Jadson André é campeão do QS Noronha 2019

O potiguar conquistou a vitória na onda surfada nos últimos minutos da emocionante final brasileira com o catarinense Yago Dora e os dois encabeçam o ranking do WSL Qualifying Series 2019


O potiguar Jadson André é o novo campeão do Oi Hang Loose Pro Contest, ganhando uma final emocionante com o catarinense Yago Dora no domingo de Sol, praia lotada e boas ondas para tubos e aéreos na Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha. A decisão do primeiro QS 6000 do ano foi entre dois brasileiros da elite mundial do CT. Eles deram um show para a torcida, que vibrou bastante quando Jadson conseguiu a vitória na direita que surfou nos minutos finais da bateria. Ele já tinha barrado o bicampeão mundial Gabriel Medina no primeiro duelo do dia e começa a temporada 2019 liderando o ranking do WSL Qualifying Series, com o vice-campeão Yago Dora em segundo lugar. Para chegar na final, Jadson passou pelo norte-americano Cam Richards e Yago derrotou outra estrela do CT, Italo Ferreira.

Jadson André. Foto: WSL / Daniel Smorigo.

Jadson André. Foto: WSL / Daniel Smorigo.



“Primeiramente, quero agradecer à Deus por essa vitória e por este evento iluminado. No final ali, faltando 2 minutos, eu precisava de uma onda excelente e ficava o tempo inteiro lembrando do Neco (Padaratz) anos atrás, quando ele ganhou aqui. Ele contou que ficava sonhando com aquela direita durante o evento inteiro e na final ele venceu com a direita”, relembrou Jadson André, que seguiu falando emocionado.

“Agora, o Yago (Dora) estava praticamente me bloqueando pras esquerdas, mas eu tava acreditando o tempo inteiro que no final iam vir as direitas”, contou Jadson. “Ainda saí do mar porque quebrei a prancha, voltei e a primeira onda com a prancha nova era a direita que eu tava esperando pra vencer a final. Graças a Deus, consegui encaixar duas manobras grandes e a última ali, quando eu manobrei com toda minha força, só pensei, por favor meu Deus, me segura porque o impacto vai ser grande. Aí já sabia que a nota iria sair no critério excelente”.

Jadson André. Foto: WSL / Daniel Smorigo.

Jadson André. Foto: WSL / Daniel Smorigo.



O potiguar começou a final com sua raça característica, pegando uma onda atrás da outra e soltando os aéreos nas esquerdas. O melhor valeu 6.50, que somou com 6.10 do outro e ainda massacrou uma direita com duas manobras fortes que renderam nota 6.53. Só depois Yago pegou sua primeira onda, uma esquerda que faz uma manobra e voa no aéreo, sem completar a aterrisagem. Logo, o catarinense pega outra esquerda, some dentro de um belo tubo e ressurge com nota 7.30, diminuindo a vantagem para 5.93 pontos.

O catarinense então parte para os aéreos “full rotation” nas esquerdas. Ele falha nas duas primeiras tentativas e Jadson escolhe uma direita maior que rende duas manobras explosivas, a primeira embaixo do lip e outra na finalização para ganhar 7.93. Só que Yago vem em outra esquerda e dessa vez acerta o full rotation que valeu nota 9.0 para assumir a ponta e abrir 8.18 pontos de vantagem sobre o potiguar há 15 minutos do fim.

Jadson parece ter mudado o foco somente para as direitas, pegando mais uma para mostrar a potência do seu backside nas manobras. Nessa primeira, não conseguiu a virada e o show continua com os dois na mesma onda mandando aéreos sem completar. Jadson acabou quebrando sua prancha e ele troca por outra, perdendo tempo para sair do mar e voltar até o outside. Só que logo entra outra direita muito boa para ele, limpa, para mandar um batidão de backside e emendar outra debaixo do lip de cabeça pra baixo. Os juízes deram nota 8.53 que virou o placar para 16,46 a 16,10 pontos, menos de meio pontinho de diferença. O campeão recebeu um prêmio de 20.000 dólares e o vice ficou com 8.000 dólares.

“Eu quero dedicar essa vitória para todos os nativos aqui de Fernando de Noronha, onde sempre sou muito bem recebido a mais de 15 anos, então esta vitória aqui é pra todos vocês. Obrigado galera”, agradeceu Jadson, que foi carregado até o pódio pela torcida. “Se eu falar o que aconteceu comigo de dezembro até hoje, vocês vão pensar que eu to dramatizando essa situação. Antes de eu chegar em Noronha, desde a minha bateria de Sunset (em dezembro no Havaí), eu cai no mar só cinco vezes, por causa de lesão e uma bactéria que deu no organismo. Então, foi sinistro vir aqui e vencer esse campeonato e estou muito feliz por tudo. Obrigado a todos que acreditam em mim, que me apoiam, todos meus patrocinadores e obrigado a minha namorada também, que tem sido o meu amuleto nos quatro eventos que ela foi”.

