Entrevista: Patrick de Souza, arte e surfe em comunhão

ENTREVISTA


 
 
 
 
 

Patrick durante as gravações de seu último clipe -  Foto: Paulo Mendes

 
Confira uma entrevista exclusiva com Patrick de Souza, 20 anos, filho mais jovem de Rico de Souza, que está enveredando na carreira artística através da música. Patrick compõe, pinta quadros, surfa e segue seu caminbo em busca de sua verdade. Na entrevista abaixo ele fala de filosofia, fama, espiritualidade, entre outros assuntos. Patrick mostrou maturidade e saber em que direção quer remar. Vale conferir. 

Ouça o som de Patrick: https://ps.onerpm.com/8341190405
 
Ricosurf - Como começou seu interesse pelas artes em geral, já que você compõe, toca violão, pinta quadros…?
 
Desde pequeno eu tenho uma veia artística muito forte seja na pintura, no desenho. Tenho uma tia, a Cristina, que me influenciou muito. Ela sempre trazia algo pra mim relacionado à arte. Me mostrava esculturas em barro, desenhos, e eu passei por cada uma dessas fases e hoje em dia me encontrei na música. Antes de saber tocar violão, eu já gostava de escrever. Escrever sobre a minha verdade, sobre a maneira a qual eu via o mundo, sobre as minhas crenças. E eu acho que isso se reflete na minha música. De certa maneira. Meu direcionamento não é comercial. É óbvio que você tem ter um lado mais pop para sobreviver no mercado, mas ao mesmo tempo, a ideia é não deixar de ser quem você é para fazer sucesso.




Patrick no melhor estilo Aloha -  Foto: Paulo Mendes

 - Ricosurf -  E como é seu processo criativo?
 
Cara, cada música é muito particular. Vou te falar que existem algumas que vem a harmonia primeiro, outras eu simplesmente fico brincando com a melodia sem ter alguma coisa fixa. Não tenho um processo. Mas sempre acho que temos que prestar atenção nos detalhes, nas metáforas, nos brilhos que a letra traz. Apesar de os beats mais famosos ficarem marcados pelo som, eu acho que a mensagem que a gente leva, é a alma da música.




Cavando com estilo na Indonésia -  Foto: arquivo pessoal

 - Ricosurf   - Você já fez alguma parceria em uma canção?
 
Eu sempre faço a melodia e a letra normalmente. Mas atualmente venho desenvolvendo parcerias nas quais escrevo junto a algum parceiro. É um tanto difícil, porque você tem que ter uma sintonia muito grande com a pessoa. Às vezes a gente tenta algo junto e não sai nada. E outra vezes, rola uma troca via Whatsapp, e a coisa flui.
 
 - Ricosurf - Referências na música?
 
É bem difícil falar porque eu ouço de tudo. Tem épocas que estou ouvindo Pink Floyd, outras estou escutando Lenine, João Gilberto, Caetano. Todas as minhas músicas sofrem influencias dos grandes artistas da MPB, do Rap e do Rock. Mas o que eu acho muito interessante, é seguir a sua vibe. Inclusive meu produtor, Anderson Caetano, sempre me fala que está todo mundo indo para a área do Trap, do Rap, e isso não é muito a minha praia. Eu não vou deixar de ser quem eu sou, para seguir um caminho da moda.

Patrick na Praia da Macumba -  Foto: Fedoca

 
 - Ricosurf - E você tem um bom retorno das pessoas da sua geração?
 
Eu vou te falar que a moda é o rap. Mas existem as pessoas da minha idade que escutam e gostam de músicas com uma certa brasilidade, digamos assim. Até alguns amigos que escutam rap direto, quando tem contato com as minhas músicas, curtem. Eu lancei uma música chamada “Um Beijo tão doce” só com voz e violão. Fiquei sem saber o que esperar, mas muita gente elogiou. Essa calma trouxe um retorno muito bom através da simplicidade.
 
 - Ricosurf - Você conseguiria definir seu estilo musical?
 
Não gosto de definições. Como diz a frase: “Quem se define, se limita”. Mas num panorama geral, minha música é Pop. As vezes com influência da MPB, outras para o Rock, algumas vezes reggae. Mas é uma música Pop. Esse meu novo trabalho tem essa multiplicidade de influencias, dentro de todas as vertentes da música. E acima de tudo, o “groove” que faz a música ficar na cabeça.




