Entrevista exclusiva: Felipe Gordo Cesarano dropa no Ricosurf.com

BIG SURF


 

Gordo pegando uma bomba em Nazaré -  Foto: Red Bull

Conversamos com o big rider carioca Felipe “Gordo” Cesarano sobre sua carreira, desafios, futuro, entre outros assuntos. Conhecido por sua irreverência, Gordo vem galgando degraus se consolidando como um dos principais nomes do big surf mundial. Seu desempenho nas chamadas ondas de conseqüência, além de um ótimo faro para os tubos, são alguns de seus diferenciais. Confira a entrevista na íntegra. Vale o drop!

1 - Ricosurf - como está seu planejamento para o restante desse ano?
Meu planejamento é fazer uma trip para Mentawai com minha namorada. Depois focar em algum big swell em Nazaré e na sequência temporada havaiana.

2 - Ricosurf - Qual foi o melhor swell que você surfou esse ano?
Na última temporada havaiana, acabei nem indo para Jaws. Fiquei bastante em casa. Fui em Puerto, mas a sessão que eu mais gostei por enquanto foi no Shock em Itacoatiara.

Gordo domando Puerto  -  Foto: arquivo pessoal

3 - Ricosurf - Fale um pouco sobre a sessão que você pegou em Puerto Escondido?
Chegamos em Puerto com uma previsão apontando para ondas bem grandes. Mas a ondulação não entrou com a melhor direção. Ficamos um pouco frustrados. Deu uns 15 pés no máximo. Depois do campeonato entrou uma ondulação gigante. Puerto passou de 10 pés você pode considerar onda grande porque não tem canal, é buraco, e sempre um treino animal.

4 - Ricosurf - Como você está de equipamento?
Para nós que moramos em um país que não tem tradicionalmente ondas grandes, é um pouco complicado. Porém tenho uma parceria muito legal com a Rusty e a Teccel, e com isso consigo manter meu quiver em dia. Faço minha sequência de gunzeiras, testo elas no Havaí e vou ajustando os detalhes para o ano seguinte. Então estou super bem de equipamento.

5 - Ricosurf - Você tem praticado outras modalidades, como foil, por exemplo?
Eu ja tentei foil uma vez, fiz bastante kite. Mas sou viciado em surfe e no jiu-jitsu. Agora comecei a fazer alguns saltos livres. É um esporte que te deixa pobre porque é caro pra caramba. Mas não tem nada melhor que você cortar o céu, surfar no céu! Então agora estou praticando o surfe na água, o jiu-jitsu no solo e o sky dive no céu.

Gordo em Waymea -  Foto: Bidu

6 - Ricosurf - Quais são os big riders que te inspiram atualmente?
Qualquer surfista que queira vencer o medo e que eu sinta no olhar que gosta dessa adrenalina, já está me inspirando. O surfe de ondas grandes vem de muitas gerações. Tivemos a geração do Renan Pitanguy, depois Eraldo e Burle e, sem desmerecer ninguém, tivemos uma lacuna de 20 anos, até chegar na minha geração. E eu tenho mais 10 anos que a nova geração, com Lucas Chumbo, Calado, Lucas Silveira. Eles aprenderam muito com a minha geração e hoje eu aprendo assistindo eles. Hoje eles chegaram com tudo bombando: coletes, pranchas melhores etc. O Calado, por exemplo, antes de ir para Sunset, surfou em Jaws. Então está sendo muito legal ver tudo isso acontecendo de perto.

7 - Ricosurf - Qual seu principal objetivo como surfista de ondas grandes?
Meu maior objetivo como surfista de ondas grandes é saber qual é meu limite, saber até aonde eu consigo ir. Já tiveram inúmeras situações que eu fui meio às escuras, entrei no mar pensando: putz, pode ser que eu morra aqui, porque acho que não estou preparado. Mas acabou que peguei uma das grandes do dia e saí vivo. Quero continuar me testando, quero ver até onde eu consigo ir. Pode ser que um dia eu olhe um mar e pense: “Pra mim já deu! Esse aqui é meu limite, não quero mais. Mas por enquanto isso ainda não aconteceu.

Gordo em uma vaca cabulosa em Teahupoo -  Foto: arquivo 

8 - Ricosurf - Fale um pouco sobre seu treinamento: dentro e fora da água…
Sobre treinamento para ondas grandes. Acho que não tá na cultura do surfista fazer natação. Porem é o treino mais importante que você pode fazer. Já tem alguns anos que faço esse treinamento na Acquafitness - apneia dinâmica e natação. Não tem jeito, tem que estar com o fôlego em dia, tem que estar nadando. Porque quando você perder a prancha, não adianta fazer cross fit ou saber dar ARMLOCK.

9 - Ricosurf - Você acompanha o circuito da WSL? Caso sim, qual o surfista que você mais gosta?
Sobre o WSL, eu gosto de acompanhar em alguma onda que eu admiro. Gosto principalmente das ondas que eu curto mais: Teahupoo, Pipe e a piscina do Kelly. Como eu passei a minha vida inteira acompanhando o Kelly, não perco uma bateria dele. Também gosto muito de ver o Medina, Filipinho e Ítalo. Basicamente são esses personagens que prendem minha atenção no Tour.

 

Gordo com seu parceiro das antigas Pedro Scooby há cerca de 20 anos -  Foto: arquivo pessoal

10 - Ricosurf - Que dica você daria para quem pretende se consolidar como big rider?
O que eu posso dizer para essa galera que tá começando agora, tem que viajar, tem fazer por amor. Seu único motivo para pegar onda grande tem que ser o amor… gostar e curtir realmente pegar ondas grandes. Não pode ser por fama, por dinheiro ou porque não deu certo em algum outro segmento e agora quer mudar porque é legal. Não adianta porque não vai. Meu conselho é treinar e se jogar. Tem muita gente que viaja o ano inteiro para aquela onda e torna-se um especialista ali. Mas em outra onda ele não consegue surfar. Então você tem que surfar vários tipos de ondas, várias condições e, claro, se preocupar com a segurança. Saber se seu equipamento está ok, se há um resgate capacitado. No mais, se joga, vai com tudo. E para reforçar, tem que gostar mesmo! Se tu gosta, só vai!

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