Pódio do Oi Hang Loose. Foto: WSL / Daniel Smorigo.

Pódio do Oi Hang Loose. Foto: WSL / Daniel Smorigo.



O vice-campeão Yago Dora também fez grandes apresentações nas ondas da Cacimba do Padre. Ao contrário de Jadson André, que frequenta a ilha por mais de 15 anos, era a primeira vez que o catarinense competia em Fernando de Noronha e estreou muito bem. O grande momento foi na semifinal contra o também potiguar Italo Ferreira, que tinha acabado de fazer uma apresentação incrível de 18,20 pontos nas quartas de final e era um dos favoritos ao título do Oi Hang Loose Pro Contest. No último dia, Yago também tinha usado os aéreos de frontside nas esquerdas para derrotar o japonês Reo Inaba e não gostou muito do resultado final do evento, principalmente da nota da última onda do Jadson André que decidiu o título.

“Infelizmente, o resultado não foi o que eu esperava e eu tinha certeza que a nota do Jadson na última onda não valia 8,5. Eu até tava chegando pra marcar ele, mas é isso aí, às vezes os juízes caem na emoção e acabam presenteando a nota no final da bateria”, disse Yago Dora. “Mas, o Jadson quebrou, fez a parte dele e conseguiu virar no final. O campeonato foi animal e claro que eu queria ter ganhado, então estou um pouco amargo por causa disso, porque estou com o sentimento que ganhei e me tiraram a vitória. Mesmo assim, estou aqui em Noronha, é um lugar que eu amo e parabéns pro Jadson, que surfou muito o campeonato inteiro”.

Yago Dora. Foto: WSL / Daniel Smorigo.

Yago Dora. Foto: WSL / Daniel Smorigo.



Último gringo

O Oi Hang Loose Pro Contest foi um sucesso total, com boas ondas todos os dias, muitos tubos e um público jamais visto na Cacimba do Padre nas outras treze edições do evento mais tradicional do surfe brasileiro em Fernando de Noronha, de 2000 a 2012. Surfistas de vinte países participaram da primeira etapa com status QS 6000 da temporada e o estrangeiro que mais avançou foi o norte-americano Cam Richards. Ele mostrou habilidade para voar nos aéreos e só parou no campeão Jadson André nas semifinais, dividindo o terceiro lugar com o potiguar Italo Ferreira em sua primeira vez na ilha.

“Foi uma pena que caí dos aéreos naquelas ondas ali no final da bateria, mas foi um evento bem divertido e não posso reclamar de nada”, disse o jovem norte-americano Cam Richards. “Eu amei essa ilha e vou voltar aqui, sem dúvidas. Quero voltar para competir nesse evento no ano que vem, mas quero mesmo é voltar pra filmar e curtir um pouco mais tudo aqui. Essa ilha é linda demais e amei demais esse lugar. Já sou muito fã daqui e estou feliz pelo resultado, pois nem esperava ir tão longe no evento, então o terceiro lugar foi um ótimo resultado”.

Cam Richards. Foto: WSL / Daniel Smorigo.

Cam Richards. Foto: WSL / Daniel Smorigo.



Confirmado para 2020

Depois de sete anos, o Oi Hang Loose Pro Contest retornou a Fernando de Noronha e a expectativa é de que permaneça por muitos e muitos anos. O diretor presidente da Hang Loose, Álfio Lagnado, que realizou sua primeira etapa válida pelo Circuito Mundial no longínquo ano de 1986 na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), confirmou no domingo que a edição de 2020 está praticamente confirmada e que poderá ser ainda mais importante, com status máximo QS 10000 do WSL Qualifying Series.

“Estou muito contente por ter dado tudo certo nessa operação de guerra que é fazer um evento aqui e isso não tem preço, vale muito a pena. Esse lugar é um paraíso, dá altas ondas, a comunidade do surfe fica em êxtase, a Hang Loose também e espero não sair mais daqui. Agora a gente veio pra ficar”, prometeu Alfio Lagnado. “É difícil, é caro, mas se a gente conseguir firmar as parcerias que alinhamos com o Governo do Estado de Pernambuco, com o Secretario de Educação e Esportes, o deputado federal Felipe Carreras, a Oi, ou seja, tem uma turma que está muito afim que o campeonato fique, a Hang Loose também, então acho que vai continuar”.

Oi Hang Loose Pro. Foto: WSL / Daniel Smorigo.

Oi Hang Loose Pro. Foto: WSL / Daniel Smorigo.



Troféu Jean da Silva

Além dos finalistas, quem também subiu ao pódio do Oi Hang Loose Pro Contest foi Samuel Igo, para receber o “Troféu Jean da Silva” oferecido pela Oi em homenagem ao catarinense falecido dois anos atrás que já foi campeão nos tubos de Noronha. O prêmio foi instituído esse ano para ser oferecido ao surfista que fizer a melhor performance durante todo o evento e ninguém conseguiu superar as marcas do paraibano no primeiro dia, quando ele recebeu a única nota 10 do evento num tubaço incrível na Cacimba do Padre.

