Canal Rico: Chicama 50 anos depois

TRIP


 

Surf trip com os amigos, sempre bom: Rico, Pedroso, Bernardo e Valter - Foto: arquivo pessoal

Em 1971 fui ao Peru pela segunda vez competir no Campeonato Internacional de Tablas Hawaianas. Este evento era fantástico e lembro bem que participavam surfistas de diversos países e localidades: Peru, Austrália, Brasil, Estados Unidos, Hawaii, Argentina e até Venezuela. Pra mim era tudo muito novo e me possibilitava conhecer os melhores surfistas do mundo, novos modelos de prancha, além de ser uma grande oportunidade de fazer boas amizades. ( GALERIA DE FOTOS NO FINAL DA MATÉRIA )

Fui para Chicama através do convite de meu amigo Axel, que me chamou para conhecer aquela onda, considerada uma das esquerdas mais longas do mundo. A viagem foi uma grande aventura, começando pelo transporte uma vez que fomos de carro, muito pequeno e com um motor fraco, sem força para encarar a estrada cheia de subidas, mas mesmo assim seguimos com tudo.

A estrada era muito ruim, esburacada e tinha algumas partes muito íngrimes, onde claro, nosso pequenino carro não subia. Em alguns trechos tínhamos que subir as ladeiras de marcha à ré, pois era a marcha que tinha mais força, loucura total! Mas tudo era alegria e novidade e valia a pena para conhecer a lendária Chicama!

Bernardo Paiva -  Foto: arquivo pessoal

Naquela ocasião, quando chegamos em Chicama e o mar estava perfeito: ondas em torno de 1 a 1,5m com linhas maravilhosas e abrindo, realmente era um sonho que eu estava vivendo. Nessa época Chicama era um vilarejo muito pequeno e pobre, não tinha nenhuma estrutura, muito menos hotéis. Acabamos ficando na casa de "El Hombre". Ele alugava os quartos para os surfistas e acabou ficando famoso, pois era o único lugar no qual surfistas podiam se hospedar. Sua casinha era muito simples, nem telhado tinha, além de ser cheia de escorpiões ( bem comuns naquela região); mas tudo era festa, com as ondas perfeitas de Chicama quebrando com bastante consistência.

Valter Pieracciani - Foto: arquivo pessoal

Passaram 50 anos e estou aqui de volta em 2021, feliz da vida viajando com meus amigos: Luiz Pedroso, Valter Pieracciani e Bernardo Paiva. Incrível como o surfe nos motiva a viajar, buscar novos caminhos e novas aventuras. Porém desta vez foi diferente em termos de estrutura. Ficamos hospedados no "Chicama Boutique Resort", bem em frente ao pico, lugar muito confortável, com uma culinária maravilhosa e um excelente serviço.

O bote que leva a galera até o pico faz toda a diferença - Foto: arquivo pessoal

As ondas estavam boas, - em torno de 1m - com esquerdas muito longas e divertidas, vento terral bem forte e água muito fria! O Hotel proporciona um bote que auxilia os hóspedes a chegar ao out side, uma maravilha: você surfa a onda, ele te pega e coloca de novo lá no pico. Mas mesmo com o barco você precisa ter disposição, porque a remada é animal - pois para que você se posicione bem no pico,  precisa remar sem parar.

Eu e Pedroso somos cariocas, já Bernardo e Valte, paulistas, o que fez da viagem mais interessante ainda pois não nos faltou assunto para nossas divertidas conversas. Tivemos ótimas resenhas sobre diferentes assuntos. Dentro da água mantivemos a vibração positiva, e surfamos durante cinco dias, com duas caídas por dia: ficamos soltinhos nas marolas de Chicama!

Visual do Chicama Boutique Hotel - Foto: arquivo pessoal

Para quem vai conhecer esta onda, melhor época é de março a final de outubro; aconselho a levar uma boa roupa de borracha ( long John de preferência) e roupa de frio. O Melhor lugar para ficar sem dúvida é "Chicama Boutique Hotel", Sr. Martino proprietario do Hotel é surfista das antigas, nos tratou muito bem. Aproveito para agradecê-lo pelos dias maravilhosos que passei com meus amigos

Agora voltando para o Brasil, escrevo esta matéria e já planejamos voltar para Chicama e realizar novas viagens em diferentes lugares.

Obrigado, Pedroso, Bernardo e Valter, vamos voltar para casa felizes e Soltinho nas Marolas.

Agradecimentos: Chicama Boutique Hotel e aos meus patrocínios Chevrolet e Leve Saúde 

Aloha- Boas ondas
Rico de Souza

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