Iuri Corsini - Saquarema Feelings: a mística e uma visão além do campeonato

O que não se vê no ao vivo e não se sabe por resultados


Cheguei em Saquarema apenas na noite de sexta-feira (11) e, portanto, perdi o primeiro dia de competição do Oi Rio Pro 2018, onde as meninas tiveram que caçar as difíceis ondas de Itaúna.

No sábado, quando finalmente cheguei à área do palanque, o clima que vi me surpreendeu. Apesar do mar estar praticamente flat, a praia estava lotada, num ambiente muito mais festivo do que rolou no ano passado. A sensação que me deu é de que esse CT caiu no gosto da galera de vez e, inclusive, dos investidores.

Clima da areia e a mística da igreja de Nossa Senhora de Nazarteh, padroeira da cidade. Foto: @iuricorsini / Ricosurf.

Clima da areia e a mística da igreja de Nossa Senhora de Nazarteh, padroeira da cidade. Foto: @iuricorsini / Ricosurf.



Quando acordei no domingo, que era um dia que para muitos não rolaria o evento, o dia amanheceu chuvoso, com um ventinho de sudoeste e um mar que, apesar de maior do que no sábado, ainda amanhecia irregular e difícil.

Logo que cheguei no meio da praia de Itaúna, em frente da padaria Pão de Ló, notei que o balanço já era bem maior. Logo entrou uma série torta, sem muita parede à mostra, mas o surfista que dropou essa onda surpreendeu. Foram 5 manobras muito fortes, conectando em sessões invisíveis ao olho de um surfista comum. Na onda, nada mais nada menos do que John John Florence.

Estava eu e o Marcelo Carmo, também do Ricosurf, embaixo de chuva e vendo o show rolar ao vivo, quando chegaram dois molequinhos que deviam ter entre 7 e 10 anos. Na hora que falamos que era o John John surfando, os dois pequenos saíram correndo e voltaram 2 minutos depois com os pais e mais uma plateia de curiosos ansiosos em ver o bicampeão mundial surfando no quintal de casa.

Todos em êxtase, os pequenos principalmente, observando o havaiano moer as marolas mexidas do meio da praia. Fiquei imaginando o que passava na cabeça dos dois irmãos, a emoção de ver seus ídolos em sua casa, tão mortais quanto nós, da mesma carne e do mesmo osso, mas com um surfe de extraterrestre.

É esse o sonho, é essa a magia de ter um evento desse porte em uma cidade como Saquarema, que vive e respira surfe. Uma sensação revigorante e otimista tomou conta de mim e silenciosamente fiz minhas preces para que o CT de Saquarema dure ainda por muitos anos.

Quem chega à rua principal de Itaúna, sente imediatamente o clima diferenciado, o clima de êxtase, de pertencimento e de liberdade. O surfe é muito mais do que uma competição, e essa competição é muito mais do que apenas resultados.

A verdade é que para sentir essa mística do Maracanã do Surfe em pleno CT, somente respirando o ar salgado da cidade que hoje é a mais surfe do mundo.

Saquarema sorri e nós também.

Amanhã tem mais!

Assista ao Oi Rio Pro AO VIVO.

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