Surfe feminino: Yanca Costa dropa no Ricosurf

FEMININO


 

As ondas do Recreio atraem surfistas do Brasil inteiro -  Foto: Luciano Cabal

O Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste Carioca, tem algumas características únicas. Entre elas a quantidade de ondas que vão desde a Reserva, que conta com vários fundos de pedra, passando pelos postos 10 e 11 do Recreio, seguindo pelo Canto do Recreio, Farofa, Macumba, CCB 8w, CCB Curvão, CCB, CCB Secret, Prainha, Grumari e, coroando a sequência, Guaratiba.

Além das ondas, o Recreio é uma babilônia que recebe bem todas as tribos, estilos e pessoas oriundas de toda a parte do mundo. Entre os atletas que moram, passaram e passam pela região, podemos citar Silvana Lima, Heitor Alves, Jerônimo Telles, Claudio Emerick, Flávio Costa, Marcelo Freitas, Alexandre Andrade, Milton Morbeck, Adilton Mariano, Claudemir Lima, André Silva, Gabriel Pastori, André Pastori, Gabriel Garcia, Felipe Gordo Cesarano, Angelino Santos, Samuel Igo, Olimpio Bastista, Carlos Burle,  Alexandre Almeida, Gustavo Fernandes, Eric de Souza, Yuri Sodré, Rodrigo Resende, Phil Rajzman, Mainá Thompson, Maya Gabeira, Rico de Souza, Joinedile do Valle, Alex Blau, Leandro Bastos,  entre vários outros fazem parte da lista de usuários das pistas da Z.O carioca.


E na safra atual, temos ótimos surfistas. Entre as mulheres, destaque para a cearense Yanca Costa, 20 anos. Yanca representa o Rio de Janeiro em competições de caráter nacional. Com o surfe rápido, criativo e fluido, a jovem menina conseguiu conquistar seu lugar entre o concorrido crowd do Recreio e adjacências. Yanca está sempre na água, sorridente e arrepiando. Ela explica que teve que interromper seus treinos por causa da pandemia.

Yanca mostra base na rasgada - Foto: Wow fotos.

“No começo da pandemia eu fiquei de quarentena durante dois meses, e nesse período treinei em casa. Meus treinamentos físicos são comandados pelo Gabriel Ferrão, que me passa as séries e todo o treinamento fora d’água”, diz a surfista que conta com importantes títulos em sua carreira, entre eles: campeã carioca, vice campeã brasileira, vice campeã Pro Júnior da WSL South America.

Seu primeiro contato com o surfe foi com três anos de idade “Mas só com cinco eu comecei de verdade, com meu pai e meu irmão”, ressalta a surfista que é regular footer e já competiu em países como México, Costa Rica e Portugal.

Yana abre o arco em Ubatuba para vencer a 1a etapa do Circuito Brasileiro de Surf Feminino - Foto: Smorigo

“Eu me inspiro muito na Coco Ho, acompanho ela desde sempre, tanto no surf quantos nas ações fora d’água. Me inspiro muito na Chloe Calmon, com quem tenho a oportunidade de surfar ao lado, quase todo dia... aí fica fácil de pedir as dicas”, descontrai. Questionada sobre o Movimento Surfistas Negras, ela se posciona:

“O Movimento surfistas Negras foi criado pela Erica Prado, que desde sempre vem lutando pelo surfe feminino como um todo. Agora ela focou nas surfistas negras, que estavam e estão, prescisando de atenção. O movimento vem sendo muito comentado nas redes socias. Acho super necessário. Algumas vezes já senti sim o olhar de preconceito... mas ninguém nunca falou nada pra eu ouvir, tento ignorar pra não acabar com meu dia”, diz ela relembrando:

Yanca treinando as manobras inovadoras  -  Foto: Wow Fotos.

“Muita gente acha que o racismo é Mimimi, fato! Outro dia estava conversando com o Guigui ( Wiggoly Dantas) falando sobre isso... que só quem é negro sabe as coisas que deixa de fazer pra não ser “suspeito” de que tá fazendo alguma coisa errada. Eu já fui seguida no shopping por estar indo ao banheiro, a segurança entrou comigo e saiu comigo, eu me senti um nada, chorei muito quando cheguei em casa” .

Foto poética por Anna Veronica

Yanca segue seu trabalho, dentro e fora da água, sem patrocínio. Sobre o que ela diria para um empresário interessado em lhe patrocinar:

“Eu não sou muito boa em fazer textos pra chamar atenção, mas eu iria falar pra ele olhar meu surfe, minha rotina de treinos, o meu jeito de me comunicar no instagram, não sei, acho que iria pedir algum contato privado e mandaria meu mídia Kit pra ele kkk”.

Yanca mostra fluidez na rasgada -  Foto: Luiza Barreto

Ponto forte, ponto a ser trabalhado? Yanca Costa: ponto forte e ponto fraco, acho que esses dois eles mudam constantemente, faço um trabalho com minha psicóloga Camila Salustiano pra ter esses pontos equilibrados, toda semana a gente trabalha eles e me faz evoluir muito. Recado dado.

 

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