Jessé Mendes - A trajetória do atleta rumo ao CT

Depois de sete anos na disputa, o brasileiro finalmente conquista sua vaga.


Jessé Mendes, nascido no Guarujá, 24 anos de idade, sete deles disputando o difícil circuito de divisão de acesso para a elite do surf mundial, bateu na trave algumas vezes no seu objetivo de chegar ao CT.


Uma das principais características de Jessé é sua capacidade de concentração. Foto: Poullenot-Aquashot

No ano passado o jovem atleta chegou muito perto. Depois do bom começo de temporada e alguns bons resultados na perna europeia, Jessé não foi bem no Havaí e acabou ficando de fora da elite por mais um ano, por apenas alguns pontos.

 A dúvida de muitos era se o atleta iria continuar na mesma pegada para conquistar a sua tão perseguida vaga no CT. Afinal, todos sabem das dificuldades de correr o QS, e, ainda por cima, por tantas anos seguidos, chegando muito perto da vaga em algumas ocasiões.

Mas não foi o que aconteceu. Pelo contrário; após as sete temporadas correndo o mundo em diversas competições do Qualyfying Series, o brasileiro adquiriu uma precoce e sólida maturidade e veio mais forte do que nunca. Afinal, são apenas 24 anos de idade, e uma longa trajetória pela frente.

Apenas um aquecimento

Jessé Mendes começou o ano no Havaí, na alta temporada do arquipélago, em janeiro. O guarujaense iniciou as competições de 2017 no QS1.000, em Sunset Beach.

Caiu logo na estreia, no round 3, ficando com a 33ª colocação.

Logo depois, participou do Volcom Pipe Pro, etapa de nível 3.000, em Pipeline. 

Mais uma vez foi eliminado no round 3, também na 33ª posição.

Canguru Mendes 

Foi a partir da perna australiana do QS, que para ele começou no fim de fevereiro, no primeiro QS6.000 do ano, o Maitland and Port Stephens Pro, em Newcastle, que Jessé começou a solidificar sua vaga.

O brasileiro teve que lutar bastante no evento. A partir do round 3, ainda em baterias de quatro atletas, classificando-se dois para a próxima fase, Jessé e Michael Rodrigues travaram um disputado embate contra o neozelandês Ricardo Christie e o japonês Shun Murakam.


Primeiro evento 6.000 do ano. Foto: WSL / Tom Bennet


Michael em 1º e Jessé em 2º, avançaram para o round seguinte, numa disputada e apertada bateria.

No round 4, em bateria de três atletas, Jessé teve muito trabalho na bateria contra o português Frederico Morais e o francês J. Couzinet. 

Mendes mais uma vez avançou em segundo e teve pela frente, no round 5, em bateria homem-a-homem, o brasileiro Michael Rodrigues.

O duelo foi super disputado e Jessé acabou avançando por uma pequena diferença de 0.23 pontos apenas. Mesmo Michael tendo obtido a melhor nota da bateria, Mendes seguiu vivo na competição e trilhou seu caminho até a final do campeonato.

O guarujaense então passou pelo francês Jorgann Couzinet, nas quartas, e pelo americano Ian Crane, nas semis.

Na finalíssima, duelo brasileiro e de dois goofy footers com abordagens de surf bem diferentes um do outro; Jessé Mendes vs. Yago Dora. 

Dora não deu nenhuma chance para Jessé, e, com notas 8.83 e 10.00, foi o grande campeão do evento, levando 6.000 pontos para casa. 


Yago e Jessé, 1º e 2º, respectivamente, em Newcastle. Foto: WSL / Tom Bennet

O resultado para Jessé também foi importantíssimo. Com 4.500 pontos, a pontuação entrou no seu somatório como um dos seus melhores resultados no ano. 

Logo na sequência do Maitland Pro, veio o mais prestigiado evento do QS australiano, o Australian Open Pro 6.000, na praia de Manly Beach, em Sydney.

Jessé fez uma brilhante campanha, principalmente durante as fases finais da competição - das quartas em diante, Jessé terminou as baterias com score de no mínimo 15.00 pontos.

Mendes derrotou o francês J. Couzinet nas quartas com um placar de 15.17 contra 11.43 do adversário.


Jessé durante o Australian Open. Foto: owenphoto.au

Já na semi final teve uma bateria acirradíssima, vencida por detalhes, contra o japonês Hiroto Ohhara. O placar final foi de 15.00 pontos do brasileiro, contra 14.93 do japonês.

Na grande final, a melhor bateria do evento, e uma das do ano até aqui; Jessé vs. Julian Wilson.

Mendes foi bastante seletivo e Julian tentava arriscar mais. Enquanto Mendes pegou apenas cinco ondas na bateria, Julian pegou o dobro disso.

