Galeria Hawaii - Swell imenso faz Waimea quebrar, perigosamente, de gala

Há 3 anos, a baía mais famosa do Hawaii não via ondulações tão fortes. Foi show de surf - ondas gigantes sobrando, pois muitos na água não quiseram as maiores. Os brasileiros botaram pra baixo!


A temporada de ondas no North Shore de Oahu, no Hawaii, começou forte neste ano com várias ondulações de porte médio, constantes e perfeitas, fazendo a cabeça dos surfistas de outubro a meados de novembro. Até ali, porém, nada realmente grande tinha quebrado no North Shore. Até que, no domingo, 25 de novembro, chegou o primeiro swell de tamanho XXL da temporada. Waimea Bay então quebrou de gala por três dias consecutivos. Em 26 de novembro, a ondulação atingiu seu tamanho máximo. E ele era muito maior do que o previsto.

Gavin Beschen e Ricardo Taveira. Foto: Butch Youmans.

Gavin Beschen e Ricardo Taveira. Foto: Butch Youmans.



Na manhã daquela segunda-feira, a baía de Waimea fechava a cada 20 minutos. Estava quase impossível varar a arrebentação, pois as ondas quebravam com muita energia. Vi um surfista quase se afogar na minha frente, enquanto esperava as séries darem uma trégua para poder remar para o pico. Ondas extremamente fortes fecharam em cima dele e o jogaram para o lado, bem embaixo das esquerdas cavernosas do canto da praia. Aquele surfista tomou tanta onda grande na cabeça que pensei que iria mesmo se afogar, mas graças a Deus ele foi cuspido do mar sem perder a consciência.

Eu assistia a tudo enquanto esperava o momento certo de cair na água. Graças aos treinamentos de respiração e apneia para o surfe — em que tenho focado e me dedicado tanto nos últimos anos — consegui me acalmar e controlar minha ansiedade nesse dia histórico aqui no Hawaii. Além de contar com toda a experiência adquirida nesses anos de treinamento intensivo, tive uma mão da sorte. Consegui varar a área de arrebentação de Waimea sem que uma série gigante fechasse todo o canal, mas confesso que estava com muito medo e minha ansiedade ia a mil.

Esquerda de Waimea Bay. Foto: Terry Reis.

Esquerda de Waimea Bay. Foto: Terry Reis.



Lá fora, o mar estava imenso. O swell marcava 19 pés com 19 segundos. Isso fazia com que as ondas, além de ficarem grandes, entrassem grossas. Não foi um swell normal. A última marcação assim foi durante a famosa temporada de El Nino em 2015/2016. Faziam 3 anos que a baía de Waimea não recebia ondulações tão fortes. Foi um swell de nível Eddie Aikau! Foi também um show de surf com pouca gente e ondas gigantes sobrando, pois muitos surfistas ali fora não quiseram as maiores do dia.

Estava realmente sinistro na parte da manhã, quando o swell atingiu sua força máxima. Entre os brasileiros presentes, estavam Alessandro Costa, Evaristo Kiko Ferreira, Daniel Skaf, Bruno Silva, Rafael Kroeff e eu. Todos concentrados, botamos pra baixo! Tive sorte e peguei várias ondas boas. Mas isso foi somente depois de conseguir me acalmar respirando profundamente pelo diafragma por quase uma hora e meia lá no pico. Só então peguei a primeira onda da minha sessão, que durou 5 horas seguidas.

Para conseguir se acalmar em situações de muita adrenalina e estresse, a ideia é fazer uma respiração padronizada, iniciando a inspiração pela parte inferior dos pulmões até o ar chegar ao peito acima e, em seguida, expirar lentamente, restringindo a saída de ar para que ele dure mais tempo dentro dos pulmões. Isso aumenta a difusão de oxigênio, melhora a oxigenação do organismo e, consequentemente, aumenta seu foco, energia e autoestima. Aí então, se você tiver de segurar a respiração por mais tempo, isso pode ser feito com mais facilidade.

É dessa forma que nos preparamos para a apneia. O que muita gente não sabe é que para poder ter uma boa apneia, é preciso focar o trabalho na respiração — o que resulta em todos os outros fatores positivos e essenciais para surfar melhor e com mais segurança.

*Ricardo Taveira é surfista, mergulhador profissional, instrutor de apneia e primeiros primeiro socorros. Atualmente, ministra cursos de apneia e sobrevivência para surfistas no Hawaii e mundo afora. Ricardo é proprietário da Hawaii Eco Divers & Surf Adventures, empresa de mergulho, surf e ecoturismo no Hawaii. A Hawaii Eco Divers oferece serviços completos de viagem ao turista brasileiro, incluindo atividades relacionadas a natureza, acomodações, aluguel de carro e assistência geral de viagem.

Saiba mais: http://hawaiiecodivers.com/pt-br/

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