Entrevista exclusiva com Lucas Silveira

O brasileiro Lucas Silveira segue em sua luta para a conquista de uma vaga na elite do surfe mundial, o Championship Tour (CT)


O brasileiro Lucas Silveira segue em sua luta para a conquista de uma vaga na elite do surfe mundial, o Championship Tour (CT). Em sua última temporada 2021, o carioca atualmente radicado em Floripa, bateu na trave, finalizando o ranking do Challenger Series ( que classifcou 17 atletas), na 19ª - empatado com Mateus Herdy e Michel Bourez.

Lucas, que tornou-se Campeão Mundial Pro-Junior em 2016, tem como ponto forte o "Power Surf" sempre com manobras fortes, bem definidas e jogando muita água. Na entrevista abaixo e fala sobre seus erros, acertos, pranchas, planos para 2022 e muito mais. Vale a pena conferir.

Gerson Filho - Se você pudesse mudar alguma coisa no planejamento de 2020/2021, o que faria?
Lucas Silveira - Sobre o planejamento para 2020, 2021, foi uma temporada muito atípica porque não tínhamos certeza sobre a realização dos evento e inclusive quando o Challenge Series 2021 foi lançado, eu ainda não tinha vaga garantida. Então eu vim saber que estava dentro da etapa de Huntington uma semana antes. Eu estava no México de onde fui direto para a Califórnia e então foi bem indo no flow, e isso de uma certa forma acabou me ajudando dentro do Challenger Serie. Depois como eu fui bem nos primeiros eventos, acabou que eu gerei uma pressão extra.



Gerson Filho - Na sua opinião, qual foi seu principal erro para não ter conseguido a classificação para o CT 2022?
Lucas Silveira - O principal erro para não ter entrado foi na última etapa ali no Havaí foi erros assim táticos bem claros, não consegui lidar muito bem com a pressão minha mesmo em cima de mim...não no surfe, eu não tava assim tão pesado, as ondas que eu peguei consegui surfar bem. Foi mais a escolha de ondas e a estratégia ali com a prioridade, cometi uns erros muito bobos que eu não costumo cometer e acabei fazendo alguns seguidos numa bateria que tava bem forte e foi bem na hora errada.

Gerson Filho - Que tipo de sentimento a não classificação gerou em você?
Lucas Silveira -
Ah não classificação gerou uma mistura de sentimentos enorme. Foi um momento bem emotivo ali no dia que perdi e no dia seguinte. Mas me ensinou muitas coisas também. Acho que no geral me ajudou bastante, aprendi muito com essa experiência de lidar com a decepção e seguir em frente. Então acho que como pessoa foi bastante positivo.

Lucas entocado  - Foto: Bad Filmer/divulgação

Gerson Filho - Qual a principal mudança você pretende implementar em sua carreira para o próximo ano?
Lucas Silveira
- Acho que a principal vai ser pessoal, familiar. Tenho uma filha vindo ai, então acho que a prioridade total será para a minha família, que é o mais importante. Então vou procurar estar ao máximo ao lado deles. Vou organizar melhor as viagens que em 2022 serão mais voltadas para os principais campeonatos, e não farei tantas viagens de freesurf. A ideia é conciliar os treinos e as competições com o máximo de tempo possível com a família.

Gerson Filho - Até que ponto suas lesões o prejudicaram, e o que tem feito para tratá-las e evitá-las
Lucas Silveira
- A lesão séria que tive foi quando quebrei a tíbia, no final de 2019. Foi uma lesão bem séria, precisei fazer cirurgia, mas a recuperação foi rápida e acabou que a recuperação foi bem quando chegou o COVID, então as primeiras etapas de 2020, que acabou que contaram no ranking desse ano, eu estava voltando a surfar e estava longe de estar cem porcento, e talvez isso tenha me prejudicado de alguma forma, mas não tem como ter certeza é mais um "si" que pode ter atrapalhado alguma coisa pelo timing e pelo formato que aconteceu esse ano. Mas no geral só me ajudou a evoluir, inclusive no surfe, pois acho que estou surfando bem melhor agora do que antes de me lesionar, então tem o lado positivo a tirar dessa fase também.

Lucas destruindo uma junção em Huntington - Foto:  Kenny Morris

Gerson Filho - Atualmente você compete com as pranchas de quais shapers?
Lucas Silveira
- Durante os Challenger Series eu usei bastante a Mayhem da Lost, tive algumas pranchas bem boas. Tenho usado as pranchas dele há bastante tempo. Durante a pandemia, que não dava pra viajar, acabei usando pranchas de shapers brasileiros. Usei boas pranchas do Joca Secco. Mas não tenho um shaper exclusivo e prefiro ter sempre várias opções.

Gerson Filho - Como você tem trabalhado a questão das manobras aéreas?
Lucas Silveira - Eu tenho treinado bastante manobras aéreas...ta em evolução. Hoje mesmo voltei de alguns aéreos bem legais, mas eu acredito que do jeito que o critério vem se apresentando não vale a pena pra mim me preocupar muito com a parte aérea, porque eles estão muito críticos com os aéreos. Você vê os aéreos do Gabriel Medina, do Ítalo, do Yago, e você perecebe que para o aéreo ser valorizado tem que ser um aéreos muito sinistro, como eu inclusive nunca mandei na vida e às vezes uma combinação de duas manobras fortes, que é o meu forte, você faz a nota parecida. Então pensando em competição, e idéia é polir, deixar mais forte e com mais velocidade meu power surfe.

Lucas treinando nas direitas perfeitas de Jeffre´s Bay - Foto: @mrimagesjbay

Gerson Filho - Você segue sem patrocinador principal, confere? Você pretende seguir representando sua própria marca a "Hammer Tales"?
Lucas Silveira - Sigo sem patrocinador principal. A marca Hammer Tales nasceu como algo bem experimental. A gente começou com o canal do Youtube e ai fizemos umas primeiras camisetas, e tivemos um feedback bem legal da galera. Mas tá bem devagar, não tenho muito tempo para me dedicar à marca. Pretendo seguir fazendo, mas não é prioridade do momento, nem minha nem do Bad Filmer, meu sócio. Mas a ideia é continuar fazendo e crescendo o conceito e quem sabe no futuro vire uma marca maior. Estou aberto à oportunidades de patrocínio.

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