Leo Caetano - A little less conversation

“Um pouco menos de conversa, um pouco mais de ação, por favor!”


O clássico de Elvis Presley, popularizado numa propaganda de material esportivo, resume bem o momento do Surf feminino no Brasil. De repente parece que virou moda falar sobre o tal desenvolvimento do surf feminino. Em todos os lugares que vou, em todas as entrevistas que assisto ou em todas as matérias que leio, tem sempre alguém se arvorando a ser o novo salvador da pátria.

Bem, a julgar pelo imenso gap entre a incrível Silvana Lima e a novíssima geração, que está vindo aí com tudo, parece que eles não estão sendo lá muito bem-sucedidos.

Silvana Lima é um exemplo a ser seguido pela nova geração. Foto: Leo Caetano.

Silvana Lima é um exemplo a ser seguido pela nova geração. Foto: Leo Caetano.



Primeiro, porque acho que além de toda falação existe um erro de entendimento sobre as reais necessidades do surf feminino e, principalmente, sobre o que de fato pode ajudar a trajetória dos novos talentos. Na minha humilde opinião, se você é uma marca de surf especializada em meninas, não está necessariamente contribuindo para o desenvolvimento do surf feminino.

Se você é um canal de TV que passa um programa com várias surfistas, que mais parecem modelos, surfando de maneira sofrível em câmera lenta, também não. E muito menos ainda estará, se você é uma agência de viagens que promove trips específicas para garotas.

Nada disso é errado, e são todas ações lícitas e bacanas para o público. Mas são apenas iniciativas comerciais criadas para explorar o nicho em questão. Não há nada de mal nisso. Segue o jogo, mas como dizem os gringos, cut the crap de fomento, ajuda e desenvolvimento da modalidade.

Depois, o fato é que o surf feminino precisa hoje do que sempre precisou. Precisa de patrocínios, precisa de campeonatos, precisa de espaço na mídia e precisa, acima de tudo, de exemplos. As novas gerações (afinal é disso que estamos falando aqui) não serão forjadas por influenciadores digitais, pranchas floridas ou papo furado. Serão forjadas, viajando, surfando mares perfeitos, competindo e vendo as melhores surfistas do mundo de perto.

Então, quer ajudar? Se você é uma marca, patrocine uma atleta ou apoie um campeonato dessa modalidade. Se é jornalista ou um canal de TV, faça a cobertura e transmissão dos eventos femininos nacionais e internacionais de forma apaixonada e técnica. Agora, se é uma Silvana Lima, Andrea Lopes, Maya Gabeira, Chloé Calmon, Nicolle Pacelli, Suelen Naraísa, Jacqueline Silva e tantas outras que sempre representaram o surf brasileiro dentro e fora d’água, basta seguirem sendo o que são.

Um exemplo paras as centenas de Majus, Luaras, Julias, Bonellis, Gilvanitas, Tainás, Louises, Yancas e etc. que estão pelo mundo treinando duro para fazerem um futuro melhor. Nenhum texto bacana ou nenhuma ação de marketing terá a força do exemplo de vocês, todos os dias, surfando em alto nível e perseguindo seus sonhos. Mostrar que é possível, e levantar a barra técnica para as próximas gerações é o caminho.

Por isso, escutem o Rei: um pouco menos de conversa, um pouco mais de ação, por favor!

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