoje a importância dessas viagens?


Essas duas viagens alavancaram meu surf e foi aí que eu comecei a querer buscar ondas perfeitas e me divertir com meus amigos ao invés de viajar atrás de competições. E isso foi um vício; um vício que eu não consegui largar nunca mais. Além disso, essas viagens que eu fiz há 8 anos me ensinaram que eu tinha que aprimorar muito meu surf de ondas grandes, ondas perfeitas, tubulares... ondas de verdade, ondas que a gente não tem no Brasil e que eram meu sonho surfar. Não queria ser surfista de beach breeak, de campeonato de ondas pequenas. Queria me sentir a vontdade em qualquer condição de mar. De 2 a 20 pés eu queria me sentir confortável. 

E como foi a preparação para essa viagem?

Surfei bastante no Rio. Antes da viagem pro México peguei uma boa ondulação no Shock (laje em Niterói). Acabou que nessa sessão não peguei muita onda boa, mas tomei uma vaca muito sinistra numa onda de tamanho e que serviu para abrir bem o pulmão (risos). Logo em seguida, treinei no Alfabarra com ondas de 1,5 metro, bem fechadeira, mas foi muito bom pra poder andar bastante por dentro dos tubos do Alfa. Fui à portugal meses atrás e essa trip me deu uma base de ondas grandes muito boa; um lugar frio, e que deu uma graduada na faixa (risos).


Primeiro dia da trip. Nada a reclamar... Foto: Igor Hossman

Qual quiver você levou?

Um pouco diferente. Pranchas maiores e algumas emprestadas. Pranchas de 5.9 a 5.10 que pretendo usar em algumas ondas que quero ir no Sul do México. Estou com uma 5.9 para as marolas e uma 5.10 um pouco maior e mais volumosa, uma outra 5.10 quadriquilha para ondas tubulares. Além dessas mais intermediárias, trouxe também pranchas 6.1; 6.6; 6.8; 7.6 e uma 8.8, que peguei emprestada do Gordo.


Que tamanho tinha essa morra? Foto / frame: Igor Hossman


E para o restante do ano, o que você tem planejado?

O objetivo no ano é basicamente correr atrás dessas ondas, pegar bons e grandes tubos. Sempre atento aos swells que estão rolando. Pretendo ir para a Indonésia ainda nesse ano, coisa que normalmente faço. Mas dessa vez optei por vir primeiro ao México.

Agora falando de competições; você tem alguma em vista?

Atualmente não tenho nenhuma competição em vista. A última competição que eu participei foi o El Quemao Class, em Lanzarote, campeonato para convidados que acontece nas Ilhas Canárias. Seria muito bom poder competir. Eu gosto muito; mas em ondas perfeitas. Acho que eu não conseguiria trocar essas ondas, esses tubos, essa vida para competir no QS, surfando um monte de mar ruim. Mas se fosse competir, queria onda boa! (risos)

Tem alguma vontade de participar do Big Wave Tour, o BWT?

Se me perguntar se eu tenho intenção de entrar no BWT... atualmente eu acho que não. Eu gosto muito de tubo. Mesmo com uma onda muito grande, se eu perceber que vai rodar e o drop sendo minimamente possível, eu perco um pouco do medo de encarar aquela morra, pensado apenas naquele tubo. O tubo é algo muito bom e eu penso logo na sensação de pegar um longo e profundo barrel. Então isso meio que tira um pouco da pressão e eu só foco naquilo. Quando eu estou no meio da onda é que eu vejo realmente o tamanho da encrenca que eu me meti (risos). Ao perceber que a onda vai rodar, perco o medo momentanemente e me dá vontade de remar na onda, independente do tamanho. Então teoricamente eu não penso em pegar as maiores ondas do mundo ou ser o melhor big rider; vejo que o que eu penso mesmo é pegar os melhores e maiores tubos possíveis e me divertir mesmo... Se isso acontecer (competir no BWT), vai ser uma consequência e não um objetivo atual.


Recompensa garantida nesse expresso de Puerto Escondido. Foto: Igor Hossman



Eric continua no México pegando todas as bombas que estão chegando. O atleta atualmente está em Puerto Escondio, mas em breve vai rumar para o Sul mexicano atrás de outras ondas, e, claro, outros tantos tubos.

Comentários