Bicampeões mundiais competem na estreia do Longboard Pro no Rio de Janeiro

O carioca Phil Rajzman e o peruano Piccolo Clemente são as grandes atrações da modalidade praticada em pranchões que será disputada junto com o Pro Junior Series na Barra da Tijuca


Os principais surfistas com até 18 anos de idade da América do Sul, vão estar no Rio de Janeiro esse fim de semana, competindo na estreia do Pro Junior Series nas mesmas ondas onde por muitos anos, os melhores do mundo disputaram a etapa brasileira do CT. Também na Barra da Tijuca, acontece a primeira etapa do Longboard Pro com grandes estrelas da modalidade praticada em pranchões, como os bicampeões mundiais Phil Rajzman e o peruano Piccolo Clemente. A também carioca Chloé Calmon, que lidera o ranking 2019 da World Surf League com vitória na Austrália, e a pernambucana Atalanta Batista, tricampeã sul-americana consecutiva de Longboard da WSL South America, também vão competir na Barra da Tijuca. O evento será realizado na altura do número 3.500 da Av. Lúcio Costa, em frente ao @RicoPointBarra

Phil Rajzman (RJ) bicampeão em 2016. Foto: WSL / Kelly Cestari.

Phil Rajzman (RJ) bicampeão em 2016. Foto: WSL / Kelly Cestari.



“Estou muito feliz, amarradão, por essa oportunidade de voltar a competir em casa, na Barra da Tijuca, onde começou a minha história no esporte”, disse Phil Rajzman. “Os primeiros eventos importantes de Longboard que eu participei, foram aqueles internacionais do Alternativa que rolavam junto com o WCT na Barra. Na época, eu tinha 14 anos de idade e era muito legal. Agora, depois de tantos anos, ter novamente um evento internacional aqui, vai ser ótimo para mim, de poder estar junto com minha família, amigos e é uma oportunidade importante para surgirem novos talentos, futuros campeões para o Brasil”.

O carioca foi o primeiro brasileiro a conquistar um título mundial na World Surf League, em 2007, com 25 anos de idade. Bem antes do primeiro de Gabriel Medina em 2014 e do Adriano de Souza em 2015, no auge do “Brazilian Storm” que Phil Rajzman pode até ter iniciado e que consolidou no ano seguinte, sendo também o primeiro brasileiro a ser bicampeão mundial no Longboard em 2016. Medina repetiu o feito de Rajzman em 2018. Já o primeiro sul-americano a conseguir dois títulos mundiais foi o peruano Piccolo Clemente, campeão de Longboard em 2013 e 2015, um ano antes do bi do carioca.

“O interessante é que os critérios de julgamento mudaram completamente entre os meus dois títulos”, destaca Phil Rajzman. “Em 2007, o critério era mais voltado para o surfe progressivo, com batidas, rasgadas, que era até o meu forte pela característica da onda aqui da Barra da Tijuca, onde é o meu berço. Eu precisei me adaptar as novas regras que foram implantadas a partir de 2014, voltadas mais para as manobras clássicas do longboard e logo no primeiro ano da mudança, eu já fui vice-campeão mundial. A gente tem que ter a capacidade de estar sempre aprendendo, evoluindo, então treinei bastante para atender o que os critérios de julgamento estavam pedindo, para conseguir ser bicampeão mundial quase 10 anos depois”.

Phil Rajzman (RJ). Foto: WSL / Tim Hain.

Phil Rajzman (RJ). Foto: WSL / Tim Hain.



Phil Rajzman destaca a importância do Longboard Pro com duas etapas para definir os campeões sul-americanos e os classificados para o Mundial de Longboard da World Surf League na ilha Taiwan. A outra será junto com a quarta e última do Pro Junior Series na Praia de Maresias, de 08 a 10 de novembro em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. O carioca é o atual campeão sul-americano da última disputa de título da WSL South America em 2017. Nos últimos anos, ele era decidido numa etapa única no Peru e desde 2010 o Brasil não sediava um evento internacional da modalidade, como o Longboard Pro.

“Eu comecei a disputar o Circuito Mundial em 1997, então já tem 22 anos que estou no Tour, sempre na primeira divisão, dedicando minha vida 100% ao esporte. Acho que a maior retribuição que recebo disso, é perceber que está vindo uma nova geração com força total e estas duas oportunidades que estão surgindo com a Oi, são importantes para a gente ver novos valores para o futuro da modalidade. O Longboard brasileiro já atravessou várias gerações, desde o Picuruta Salazar, Rico de Souza, Mudinho e outros pioneiros, até chegar a minha e virão mais por aí. Teve uma história para a gente chegar onde chegou, assim como o dia de hoje vai ser fundamental para o que será o amanhã né”.