Dos 144 participantes, apenas oito chegaram no último dia para disputar as quartas de final. O bicampeão mundial Gabriel Medina perdeu logo no primeiro confronto do dia para Jadson André e terminou empatado em quinto lugar com o sul-africano Adin Masencamp, o japonês Reo Inaba e o espanhol Aritz Aranburu, único que poderia conseguir um inédito bicampeonato em Noronha por ter vencido em 2007. Ele perdeu para Italo Ferreira, quando o potiguar fez a melhor apresentação do domingo, somando notas 9,27 e 8,93 no segundo maior placar do campeonato, 18,20 pontos. Italo dividiu o terceiro lugar com o americano Cam Richards.

Samuel Igo. Foto: WSL / Daniel Smorigo.

Samuel Igo. Foto: WSL / Daniel Smorigo.



RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO OI HANG LOOSE PRO CONTEST:

Campeão: Jadson André (BRA) por 16,46 pontos (8,53+7,93) – US$ 20.000 e 6.000 pontos

Vice-campeão: Yago Dora (BRA) com 16,10 pontos (9,00+7,10) – US$ 8.000 e 4.500 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 3.550 pontos e US$ 3.800:

1.a: Jadson André (BRA) 15.90 x 12.47 Cam Richards (EUA)

2.a: Yago Dora (BRA) 16.50 x 16.17 Italo Ferreira (BRA)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com 2.650 pontos e US$ 2.500:

1.a: Jadson André (BRA) 14.73 x 13.50 Gabriel Medina (BRA)

2.a: Cam Richards (EUA) 15.17 x 11.10 Adin Masencamp (AFR)

3.a: Yago Dora (BRA) 13.50 x 10.16 Reo Inaba (JPN)

4.a: Italo Ferreira (BRA) 18.20 x 9.93 Aritz Aranburu (ESP)

CAMPEÕES DO HANG LOOSE PRO CONTEST:

2019 - Jadson André (RN) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2017 - Deivid Silva (SP) - Praia de Maresias, São Sebastião (SP)

2016 - Kanoa Igarashi (EUA) - Praia da Joaquina, Florianópolis (SC)

2012 - Miguel Pupo (SP) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2011 - Alejo Muniz (SC) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2010 - C. J. Hobgood (EUA) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2009 - Bruno Santos (RJ) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2009 - Kelly Slater (EUA) - CT Hang Loose Santa Catarina Pro em Imbituba (SC)

2008 - Raoni Monteiro (RJ) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2008 - Bede Durbidge (AUS) - CT Hang Loose Santa Catarina Pro em Imbituba (SC)

2007 - Aritz Aranburu (ESP) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2007 - Mick Fanning (AUS) - CT Hang Loose Santa Catarina Pro em Imbituba (SC)

2006 - Jean da Silva (SC) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2005 - Bobby Martinez (EUA) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2004 - Warwick Wright (AFR) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2003 - Neco Padaratz (SC) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2002 - Victor Ribas (RJ) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2001 - Fábio Silva (CE) - Cacimba e finais no Abras, Fernando de Noronha (PE)

2000 - Guilherme Herdy (RJ) - Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE)

2000 - Crhistiano Spirro (BA) - Praia de Maresias, São Sebastião (SP)

1999 - Richard Lovett (AUS) - Baía de Maracaípe, Ipojuca (PE)

1999 - Peterson Rosa (PR) - Praia de Maresias, São Sebastião (SP)

1998 - Armando Daltro (BA) - Gaibú, Cabo de Santo Agostinho (PE)

1997 - Marcelo Nunes (RN) - Baía de Maracaípe, Ipojuca (PE)

1996 - Fábio Silva (CE) - Baía de Maracaípe, Ipojuca (PE)

1995 - Peterson Rosa (PR) - Praia das Pitangueiras, Guarujá (SP)

1994 - Matt Hoy (AUS) - Praia das Pitangueiras, Guarujá (SP)

1993 - Joey Jenkins (EUA) - Praia das Pitangueiras, Guarujá (SP)

1992 - Nicky Wood (AUS) - Praia das Pitangueiras, Guarujá (SP)

1991 - Nicky Wood (AUS) - Praia das Pitangueiras, Guarujá (SP)

1990 - Fábio Gouveia (PB) - Praia das Pitangueiras, Guarujá (SP)

1989 - Glen Winton (AUS) - Praia da Joaquina, Florianópolis (SC)

1988 - Tom Carroll (AUS) - Praia da Joaquina, Florianópolis (SC)

1987 - Tom Carroll (AUS) - Praia da Joaquina, Florianópolis (SC)

1986 - Dave Macaulay (AUS) - Praia da Joaquina, Florianópolis (SC)

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