Colunista Paola Simão entrevista Dudu Pedra sobre o swell bizarro em Itacoa

BODYBOARDING


 

Dudu Pedra pega uma bomba durante o swell inesperado -  Foto: Aporé

Dezembro mostra suas garras O mês de dezembro começou com um swell atípico no litoral brasileiro e foi considerado por muitos, o maior swell do ano! Diversos picos quebraram perfeitos e muitos outros, fora de controle no litoral carioca. Na praia de Itacoatiara , a ondulação de sul, entrou grande demais e não existiu quem se arriscasse num mar onde era possível se ver linhas intermináveis , desenhadas em meio oceano.

Apenas um local, se aventurou a cair no temido canto direito, chamado Pampo, o bodyboarder big rider, Dudu Pedra. Admirado por muitos por sua atitude e carisma, o local que conhece Itacoatiara como ninguém , foi literalmente conferir de perto a fúria da natureza e como entrar em plena ressonância com ela. 

Dudu é um dos experts de Itacoa  - Foto: Aporé

Além de Itacoatiara, Dudu também arriscou sua segunda caída em Piratininga, praia localizada também na região oceânica de Niterói e que foi palco do primeiro campeonato brasileiro de Bodyboard na década de 80. Em um breve bate papo com esse ídolo do esporte, Dudu nos conta o que ele sente ao buscar incansavelmente sempre os maiores swells e as maiores da série ao redor do mundo.

Itacoatiara sempre assutadora em condições extremas

1- Você esperava um swell dessa potência em pleno mês de dezembro!??
Eu tenho uma expectativa muito boa para dezembro e janeiro, já peguei swells alucinantes de lua, maré boa e com muita perfeição , mas desse tamanho não imaginava que chegaria.

2- como estava o mar ? Você realmente achou que estava surfavel ou caiu apenas para treinar seu surf, sua parte física e seu Psicológico?
Tendo um swell desse tamanho e porte , com qualquer condição no Pampo, eu sempre entro, porque sou viciado no Pampo, sempre rende uma onda boa, para imagens também. O peso daquela onda é impressionante. O mar amanheceu bem grande, com ondas surfáveis mais bem Dificil .. fiquei na dúvida se ia me dar bem ou não , mas entrei . A parte física foi 50% junto ao psicólogo. Todos me perguntam entre o físico e mente , mas ali estava muito difícil de entrar , o swell tinha acabado de encostar , então teve o psicólogo para me manter tranquilo e a força para entrar naquelas condições.

Pedra dominando uma bomba

3- o que vc sente ao cair em um mar desse tamanho sozinho?
Eu acredito muito em Deus e acredito que ele fez Itacoatiara para nós desfrutarmos desse lugar, e quando entro nessas condições eu entro com muita gratidão, pelo dom que ele me deu , pela coragem , então é um momento de intimidade com Deus,momento de oração , muito mais agradecendo do que pedindo proteção. Agradecido por entender as ondas, correntes, é como um jogo, muita água passando, eu sei que é muito perigoso, e conseguir passar por essas condições , nao é uma coisa só minha, quando estou em um mar desse tamanho e sozinho , sei que é algo muito especial e diferente , é como se estivesse conversando com Deus o tempo todo.



Espuma grande? Temos! -  Foto: Aporé.

3- O que significa Itacoatiara para você?
Tem um significado muito forte para mim,eu amo muito essa terra,são minhas raízes, meus familiares e a minha vida profissional não seria o que é hoje, se não fosse por Itacoatiara. Tenho meu nome muito associado a essa praia, aqui eu fui e sou treinado para surfar ao redor do mundo. Eu amo Itacoataira.

 4- Você também caiu em Piratininga e pegou umas bombas, como foi surfar lá nesse mar épico ( uma vez que Piratininga não quebra mais com frequência como no passado ? )

Depois de ter surfado em Itacoatiara, eu imaginei que com o tamanho desse swell , iria ter umas ondas bizarras lá no canto de Piratininga, que é muito parecido com o Pampo, e fui lá checar com o fotógrafo Aporé de Paula. E realmente estava bem grande como eu nunca vi. Na verdade eu vi uma vez muito clássico quando eu tinha 15 anos , mas não estava desse tamanho, então decidi surfar pois já sabia que íamos fazer uma foto histórica. Até os salva vidas começaram a apitar quando comecei a entrar , achando que poderia ser um leigo e realmente o mar estava muito perigoso , eu acionei a eles dando um tchau(óbvio sempre respeitando eles), mas depois que eles viram eu furando onda e remando eles ficaram mais tranquilos assistindo. Vieram altas ondas, infelizmente não consegui um manobrão, mas consegui pegar uma bomba bem em pé , uma onda muito power que lembra muito o Pampo. Niteroi é sinistro , porque em um raio de 5km tem um potencial de ondas que dificilmente você encontra no Brasil, realmente nós somos muito abençoados .

Dudu Pedra - Foto> Aporé

5- Planos para 2020 ?
É sempre uma dúvida pra mim planejar algo durante todo ano, porque eu gosto de onda grande, eu amo viajar para surfar onda grande, na verdade essa é a minha raíz. Sempre me destaquei nesse tipo de condição, nesse projeto de freesurf. Mas em 2019 eu fui muito bem nas competições também, terminei entre os 8 melhores do mundo e estou em dúvida se vou competir ou fazer as trips de freesurf, ainda não decidi isso , se possível fazer um pouco dos dois. Tem um tempo que não vou ao México. E duas coisas que estão na minha mente , é surfar Jaws no início do ano e no meio do ano, tentar pegar umas bombas no México.

Dudu cavando na base - Foto: Aporé

6- Outro lugar no mundo que vc ama surfa e tem potencial parecido c Itacoatiara?
Acho que o Hawai tem um pouquinho de vantagem entre vários outros lugares que eu acho animal como El Fronton, nas Ilhas Canárias , México, dentre outros. No Hawai, as últimas vezes que eu fui, eu consegui pegar altas ondas em Pipeline, Backdoor. Cada vez que vou mais, tenho mais respeito da galera e consigo me posicionar melhor e surfar bem lá. Então o Hawai é um lugar muito especial e que me da muito prazer de voltar sempre. 

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