Brazuca Bodyboard Legends 2018 - Um resgate da história do esporte no Brasil

A equipe do evento relembra dados históricos do Bodyboarding


O Rio de Janeiro é o berço do Bodyboarding brasileiro e é no Rio, mais precisamente na Barra da Tijuca (Postinho), que acontece entre os dias 02 e 04 de novembro, o “Brazuca Bodyboard Legends 2018”, que promete ser um dos maiores encontros Master da modalidade já realizados no Brasil e no mundo.

Brazuca Bodyboard Legends 2018.

Brazuca Bodyboard Legends 2018.



A grande finalidade do evento, além da confraternização e resgate da história do Bodyboarding e de seus ídolos, é mostrar que o esporte foi um grande veículo para muitas pessoas, que hoje são pais e mães de família, excelentes profissionais, bem-sucedidos em suas áreas.

Já que estamos falando em resgate, vamos contar um pouco da história desse esporte...

O Bodyboarding teve seu “boom” nas praias cariocas, em meados dos anos 80 e rapidamente se espalhou por todo litoral Brasileiro. Os cariocas dominaram o esporte durante vários anos. Possuíam os melhores atletas, os melhores circuitos, formataram a primeira associação regulamentada, definiram regras de competição, que posteriormente, veio a servir de referência para outros países.

De 1982 a 1994, o campeonato mundial era decidido em apenas uma etapa, na mítica onda de Pipeline, na Ilha de Oahu, Hawaii.

A primeira delegação Brasileira a competir nesta etapa, foi composta de Marcus Cal Kung, Claudio Marques, Guto de Oliveira, Marcos Salgado e Xandinho, que em 1986, debutaram em ondas havaianas e fizeram bonito, onde Claudio Marques, foi o primeiro não havaiano a figurar entre os 12 primeiros colocados, trazendo na bagagem o troféu de 10º lugar.

Kiko Pacheco, Xandinho, Claudio Marques e Kiko Ebert. Foto: divulgação.

Kiko Pacheco, Xandinho, Claudio Marques e Kiko Ebert. Foto: divulgação.



A partir daí, os brasileiros passaram a ser visto com outros olhos e nos anos subsequentes, um tal de Alexandre Pontes, mais conhecido como Xandinho, foi galgando seu espaço e se tornou o estrangeiro (não havaiano) com as melhores colocações no evento (87 – 8º, 88 – 4º, 89 – 9º, 90 – 3º  e 92 – 4º lugar), além da vitória de Glenda Kozlowski, então com 13 anos, no evento Internacional Wahine, em 1987, em Sandy Beach, Hawaii, considerado na época, como o campeonato mundial feminino.

Em 88, foi um ano especial, onde os brasileiros “arrombaram” a porta no mundial de Pipeline e mostraram suas credenciais. Além do 4º lugar de Xandinho, sendo o primeiro não havaiano a fazer a final principal do evento, mais dois Brasileiros brilharam na competição: Kiko Ebert e Ugo Corti, onde participaram da “Final Consolação”, ficando em 1º e 3º lugar nesta bateria, terminado o evento na 7ª e 9ª colocação respectivamente. Sem contar, com a premiação especial de “Personalidade do ano”, concedida a Marcus Cal Kung, pelos serviços prestados ao esporte.

Neste ano também tivemos um maior número de meninas participando do Internacional feminino em Sandy Beach, onde Mariana Nogueira sagrou-se a grande campeã. Em 1988 também, na Austrália, tivemos Claudio Marques, o primeiro bodyboarder brasileiro a vencer um evento em águas estrangeiras, num evento com as maiores feras da época.

Glenda Kozlowski. Foto: Basilio Bosque Ruy.

Glenda Kozlowski. Foto: Basilio Bosque Ruy.



Em 88 também tivemos pela primeira vez um evento Internacional no Brasil (Bliss Competition), na Barra da Tijuca, com presença do havaiano Mike Stewart, inúmeras vezes campeão mundial e considerado por muitos como imbatível naquela época. E não deu outra, ele venceu aqui na Barra, deixando o carioca Ugo Corti em 2º lugar.