Patrick faza a curva em Portugal -  Foto: arquivo pessoal 

 - Ricosurf -  Qual o instrumento que você mais curte?
 
Meu instrumento é o violão. Gosto de tocar Cajon, brincar de percussão. Tenho vontade de aprender a tocar piano. Acho lindo piano clássico.
 
 - Ricosurf  -  E como o o surfe se encaixa na sua arte?
 
Minhas primeiras músicas, eram músicas de um menino de 10, 11 anos de idade. Elas falavam da minha realidade. Que era a realidade de ver meu irmão viajando o mundo, de ver meu pai viajando todo ano para o Havaí, às vezes me levando. O surfe e a natureza sempre estiveram muito presentes em minha vida. Assim como o Natiruts, que é uma grande referência para mim. Eles escrevem muito sobre a natureza e toda essa positividade. E hoje em dia eu olho para as minhas músicas antigas, que aliás nunca lancei, mas pretendo, e acho elas incríveis. Foi uma fase que me trouxe até o amadurecimento das ideias e hoje poder falar: “agora sim vou lançar meu trabalho profissional”



Patrick e seu violão  -  Foto: Paulo Mendes 

 - Ricosurf - Se tiver a prancha e o violão, para onde você vai?
 
Cara, não tem como separa-los. Sabe aquele clichê, de que o surfista “desenha” na onda. A vibração do violão. O som e o mar tem ondas. É clichê mais é real.
 
 - Ricosurf -  Que tema tem te inspirado em suas composições?
 
Eu gosto muito de escrever sobre o Amor. Todo tipo de Amor. As vezes mais romantico (eros) entre duas pessoas, outras vezes (ágape) pela Humanidade. O amor tem muito a acrescentar no mundo. E se você canta algo, tem que acreditar nisso.




Patrick cava com estilo -  Foto: Fedoca

 - Ricosurf - Que tipo de livros você gosta de ler?
 
Eu odiava ler. Era bom em matemática, física, as exatas. E deixava as humanas um pouco de lado. Tive uma professora de filosofia que abriu meu mundo. Ela ficou só um ano, mas foi aquela coisa enviada pelo Universo para abrir nossos caminhos. E hoje em dia eu amo ler, principalmente filosofia e espiritualidade. Acho que isso acrescenta muito na minha maneira de ver o mundo e na minha música.
 
 - Ricosurf - Como você lida com a fama? Seu pai e seu irmão são famosos. E se você ficar famoso?
 
Eu tenho medo da fama. Não por esse negócio de não poder andar na rua sem ser parado, estar sempre sob os holofotes. Mas pelo sentimento que ela pode vir a provocar dentro da gente. É uma prova muito grande você continuar sendo autêntico, famoso. Qualquer um de nós poderia passar por essa prova. A gente nunca se conhece por completo, pode acontecer com qualquer um. Mas eu acredito profundamente que a fama não pode ser o seu motor. Ela não pode ser seu fim, mas sim o seu meio para levar a sua mensagem. E é justamente essa questão de levar o amor, de você provocar um sentimento bom em alguém através da sua música. Ou até uma música triste que combine com o sentimento, mas que cause uma identificação com quem ouve. Usar a fama de uma maneira funcional. Como meu pai faz, chamando atenção para causas importantes como a preservação da natureza, a importância da educação, entre outras. É uma grande responsabilidade ser famoso.
 

Patrick amarradão em seu quintal de casa, Grumari -  Foto: Paulo Mendes 

 - Ricosurf - O que você diria para um jovem da sua idade que está lendo essa entrevista?
 
O que eu falaria para todas as pessoas é acreditar nas suas próprias verdades. Porque a gente acaba sendo muito influenciado pelo todo, mas muitas vezes esse “todo” não está certo. As vezes é uma certa inconsciência coletiva. Siga o certo que faz sentido pra você, aquilo que faz seu coração vibrar. Quem está certo: quem mora no mato, ou quem mora na cidade? Existe as duas verdades. Eu acho que o equilíbrio é a mensagem.
 
 
 
 

Comentários