Mas apenas duas ondas de cada foram boas. Aliás, excelentes. Julian começou com um 8.67, no que Jessé respondeu logo em seguida com um 8.73. No final da bateria, o australiano pegou sua penúltima onda e tirou um 9.33, deixando o brasileiro em situação muito complicada.

Mas logo depois Jessé pegou uma ótima esquerda e conseguiu a virada com 9.40 pontos em sua onda.



Título importantíssimo e que deu muita moral para o brasileiro, 6.000 pontos na bagagem, e uma excelente situação logo no início do ano.


Adquirindo bagagem

Com o bom momento, Jessé recebeu convite para participar da etapa do CT em Margaret River, Austrália.

O brasileiro venceu a bateria do round 1, que rolou na rara onda de North Point, vencendo os compatriotas Gabriel Medina e Wiggolly Dantas, numa excelente participação.


Jessé Mendes em North Point, Austrália. Foto: Matt Dunbar

Mendes acabou eliminado no round 3, na 13ª colocação.

Jessé seguiu na lista de favoritos da WSL e foi mais uma vez convidado a participar de um evento do CT, dessa vez em Saquarema, no Oi Rio Pro.

O brasileiro não teve uma boa participação e acabou eliminado por Medina na repescagem do 2º round.


Jessé é eliminado por Medina no round 2, em Saquarema. Foto: WSL / DamienPoullenot


Lembrando que nos eventos do CT, os atletas convidados não somam pontos.

Logo após sua bateria, saindo da área de competição, Jessé disse à equipe Ricosurf que estava indo para o Japão, participar do Ichinomiya Chiba Open, etapa do QS de nível 6.000.

Na ocasião, Jessé nos disse que estava confiante na sua classificação para o CT, sabia de seu potencial, mas que tinha adquirido maturidade nos anos de QS para manter a tranquilidade no restante da temporada e não perder o bom ritmo.

Samurai Mendes

Duas semanas depois, o guarujanse já estava no Japão e foi impecável na prova de nível 6.000.

Avançou em 1º no round 2, na sua estreia do evento e passou em 2º no round 3, numa bateria extremamente disputada, com os quatro atletas ficando com scores muito próximos um dos outros.

No round 4, em bateria de três atletas, novamente avançou em 2º, garantindo vaga nas oitavas, a partir de então, em baterias de homem a homem.

No confronto das oitavas, teve um duro duelo contra o catarinense Tomas Hermes. Com notas 8.43 e 8.27, Jessé acabou avançando para as quartas de final.

Na bateria seguinte, mais um embate muito difícil. O brasileiro suou a lycra para vencer o sul-africano, Beyrick De Vries, pelo placar de 15.80 contra 15.17.

Na semi final, mais uma bateria sem moleza. Dessa vez a vítima foi o indonésio Oney Anwar, derrotado pelo placar de 15.66 contra 14.47.

Para coroar as excelentes performances e as bem disputadas vitórias, Jessé, na grande final, fez a sua melhor onda e a sua 2º melhor bateria do evento contra o bom surfista australiano, Cooper Chapman.

Com ondas avaliadas em 9.33 e 6.83, o brasileiro não deu chances ao seu adversário e sacramentou a vitória da etapa.



Mais um título para o brasileiro, mais 6.000 pontos no ranking, e uma impressionante pontuação antes mesmo do primeiro evento 10.000 do ano.

Após o evento do Japão, Jessé estava praticamente garantido no CT 2018. 

Vuvuzela neles!!!

E o prêmio máximo veio na África do Sul, durante o primeiro QS10.000 de 2017, o Ballito Pro.

O brasileiro garantiu sua classificação para a elite do surf mundial após cravar sua ida para o round 5 da competição e já garantir mais 3.700 pontos no ranking.


Durante o Ballito Pro 2017. Vaga garantida no CT! Foto: WSL / Kelly Cestari


O brasileiro acabou eliminado nas quartas de final, ao ser derrotado pelo local Michael February. Mas a vaga para o CT já estava garantida e Jessé ainda tem mais 4 eventos 10.000 para tentar ficar na 1ª colocação do QS ao final do ano.

Após a tempestade... A consagração!

Seis eventos do QS disputados em 2017. Dois primeiros lugares e uma 2º colocação em eventos 6.000, e classificação precoce para a elite do surf mundial.

Números impressionantes, campanha memorável e muito surf no pé, fazem de Jessé, desde já, uma aposta para, no mínimo, Rookie of The Year da temporada do ano que vem.

Depois de muita persistência, finalmente o brasileiro, reconhecidamente por todos no surf como um dos mais talentosos surfistas do país, consegue a tão perseguida vaga no Championship Tour.

Parabéns, Jessé!

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