Jojó de Olivença é uma das estrelas no Fico Surf Festival, em Guarujá

Evento acontece nos dias 30 de março oe 1 de abril


Uma das grandes atrações, senão a maior, do Fico Surf Festival, a categoria master legends reunirá nomes que ajudaram a construir a história do surf. Atletas dos 40 anos em diante estarão reunidos para competir e também confraternizar no evento, que resgata a história do campeonato realizado há 30 anos, em Salvador/BA e foi um dos alicerces da criação do Circuito Brasileiro de Surf Profissional.

Jojó de Olivença. Foto: Silvia Winik.

Jojó de Olivença. Foto: Silvia Winik.



Com novo cenário, agora na Praia do Tombo, em Guarujá, a disputa apresentada por Grupo Lunelli será realizada nos dias 30 deste mês a 1º de abril, e entre os nomes confirmados estará o bicampeão brasileiro e ex-WCT, Jojó de Olivença, que tem total ligação com a competição. Baiano radicado há mais de duas décadas na cidade que será a nova sede do evento, ele garantiu um de seus títulos nacionais com uma final no Fico Surf Festival de 1988.

Mesmo depois de encerrar a carreira como profissional, Jojó nunca deixou competir e, inclusive, tem em sua galeria de grandes conquistas a prata no Mundial Master da ISA, em 2011, em El Salvador, ficando à frente de Fábio Gouveia. Animado com o campeonato, ele espera uma combinação entre boas disputas e muita confraternização. “Porque essa galera tem competição no sangue. Tem uns que estão mais fora do ritmo, mas outros muito bem”, ressalta.

Jojó de Olivença. Foto: Silvia Winik.

Jojó de Olivença. Foto: Silvia Winik.



“Ainda mais com premiação em jogo. Passagem para o Peru é um incentivo. Quem não gostaria de ir pegar ondas no Peru? Espero isso, uma brincadeira saudável, com espírito competitivo presente. A expectativa, com certeza, não é pequena. Vai ser muito bacana poder rever a galera. Esse espírito amistoso vai rolar com certeza, pelo revival de toda a história da década de 80”, destaca.

Para ele, será empolgante poder competir com nomes como Paulo Matos, Kias de Souza e também espera poder voltar a enfrentar Tinguinha Lima, um de seus grandes rivais em sua trajetória. “Foi um dos caras que mais dividiu pódios e títulos comigo. Em 93 fui vice-campeão e ele campeão, na menor diferença de pontos até hoje, apenas três pontos. Isso porque eu já estava no Circuito Mundial e não corri o Paulista, que contava pontos para o Brasileiro”, recorda.

Sobre o Fico Festival na década de 80, Jojó tem boas recordações e, novamente, Tinguinha é citado. “Lembro que fiquei em segundo, com o Tinguinha em primeiro, em 88, no ano que fui campeão brasileiro pela primeira vez. Foi um resultado importantíssimo para a consolidação do título”, conta o surfista que também foi quinto colocado na edição de 89.

Jojó de Olivença. Foto: Silvia Winik.

Jojó de Olivença. Foto: Silvia Winik.



“A repercussão do Fico em 1987 foi muito positiva principalmente para a Bahia, que foi sede de uma etapa tão importante no Circuito brasileiro e levou todos os grandes surfistas para Salvador. Foi um evento de grande glamour, que ajudou bastante a alavancar o surf no Estado a partir daquele evento”, destaca.

O bicampeão brasileiro também enaltece a figura do empresário Raphael Levy, o Fico, que dá nome a empresa que há mais de 30 anos está no mercado de surfwear. “Aí está uma prova de quem sonha, tem as esperanças vivas, continua com seu projeto, sua empresa e resolveu mostrar para o Brasil, para o mercado que está resgatando a história. Muito louvável, muito nobre esta iniciativa. Vai ser uma alegria poder vê-lo”, afirma.

“Tenho certeza de que todos vão acolher de forma espetacular. Vai ser um evento muito bacana. Ele tem o verdadeiro espírito life style do surf. Parabéns ao Fico, por essa ação. Provou que esse life style continua vivo na sua essência”, elogia Jojó.

ONG

Aos 50 anos de idade, Jocélio de Jesus, nasceu em Ipiaú, na Bahia, aos cinco mudou-se para Olivença, ao sul de Ilhéus, onde aprendeu a surfar e herdou o apelido. O surf começou nas folgas das pescarias quando era criança. Primeiro aprendeu a pegar jacaré, depois com uma prancha de madeira, uma de isopor até se aventurar na primeira prancha emprestada. Aos 22 anos, decidiu trocar a tranquila cidade baiana por Guarujá, onde mora até hoje e desenvolveu seu projeto social.

