Exclusivo: Raquel Heckert fala de seu momento direto do Havaí

GO BIG!


 

Raquel Heckert  - Foto: arquivo

Confira uma entrevista exclusiva com Raquel Heckert, brasileira que atualmente reside no Havaí e vem se destacando em mares realmente grandes. Na entrevista ela fala sobre equipamento, a revolução das mulheres surfando Pipeline, equipamentos, entre outros assuntos. 

"Recentemente eu, keala Kennedy, Bianca e outras surfistas do Havaí fomos no tribunal aqui da ilha para lutar pelos nossos diretos das mulheres, pedir para retornar os eventos de Pipeline, Sunset e Haleiwa e os QS." 

Gerson Filho: Fale sobre sua rotina atual:
Raquel Heckert: Eu me encontro no North Shore- Oahu. Estava competindo o Triple Crown online, onde fiquei com o décimo lugar no Ranking. Participei do Red Bull Magnitude, campeonato de ondas grandes feminino on-line do Havaí, no qual estou aguardando os resultados. Também estou participando do WSL Awards, irei inscrever minhas ondas na categoria de maior remada e melhor performance feminina. E passei a temporada aqui também esperando pelo Eddie Aikau que acabou não rolando, no qual me encontro na segunda posição de lista de espera ( sou a segunda alternate das meninas).

Raquel  em Waymea- Foto: Maria fernanda

Gerson Filho - Já chegou a fazer alguma sessão em Nazaré, tem planos para ir?
Raquel Heckert: Ainda nunca fui para Nazaré. Quero muito ir, mas você tem que ter grana ou patrocínio.

Gerson Filho - Como você está em termos de equipamento?
Raquel Heckert: Eu no momento não tenho nenhum patrocínio, nenhuma marca que me proporcione pagar as contas, custos de viagens de campeonato, strike missions, dia de tow in ou treinos. Mas tenho um apoio de deck e leashes da Creature of Leisure do Estados Unidos. E tenho também apoio de prancha de algumas pessoas que moram aqui no Havaí, que geralmente fazem pranchas a preço de custo. Um é o querido Merrê shaper brasileiro que mora aqui no Havaí. Ele me oferece o melhor desconto entre o shapers daqui. Só pago a laminação. Duas das guns que amo, ele que me deu.  Grata por ele poder me ajudar da melhor forma possível! Myers e North Alliance também me apoiam, pago apenas o material: Bloco e laminação. Para fazer uma gun aqui no Havaí, sem nenhum tipo de apoio ou patrocínio de prancha, custa em torno de 1.000 a 1.200 dólares, que é preço de um carrinho aqui. Pranchas menores 500 a 800 dólares. É bem caro ser surfista profissional.

Raquel com uma de sua guns do shaper brasileiro Merrê - Foto: arquivo pessoal

"Para fazer uma gun aqui no Havaí, sem nenhum tipo de apoio ou patrocínio de prancha, custa em torno de 1.000 a 1.200 dólares, que é preço de um carrinho aqui. Pranchas menores 500 a 800 dólares. É bem caro ser surfista profissional."

Gerson Filho Você tem algum planejamento que vise o Prêmio Brasileiro Ocyan de Ondas Grandes?
Raquel Heckert: Sim! Estou tentando juntar dinheiro para conseguir comprar a passagem para ir ao Brasil para a noite de entrega dos prêmios, que parece que será no dia 8 de abril. A ideia é estar aí na premiação, ver a família, treinar e surfar algumas ondas para inscrever para o Brasileiro de Ondas Grandes desta próxima temporada de inverno. E quem sabe rola de trabalhar com algumas marcas e quem sabe fechar algum patrocínio… seria uma benção!

Raquel mostrando técnica em Pipeline - Foto: arquivo pessoal

"Imagina por mais de 20 anos os homens não tivessem campeonatos de Pipeline, só a mulheres? Quanto oportunidades de pegar ondas, de criar confiança elas teriam, para os dias que tem 100 pessoas na água?"

Gerson Filho Quais ondas no Brasil você apontaria com potencial para possíveis vencedoras do Prêmio?
Raquel Heckert: Tem várias… algumas que vem na minha cabeça agora são: Itacoatiara, Cardoso, laje de Jaguaruna, pontal do Leblon.

Gerson Filho Que tipo de preparação física você tem feito para pegar as ondas grandes?
Raquel Heckert: Surfo praticamente todo dia, faço treino físico em casa duas vezes na semana ou mais. Sempre estou fazendo trilha, mergulhando, faço treinos de apneia com amigos quando está flat. Sou uma pessoa bem ativa e amo estar no mar, mesmo minúsculo ou gigante. Haha acho que isso ajuda muito.

Raquel ( prancha azul) em Waymea - Foto: Shannon Reporting.

Gerson Filho - Qual foi o maior mar que você surfou em 2022?
Raquel Heckert: Foi um esquerda em um outterreef aqui no Havaí, foi o maior mar da temporada.

"Eu e minhas amigas sofremos muito, muita descriminação por sermos mulheres surfistas. Infelizmente, a maioria das marcas e a mídia no passado só queriam sensualizar a mulher ao invés de investir no futuro do esporte delas"

Gerson Filho - Na sua opinião, o que representa para o surfe feminino disputas em ondas como Pipeline, Sunset?
Raquel Heckert: Acho que representa igualdade. Se as meninas não tem a mesma oportunidade que os homens de competir em condições épicas e sem crowd as pessoas não podem esperar os mesmos resultados de performances. Eu cresci sempre tendo uma premiação inferior ao dos homens, a hora da bateria no pior momento do mar. Cresci lutando, implorando para ter bateria feminina. Recentemente eu, keala Kennedy, Bianca e outras surfistas do Havaí fomos no tribunal aqui da ilha para lutar pelos nossos diretos das mulheres, pedir para retornar os eventos de Pipeline, Sunset e Haleiwa e os QS. E agora é praticamente ilegal ter um evento de surfe sem categoria feminina no Havaí. Imagina por mais de 20 anos os homens não tivessem campeonatos de Pipeline, só a mulheres? Quanto oportunidades de pegar ondas, de criar confiança elas teriam, para os dias que tem 100 pessoas na água? É justo que todos tenham a mesma oportunidade para que possam mostrar o que são capazes, tanto quanto os homens. Poucas pessoas sabem como é quase impossível e pegar uma onda boa em Pipeline hoje em dia. Tendo eventos que as mulheres podem surfar sozinhas, sem ter 50 cabeças querendo tirar a onda de você, faz muita diferença na sua evolução, performance e confiança no pico. Quanto mais onda você pega em um lugar melhor você surfa aquele lugar. Eu e minhas amigas sofremos muito, muita descriminação por ser mulher surfista. Infelizmente a maioria das marcas e a mídia no passado só queriam sensualizar a mulher ao invés de investir no futuro do esporte delas. Colocando o foco na aparência ao invés de valorizar o surfe das meninas e incentiva-las para que elas tenham o mesmo espaço que os homens. Cresci sem o profissional brasileiro apenas competindo os campeonatos locais. Não foi fácil chegar até aqui, quem é mulher surfista profissional até hoje teve que lutar muito e persistir muito para continuar fazendo que ama mesmo sem muito incentivo e apoio. Soa pesado ahah mas foi e ainda difícil para muitas atletas brasileiras.

Raquel em Jaws -  Foto: Maui Cartel

Gerson Filho - Existe algum lugar que você ainda não surfou, que está planejando ir?
Raquel Heckert:  Nazaré, Chile, Tahiti, sul da Africa, El Salvador, Nicaragua e Marrocos.

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