O circuito Brasileiro também iniciou seus trabalhos neste mesmo ano, com 3 etapas (SP, SC e RJ) e os primeiros campeões brasileiros foram: o niteroiense Paulo Esteves na Profissional masculina, o até então garoto, Guilherme Tâmega, na Amador masculino e Mariana Nogueira, na categoria Feminina.

Após este período, onde houvesse uma competição, em águas estrangeiras com a participação de brasileiros era sinônimo de pódio.

Em 1989, no II Bliss International Competition, Xandinho leva a praia da Barra ao delírio, vencendo na final o mito Mike Stewart.

Guilherme Tâmega já não é mais promessa, venceu o circuito brasileiro no seu ano de estreia na categoria profissional, em 1989 e alguns anos mais tarde, em 1991, na sua primeira participação no Mundial de Pipeline, ele chegaria na final, ficando em 4º lugar.

Nos anos seguintes, 92 e 93, ele foi galgando posto a posto, ficando em 3º e 2º lugar respectivamente, até conseguir seu primeiro título de campeão mundial, num mar enorme, onde ele não quis deixar margem de dúvidas aos juízes e a ninguém na areia da praia, onde com dois tubos enormes numa única onda, conseguiu a primeira nota 10 unanime, até então, de todas as etapas realizadas do mundial. Depois disso, não parou mais de ganhar títulos mundiais.

Entre as mulheres, domínio total verde amarelo. Das top 8 do circuito mundial em meados dos anos 90, 8 eram brasileiras. Mariana Nogueira, Stephanie Pettersen, Claudia Ferrari, Daniela Freitas, Lissandra Tutty, Soraia Rocha, Neymara Carvalho, Karla Costa, entre outras, eram presenças constantes do alto do pódio.

O Bodyboarding Brasileiro, dentre os esportes de ondas, é o que possui mais títulos mundiais no currículo. São 8 Masculinos (6x Guilherme Tamega, 1x Paulo Barcellos, 1x Uri Valadão) e 26 femininos (4x Glenda Kozlowski, 4x Stephanie Pettersen, 3x Mariana Nogueira, 2x Daniela Freitas, 2x Soraia Rocha, 1x Claudia Ferrari, 1x Karla Costa, 5x Neymara Carvalho, 4x Isabela Souza).

Juntando masculino e feminino, temos 34 títulos mundiais.

Mariana e Isabela Nogueira, Paulo Esteves e Xandinho. Foto: Basilio Bosque Ruy.

Mariana e Isabela Nogueira, Paulo Esteves e Xandinho. Foto: Basilio Bosque Ruy.



Infelizmente, como a grande maioria dos esportes, o Bodyboarding não é diferente, onde no final dos anos 90 e início dos anos 2000, sofremos com falta de apoio/patrocínios e vários atletas tiveram que buscar outras alternativas de sobrevivência e o esporte foi passando de mão em mão. O forte circuito estadual do Rio de Janeiro foi se extinguindo. O circuito brasileiro em alguns anos recentes nem foi realizado.

O objetivo do movimento Master, principalmente, com o Rio Bodyboarding Master Series e o Bodyboard Legends, é mostrar que mesmo com pouco recurso, consegue-se realizar bons eventos, mostrando o real significado do esporte, sendo praticado em ondas propícias e resgatando a história e os ídolos de outrora.

Não posso deixar de citar e homenagear grandes ídolos do esporte, que infelizmente nos deixaram cedo demais: o bicampeão carioca Kiko Pacheco, o multi campeão cearense Francisco Rosa e nosso Pipe Master Xandinho.

Para finalizar, gostaria de reforçar novamente o convite, para nos dia 02 a 04 de Novembro, no Postinho da Barra da Tijuca, para estarem conosco durante o “Brazuca Bodyboard Legends 2018”, onde vários atletas, citados aqui nesta breve história, estarão presentes.

Aguardo vocês lá!

Aloha!

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