Além do bicampeonato brasileiro, em 88 e 92, Jojó integrou a elite mundial por cinco anos, entre 94 e 98. Entre seus melhores momentos, a final nas Ilhas Reunião contra Sunny Garcia, logo na estreia, campeonato que também tem a ótima recordação de ter vencido Kelly Slater. Naquele ano, foi eleito o Rookie of the Year, o novato do Circuito, e terminou na excelente 11ª colocação.

Jojó de Olivença. Foto: Silvia Winik.

Jojó de Olivença. Foto: Silvia Winik.



Também chegou a outra decisão em 97, na França, contra o mesmo Slater. “Foi um ano de bons resultados, com um quinto no Pipe Masters”, comenta, voltando à realidade atual. “Preciso treinar, porque gosto de surfar bem e estou trabalhando bastante, me envolvendo com a ONG”, fala referindo-se ao projeto Projeto Ondas, surf e cidadania, em Guarujá, que comanda há quase duas décadas.

O objetivo é oferecer aos jovens em situação de risco social da Cidade, a mesma chance que ele teve com o surf, porém mais do que formar competidores, ele resume que quer ter cidadãos, surfando a onda da vida com excelência. “Aproximadamente 500 crianças já passaram pela ONG. Atualmente atendemos 60 jovens nos programas básicos e vamos abrir mais 60 vagas com o curso de tecnologia e 20 no curso de produção e manutenção de pranchas. Continuamos crescendo, ampliando no quantitativo e qualitativo”, determina.

Consciente de seu papel na comunidade e que o esporte é uma importante ferramenta transformadora, Jojó confia no crescimento contínuo de sua iniciativa. “O surf educa, constrói, molda o caráter. Nós conseguimos extrair valores do oceano como respeito, paciência, amizade, cooperação, responsabilidade, amor, fé, e tantos outros. É daí que vem nossa inspiração”, argumenta.

“Estamos tendo ótimos resultados na construção de um ser humano melhor. Na verdade, minha expectativa é de ser um diferencial, uma referência para Guarujá e, posteriormente, para o Brasil e, quem sabe, até para o Mundo, como forma de utilizar o esporte como ferramenta de apoio à educação e inclusão social”, anuncia. “A nossa missão é poder ajudar as nossas crianças, qualificar nossos jovens, oferecer uma oportunidade para que tenham uma visão de um Mundo mais ampla, saibam aproveitar as oportunidades e que a boa informação chegue até eles. Enfim, o projeto Ondas continua de vento em popa, muito promissor”, completa.

Programação

Junto com a categoria master, o Fico Surf Festival, apresentado por Grupo Lunelli, terá disputas na longboard legends, também para atletas quarentões em diante, mirim (sub16), iniciante (sub14), estreante (sub12), petit (sub10) e feminina, além da Pais e Filhos. As inscrições devem ser feitas através do e-mail inscricao@fpsurf.com.br, citando o nome de competição, o estado de residência, a data de nascimento, e a cópia anexada do comprovante de pagamento.

A taxa é de R$ 85,00 e parte desse valor será destinado a dois projetos sociais de Guarujá, a ONG CT Lugar ao Sol, e o Lar Espírita Cristão Lar Elizabeth. O pagamento será feito para Banco Itaú, agência 0245, cc 09289-5, em nome de Silvio da Silva, CPF 886.205.148-49. Já no dia do evento será obrigatória a entrega de um quilo de alimento não perecível, para doação ao Fundo Social de Solidariedade de Guarujá.

As disputas, com transmissão ao vivo pela internet, têm início na sexta-feira, 9 horas. “Também no primeiro dia, ao meio-dia, serão homenageados atletas de Guarujá, da Baixada Santista e do surf nacional que se destacaram nesse cenário, além de uma homenagem póstuma a saudosos ícones de nossas praias com uma “roda de surfistas” dentro da água. Junto será realizado o lançamento da candidatura ao selo “World Surfing Reserves” da Praia do Tombo”, diz o gerente de marketing da Fico, Augusto Saldanha.

Além das disputas no mar, o evento contará com várias atividades na areia, como alongamento com a professora Jacqueline Zedan Chehad na sexta e sábado, das 9 às 10h, oficina de slackline ecológico na areia da Praia, com a equipe da Guarujá Radical, no primeiro dia; e no sábado, aulão de muay Thai, com mestre Tatto Barros, da equipe Chute Boxe São Paulo, das 9 às 10h, oficinal de futevôlei, com a equipe de Guarujá, a partir das 13h. “Também o escultor e artista plástico Jair Damasceno estará na praia demonstrando o seu trabalho com esculturas de areia”, fala Augusto.

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