Exclusivo: Raquel Heckert dropa no Ricosurf

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O Ricosurf conversou com a big rider brasileira  Hackel Heckert. Nascida em Niterói, atualmente ela se divide entre o Brasil e o Havaí, onde tem buscado se aperfeiçoar no surfe de ondas grandes. No último dia 7 de janeiro a brasileira pegou uma bomba em Phantons, outer reef havaiano, no qual mostrou muita atitude e talento. Abaixo você poderá conferir uma entrevista exclusiva com a surfista.

Gerson Filho - Há quanto tempo você reside no Havaí?
Raquel Heckert: Nos últimos 5 anos, eu passo de 5 a 6 meses da temporada aqui. E depois vou pro Brasil e as vezes vou pro México quando tenho competição lá. Este ano de 2020, foi a primeira vez que eu fiquei um ano inteiro aqui no Havaí sem sair. Por causa do Covid, mas também porque estou aplicando o green card, para quem não sabe eu casei dois meses e meio antes da pandemia surgir.

Raquel em Jaws - Foto: arquivo pessoal

Gerson Filhoi -Qual é seu principal objetivo como big rider?
Raquel Heckert: Meu objetivo é ser melhor a cada swell. A cada vez que eu for surfar eu quero ser melhor que antes. Quero explorar mais ondas grandes pelo mundo e pegar mais tubos em ondas grandes na remada. Esta temporada estou competindo o Red Bull Magnitude, sou a única brasileira no momento competindo, por causa do Covid as meninas não puderam vir ainda. Estou me esforçando para dar o meu melhor! Quero muito vencer esta expression session. Eles irão nos filmar nos dias bem grandes. Sigo torcendo para que eu esteja preparada no lugar certo e na hora certa. Orando a Deus para que me proteja e que me der força, foco e perseverança para dar o melhor de mim.

 
Gerson Filho-Você vem surfado com pranchas bem grandes, fale um pouco sobre a adaptação a esse tipo de equipamento e trabalho que você desenvolve com seu shaper?

Raquel Heckert: Sim, para surfar outterreef, Waimea, Jaws precisamos de pelo menos uma 10’0. Fica complicado usar uma prancha menor que isso em dias grandes aqui no Havaí. No momento eu não tenho apenas um shaper, tenho alguns que me ajudam. Um shaper brasileiro que tem me ajudado aqui é o Merrê, e inclusive esta esquerda que eu peguei neste outterreef foi com a 10’3 que ele shapeou e me deu. É uma das minhas pranchas favoritas. Estou querendo fazer uma outra menor com ele e uma maior para Jaws.

Raquel vem se aprimorando em Pipe - Foto: arquivo pessoal

Gerson Filho -Você acredita que Pipeline seja uma espécie de "última fronteira" para as mulheres se consolidarem no big surfe?
Raquel Heckert: Têm muitas meninas que surfam ondas grandes que não surfam Pipeline. E têm muitas mulheres que surfam muito bem em qualquer outro lugar, que também não surfam lá. Eu acredito que o maior motivo é o crowd, é o mais agressivo do mundo. Não é porquê elas não podem, e sim por falta de oportunidade no pico. Seria muito bom se a WSL ( World Surf League ) colocasse todos os anos as mulheres para competir em Pipeline, criaria mais confiança e daria mais oportunidades a elas e incentivo de pegar tubos ali.

Retrato por Titus Haug

Gerson Filho -Qual foi a situação mais perigosa que você já passou?
Raquel Heckert: Bom! Já tive muitas! Hahaha difícil pensar em uma apenas. Teve este campeonato em Jaws que eu não consegui pegar nenhuma onda, só tomei uma série de sei... lá uns 45 pés na cabeça; e eu e todas as meninas que estavam na bateria tivemos nossas pranchas partidas em pedaços, perdidas no cliff. Eu nunca fui tão fundo na minha vida, inflei a veste e mesmo assim tive que andar bastante para voltar a superfície. Justine DuPont teve que ir direto pro hospital com aquela onda, torceu ligamentos do ombro e joelho e Paige Alms machucou os tímpanos, foi violento! Logo depois das baterias das mulheres eles só rolaram uma dos homens e cancelaram o campeonato porque tinha muita energia, vento, fora de controle. Dia para tow in. Haha Graças a Deus, correu tudo bem comigo. Mas foi sinistro!

Raquel em Sunset - Foto: Instagram 

Gerson Filho - Qual é sua onda preferida?
Raquel Heckert: Eu não tenho apenas uma, acho que tenho várias dependendo do tamanho e da direção. Gosto do lugar que esteja funcionando, o que tenha a melhor direção para o swell, e preferencialmente menos crowd possível. (Tirando Pipe, que e quase sempre super crowd)

Gerson Filho -Já surfou ou pretende surfar em Maverick´s, Nazaré e Jaws?
Raquel Heckert: Já surfei Maverick´s, dois dias de swell. Nazaré nunca surfei e Jaws várias vezes. Adoraria surfar Nazaré, mas preciso de uma equipe de tow in e provavelmente patrocínios para conseguir bancar todas as despesas de lá. Surfar na remada sai mais barato, por isso não tive tanta condição de fazer tow em Nazare ainda.

Raquel durante a cerimônia do Eddie Aikau - Foto: Instagram 

Gerson Filho- Você conta com patrocinadores atualmente?
Raquel Heckert: Não.

Gerson Filho: Fale sobre seu treinamento para pegar as bombas...
Raquel Heckert: Eu malho, para que eu tenha músculos que protejam de lesões e pra que eu tenha força. Corro na areia, faço trilhas e quando não tem onda treino apnea. Mas acho que meu melhor treinando para surfar onda grandes é surfando, quando mais tempo eu passo surfando me sinto mais preparada! E mantenho minha mente tranquila quando vou tomar série grande na cabeça.

Gerson Filho- Na sua opinião, existe algum tipo de preconceito para com as mulheres no big surfe?
Raquel Heckert: Acho que tem melhorado muito nos últimos anos, graças a Deus. Vejo as pessoas cada dia mais respeitando as mulheres. Ainda vejo alguns caras que nunca surfaram Waimea, remarem do canal para baixo de mim só porque me viram remando em algumas onda, então acham que se eu estou indo eles conseguem ir também, que acho falta de respeito porque acabam me atrapalhando, mas no geral está cada dia melhor.

Gerson Filho - Quem te inspira no esporte?
Raquel Heckert: Têm tantas... homens e mulheres, vou dizer alguns: Lucas Chumbo, Kai Lenny, Pedro Calado, Justine DuPont, Keala Kennedy, na real todos os meus amigos que surfar onda grande me inspiram muito.

 

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