Surf e Música de alto nível: confira a nova coluna de Gustavo Franck

A madrasta do CT. A semana que passou foi do jeito que a gente gosta: diversas competições rolando ao mesmo tempo


A madrasta do CT. A semana que passou foi do jeito que a gente gosta: diversas competições rolando ao mesmo tempo e como o surf é um esporte subjetivo, as controvérsias vêm a reboque. Assim, assunto é o que não falta. Pra começar, como dizem os gringos, “first things first”.Com grandes possibilidades de término na madrugada de hoje pra amanhã (segunda-feira, 03), a etapa de Margareth River deve definir seus vencedores em The Box, embora a direção do swell não seja a ideal para o slab. De qualquer maneira, isso mexe um pouco nas probabilidades dos remanescentes na disputa, tendo na minha humilde opinião, como maiores beneficiados os australianos Julian Wilson no masculino e Sally Fitzgibbons no feminino.


Filipe Toledo - Foto: WSL

E falando em The Box, no único dia em que a competição aconteceu por lá, um arrasa quarteirão se sucedeu com o esquadrão verde amarelo. Apesar de termos começado bem com a grande atuação do Ítalo Ferreira logo na primeira bateria do dia, as demais foram um verdadeiro tiro ao alvo nos brasileiros. Dentre os nossos protagonistas, Gabriel Medina foi abatido pelo fogo amigo de Caio Ibeli em uma bateria que acho que poderia ter vencido, se tivesse entendido antes a melhor forma de se sair dos tubos. De qualquer maneira continuará com lembranças amargas do local, uma vez que se repetiu a história da eliminação de cara.


Italo Ferreira. Foto: WSL

Ruim pro Medina, pior pro Felipe, que teve o azar de cair justamente com o local (e excelente tube rider) Jack Robinson. Enquanto Filipinho naturalmente tentava ler e entender a nervosa formação das ondas, seu anfitrião desfilava canudo após canudo na, disparada melhor performance de toda a competição. Nem o ungido John John Florence seria páreo pra ele ali. Pena que The Box não prima pela constância e assim a carruagem de Robinson virou abóbora já no dia seguinte, com a volta das disputas para Main Break. Enquanto isso, o balneário francês de Biarritz recebeu o mundial de longboard na versão da ISA. O evento mais uma vez teve a cara da entidade: muita alegria, atividades paralelas e a inclusão de mais e mais países na cena do surf.

Jack Robinson - Foto: WSL

Dentro da água os anfitriões não se fizeram de rogados e levaram praticamente tudo o que estava em disputa: Campeões no geral, no tag team, primeiro e segundo lugares no feminino. Só não levaram a medalha de ouro no masculino, vencido pelo peruano Piccolo Clemente, mas ainda assim fizeram segundo e terceiro na categoria. O Brasil acabou em quarto no geral, com destaque mais uma vez para a líder do WLT Chloé Calmon, que terminou em terceiro entre as meninas, na frente da atual campeã mundial pela WSL, a estadunidense Soleil Errico. O trabalho da entidade comandada pelo hermano Fernando Aguerre é muito bacana, mas acho que cabe uma crítica construtiva. Invariavelmente as condições de onda nos eventos da ISA são pífias. Tá certo que não dá pra colocar uma bateria com representantes da Esboslávia ou do Logequistão em Pipe ou Teahupoo bombando, mas uns míseros pés a mais não machucariam ninguém.

Chloe Calmon. Foto: divulgação.

Na região de Biarritz mesmo tem a praia de Guéthary, excelente para os longs e com muito mais volume de onda. Se continuar assim, na próxima chance de um evento da ISA vir pra cá, Iguaba e o Aterro do Flamengo despontarão como fortes candidatas... Mas se faltou onda na França, o Chile deu uma aula do que é um evento com boas condições. Aliás, boas não, ótimas! O QS realizado em Arica novamente disse a que veio, proporcionou um festival de tubos para ambos os lados e fez a cabeça de todos os participantes. Pena que não consiga ter uma graduação maior, pois tem qualidade inclusive pra fazer parte do calendário permanente do CT.

Já que falamos de Margareth River, vamos de “Maggie May” nas carrapetas. Essa é até hoje a canção de maior sucesso na carreira de Rod Stewart e faz parte daquele que também é considerado seu melhor trabalho, o disco Every Picture tells a story, lançado no ano de 1971. Em que pese toda a sua qualidade musical e de ter sido a primeira vez em que bandolins apareceram em arranjos de rock, a cereja do bolo é sua letra. Quase autobiográfica, conta a história de um garoto totalmente seduzido por uma mulher mais velha. Anos mais tarde, Stewart relatou que tratava-se de uma homenagem para a moça que lhe tirou a virgindade, aos16 anos. Segundo ele, a moça era bem mais velha e bem mais gorda que ele. Assim, o romantismo ficou só na música mesmo.  CONFIRA: https://youtu.be/EOl7dh7a-6g



O clássico de Rod Stewart

 

PS: O careca vem ou não vem? Antes de terminar, lembremos que vem aí a etapa brasileira do CT e que todos os anos Kelly Slater inventa um motivo pra não vir. Do jeito que a WSL engole qualquer desculpa esfarrapada sua, arrisco até apostar que um tratamento capilar não estaria fora das possibilidades... Outras apostas são bem vindas pelo Instagram (@surfandmusic_br). Quem sabe não rola um bolão?

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