Gerson Filho - O surfista profissional como gerador de conteúdo

“...entre vários outros que tornaram-se formadores opinião e não precisam passar uma bateria sequer para renovarem e conseguirem seus patrocínios!”


Quem é o surfista profissional de hoje? Difícil definir. Mas temos uma certeza: é bem diferente dos que despontaram no início do surfe competição, quando um talento bruto atropelava todos dentro da água e este cara era, por merecimento, considerado “O melhor”. Sem dúvidas a habilidade e talento são indispensáveis. Unido a astúcia nas estratégias de bateria, o foco, a força de vontade, são fatores preponderantes para qualquer carreira de sucesso. Mas atualmente esses não são necessariamente os principais diferenciais de um surfista - principalmente quando ele almeja ter o surf como meio de vida a longo prazo.

Marina Werneck já foi competidora, mas atualmente é uma freesurfer. Foto: divulgação.

Marina Werneck já foi competidora, mas atualmente é uma freesurfer. Foto: divulgação.



Parece chover no molhado - e até é - mas com o advento das novas tecnologias, o caminho para se chegar a uma carreira profissional, rentável, respeitável e concreta, passa por vários aspectos que estão bem longe das ondas, da maresia e da parafina. As possibilidades de geração de conteúdo, ou "Storytelling" hoje são o tesouro visto pelas empresas mais antenadas - como um dos principais focos em suas contratações.

Já foi percebido que um surfista influencia potenciais consumidores por fatores que vão muito além uma manobra bem feita, um título... ou até mesmo uma foto publicada em uma revista especializada. Os departamentos de marketing não podem sequer sonhar em acreditar que o chamado “retorno” ou “entrega”, na linguagem mais marketeira, venha somente através das maneiras até hoje mensuradas: a competição, o pódio, os destaques por conta de sua performance como competidor como um todo.

Felipe "Gordo" Cesarano tem uma linha de roupas que leva seu nome. Foto: Pedro Yasbek.

Felipe "Gordo" Cesarano tem uma linha de roupas que leva seu nome. Foto: Pedro Yasbek.



Sem desmerecer as vitórias de ninguém, por favor! O que estou dizendo é: a capacidade de disseminação de conteúdo através de ações em mídias sociais, projetos de áudio visual entre outros faz a diferença entre homens e meninos. Para uma comparação básica entre os surfistas mais bem sucedidos em termos de valoração de sua imagem, temos exemplos que provavelmente se dependessem das competições para chegarem aonde estão, dificilmente conseguiriam.

Não deixemos de reverenciar os Toledo, Mineiro, Pupo, Medina, Ítalo... todos exemplos de carreiras bem sucedidas construídas através de muita ralação, desde os disputadíssimos circuitos amadores nacionais, e que chegaram ao top do surfe devido ao seu talento. Entretanto, a falta de competições bem estruturadas como o saudoso circuito Super Surf, abriu uma lacuna que foi muito bem aproveitada por nomes como Felipe “Gordo” Cesarano (tem uma linha de roupas com seu nome), Pedro Scooby (é referência da Nike/Hurley), Diego Silva, Gabriel Pastori, Biel Garcia, Caio e Ian Vaz, Marcelo Trekinho, Gabriel Pastori, Eric de Souza, Pato, Mancusy, Burle, Marina Werneck, entre vários outros que tornaram-se formadores opinião e não precisam passar uma bateria sequer para renovarem e conseguirem seus patrocínios!

Gabriel Pastori. Foto: divulgação.

Gabriel Pastori. Foto: divulgação.



Os profissionais da década de 1980 devem ficar se perguntando: como assim?! No auge dos 80's ter sucesso na carreira de surfista profissional passava por uma publicação nas páginas da Fluir, Hardcore, Inside, entre outras que fizeram e fazem história até hoje. Mas a realidade atual mostra que saber trabalhar a imagem, saber ler e escrever corretamente (muitos atletas são semi analfabetos) é de suma importância para representar uma empresa. Fora do país as marcas já perceberam isso há muito tempo. Alguns exemplos de atletas que poucas vezes vestiram uma camisa de competição estão e aí representando: Rasta, Natan Fletcher, Laird Hamilton, JOB, e por aí vai...

Hoje o patrocínio é uma troca de informações que levou a relação patrocinado x patrocinador a um outro patamar.

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