US Open 2019: Yago Dora é o cara

O catarinense Yago Dora recolocou a bandeira brasileira no alto do pódio do maior palco do surfe norte-americano na Califórnia.


 

Yago fez a mala na Califórnia - Foto WSL

O catarinense Yago Dora recolocou a bandeira brasileira no alto do pódio do maior palco do surfe norte-americano na Califórnia. Ele usou os aéreos para liquidar seus adversários no domingo em Huntington Beach e conquistar o título do Vans US Open of Surfing. A última vitória brasileira tinha sido em 2016 com Filipe Toledo, antes do bicampeonato do japonês Kanoa Igarashi. Com o título sobre o australiano Liam O´Brien no segundo QS 10000 do ano, Yago saltou da quinquagésima para a quarta posição no ranking do WSL Qualifying Series, agora liderado pelo francês Jorgann Couzinet, seguido pelo potiguar Jadson André e pelo paulista Alex Ribeiro, derrotado pelo catarinense na semifinal.

Yago consegue executar manobras "grandes", em pequenos espaços, Foto: WSL

A outra única etapa com status máximo QS 10000 da temporada, também foi vencida pelo Brasil, com o paulista Deivid Silva no Ballito Pro da África do Sul. Deivid está em quinto lugar no ranking do QS, que indica dez surfistas para a elite dos top-34 da World Surf League. No momento, ele dispensa essa vaga por já estar se garantindo entre os 22 primeiros colocados no Jeep Leaderboard do Championship Tour. Já Yago Dora está fora deste grupo e agora volta a aparecer na lista dos dez do QS, para continuar na divisão principal do Circuito Mundial.

“É uma sensação incrível e estou muito feliz, pois esse é o melhor resultado da minha carreira”, disse Yago Dora, logo que saiu do mar com a vibração da torcida que lotou as areias e o píer de Huntington Beach no domingo. “Desde o início do evento, eu senti que poderia ter alguma coisa especial pra mim aqui. E vi vários sinais hoje (domingo), como aquela bateria (contra o francês Jorgann Couzinet) que virei no final. Isso me deixou mais motivado ainda e estar no topo agora, com a vitória nesse evento gigante, é incrível, quase inacreditável”.



Tatiana representou -  Foto: WSL

Yago começou o domingo ganhando um duelo adrenalizante com o novo líder no ranking do QS. Ele então usou sua arma mortal, os aéreos de frontside nas esquerdas de Huntington Beach. Acertou um muito alto, com grande amplitude e rotação completa no ar, que os juízes deram nota 9,27. Na onda seguinte, mandou outro que valeu 7,20 para fazer o maior placar do domingo, 16,47 a 15,57 pontos do francês Jorgann Couzinet, que também surfou muito bem para somar notas 8,40 e 7,17.

O último dia já tinha sido iniciado com um confronto emocionante, decidido nas ondas surfadas nos últimos segundos. O paulista Alex Ribeiro liderou toda a bateria, mas no final o australiano Connor O´Leary conseguiu a virada com notas 6,00 e 7,20 em duas ondas seguidas. Só que Alex ainda pegou uma direita perto do píer de Huntington, que rendeu duas manobras fortes que valeram 6,43 e a vitória por 13,76 a 13,20 pontos. Com Yago Dora vencendo a disputa seguinte, formou-se uma semifinal brasileira com Alex Ribeiro


Alex Ribeiro, sempre constante - Foto: WSL

SEMIFINAL BRASILEIRA – O catarinense começa bem com notas 7,00 e 5,50 usando a borda nas manobras de frontside nas esquerdas de Huntington Beach, enquanto Alex Ribeiro falha nas duas primeiras ondas. O mar seguia com longos intervalos entre as séries como durante toda a semana, então era preciso ter paciência para escolher bem e não desperdiçar qualquer chance de surfar. Alex demora mais de 10 minutos para pegar uma esquerda e arrisca um aéreo rodando de frontside, que não consegue aterrissar com perfeição.

Yago Dora faz o mesmo na onda de trás, só que com risco mais alto e completa a manobra para ganhar 7,77 dos juízes. Com essa nota, deixava Alex em “combination”, precisando de mais de 10 pontos para supera-lo, ou seja, teria que começar do zero de novo para vencer. Ele consegue sair dessa situação com o 4,83 recebido numa direita que proporcionou três manobras de backside.

No entanto, ainda precisava de uma nota excelente, de 9,54 pra cima, então a solução era tentar uma manobra grande, um aéreo perfeito, já que as ondas não abriam paredes mais longas. E no último minuto, Alex acertou o aéreo rodando bem alto para tentar a vitória, a praia lotada aplaudiu e ele saiu do mar sem saber a nota. Dois dos cinco juízes deram 9,5 para ele e a média ficou em 9,33, com Yago Dora passando para a final por 14,77 a 14,16 pontos.

Sage Erickson - Foto: WSL

DECISÃO DO TÍTULO – Na decisão do título, o talentoso catarinense começou já usando os aéreos de frontside nas esquerdas, para largar na frente com notas 7,43 e 6,33. Liam O´Brien também pega uma esquerda e faz três manobras de borda muito fortes de backside que valeram 7,67 na primeira onda. Aí veio uma longa calmaria e a outra série de ondas boas só entrou quase 15 minutos depois, quando restavam 13 para o término.

Com a prioridade de escolha, o australiano Liam O´Brien pegou primeiro, mas errou a manobra mais forte. Já Yago Dora aproveitou bem a chance, acertando outro aéreo rodando muito alto, que valeu 8,60 para praticamente selar a vitória nessa onda, depois confirmada por 16,03 a 11,34 pontos. Ele ainda voou em mais um que valeu 6,70, enquanto o australiano ficou esperando por uma onda boa que não apareceu para ele até o fim da bateria.


Liam O´Brien -  FOTO: wsl

Yago falou sobre ser mais um brasileiro a escrever seu nome na lista dos campeões do US Open, como Filipe Toledo em 2016: “Para mim, é tudo no mundo, porque esse evento é gigante demais e é um sonho para qualquer surfista ganhar aqui. Eu quero agradecer a minha família, meus patrocinadores, meu shaper pela prancha mágica, todos meus amigos que estão assistindo em casa e toda a torcida brasileira que está aqui na praia. Estou muito amarradão”.

QS 10000 FEMININO – Antes da vitória mais importante da carreira de Yago Dora, uma decisão norte-americana fechou o primeiro QS 10000 feminino da história do WSL Qualifying Series. O Vans US Open of Surfing era uma etapa do World Surf League Championship Tour para as meninas até o ano passado e as duas últimas campeãs se enfrentaram na final.

Os campeões da etapa. Foto: WSL

No tira-teima, a vencedora de 2017, Sage Erickson, bateu a defensora do título, Courtney Conlogue, por 15,40 a 12,93 pontos com uma onda no critério excelente, nota 8,17. Sage fez parte da elite do CT até o ano passado e já tinha vencido um QS 3000 esse ano na Austrália. Agora, com os 10.000 pontos do US Open, saltou da 25.a para a segunda posição no ranking, que segue sendo liderado pela jovem australiana Isabella Nichols.

Para chegar na final, Sage Erickson passou pela brasileira Tatiana Weston-Webb na reedição da final de 2017, que também terminou com vitória da norte-americana. A gaúcha tinha sido a campeã de 2016 e tentava o bicampeonato consecutivo naquele ano. Tatiana agora aparece em terceiro lugar no ranking com o terceiro lugar na Califórnia, mas não precisa da vaga no G-6 do QS no momento, por estar garantindo sua permanência na elite entre as top-10 do CT.

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