Phil Rajzman (RJ). Foto: WSL / Tom Bennett.

Phil Rajzman (RJ). Foto: WSL / Tom Bennett.



Phil Rajzman é um exemplo da modalidade e um exemplo de vida saudável dedicada ao esporte que o filho do jogador de vôlei da seleção brasileira por muitos anos, Bernard Rajzman, escolheu para ser campeão como o pai. O carioca ainda falou com entusiasmo de um projeto social que ele está trabalhando em uma comunidade carente do Rio de Janeiro.

“Eu tenho um projeto social que chama Surf no Alemão com as crianças do Morro do Alemão. A gente traz eles para viver essa experiência de se conectar com o mar, a Natureza, para fugir um pouco da violência do dia a dia que vivem. A intenção do projeto não é, necessariamente, descobrir um campeão mundial. Lógico que se isso acontecer, será muito válido, mas nossa intenção é ter cidadãos de bem no nosso Rio de Janeiro, que está nessa fase tão difícil. É uma forma de incentivo para toda essa molecada. Você vai na Praia da Macumba, que é tradicional do longboard, você vê muita gente surfando de longboard, muita criançada, homens, mulheres, várias gerações. O surfe tem essa característica, que no mar todo mundo é igual, não tem distinção. A onda não escolhe para quem ela vai vir, vem pra todo mundo. Para mim e para muitos que conheço, o surfe é uma forma de terapia, de encontrar um caminho de equilíbrio pro stress do dia a dia. É o que queremos passar para eles do Surf no Alemão”.

Phil Rajzman (RJ). Foto: WSL / Tim Hain.

Phil Rajzman (RJ). Foto: WSL / Tim Hain.



O Longboard Pro e o Pro Junior Series começam na sexta-feira e vão até domingo na Barra da Tijuca. A primeira chamada do dia será as 8h00 para todos os competidores. A comissão técnica se reúne mais cedo para definir a programação e qual categoria irá abrir o dia, se a Pro Junior masculina ou feminina, ou se o Longboard masculino ou feminino. Todas as baterias são eliminatórias e os campeões no domingo, marcam 1.000 pontos no ranking da WSL South America e largam na frente nas corridas pelos títulos sul-americanos de 2019.

CAMPEÕES SUL-AMERICANOS PRO JUNIOR DA WSL SOUTH AMERICA

----desde a inclusão da categoria feminina – Sub-20 até 2015 e Sub-18 a partir de 2016

2018: Samuel Pupo (BRA-SP) e Sol Aguirre (PER)

2017: Mateus Herdy (BRA-SC) e Sol Aguirre (PER)

2016: Weslley Dantas (BRA-SP) e Tainá Hinckel (BRA-SC)

2015 - Deivid Silva (BRA-SP) e Miluska Tello (PER)

2014 - Deivid Silva (BRA-SP) e Miluska Tello (PER)

2013 - Luan Wood (BRA-SC) e Melanie Giunta (PER)

2012 - Italo Ferreira (BRA-RN) e Rosanny Alvarez (VEN)

2011 - Filipe Toledo (BRA-SP) e Gabriela Leite (BRA-SC)

2010 - Miguel Pupo (BRA-SP) e Diana Cristina (BRA-PB)

2009 - Alejo Muniz (BRA-SC) e Diana Cristina (BRA-PB)

2008 - Alex Ribeiro (BRA-SP) e Diana Cristina (BRA-PB)

2007 - Wiggolly Dantas (BRA-SP) e Marina Werneck (BRA-SC)

2006 - Heitor Pereira (BRA-SP) e Anali Gomez (PER)

2005 - Thiago Camarão (BRA-SP) e Taís de Almeida (BRA-RJ)

CAMPEÕES SUL-AMERICANOS DE LONGBOARD DA WSL SOUTH AMERICA:

2018 - não teve nenhuma etapa

2017 - Phil Rajzman (BRA-RJ) e Atalanta Batista (BRA-PE)

2016 - não teve nenhuma etapa

2015 - Piccolo Clemente (PER) e Atalanta Batista (BRA-PE)

2014 - Piccolo Clemente (PER) e Atalanta Batista (BRA-PE)

2013 - Rodrigo Sphaier (BRA-RJ)

2012 - Jeferson da Silva (BRA-RJ)

2011 - Piccolo Clemente (PER)

2010 - Rodrigo Sphaier (BRA-RJ)

2009 - André Luiz Deca (BRA-RJ)

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