Meio Ambiente: Erosão x Restinga na orla carioca

MEIO AMBIENTE


Praia da Macumba - Mar em fúria  Guilherme Botelho on Vimeo.

Nesta segunda-feira, 28 de setembro, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) pode derrubar resoluções que tangem ao licenciamento ambiental de áreas de preservação ambientaL O problema da erosão nas praias cariocas tem como consequência a destruição de quiosques, calçamento, e claro, entre outras edificações que dependem de uma estrutura sólida. Além disso, para nós surfistas, os fundos são alterados e na maioria das vezes, não mudam para melhores.

 
 
 
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Mas afinal de contas, o que causa o desgaste de parte do calçadão em que ficam os quiosques, postos de salva vidas, ciclovia ( que um dia eram parte da vegetação )entre outros? A resposta vem a partir de um estudo voluntário desenvolvido pelo ambientalista e surfista Abílio Fernandes, que desde 1999 vem monitorando a situação da vegetação nativa do litoral carioca. O estudo aponta que todas as edificações que estão sobre o local antes ocupado pela vegetação nativa, irão ruir. 

A forte erosãoq que atingiu o Posto 8 da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - Foto: Abílio Fernandes

“Posso afirmar categoricamente que vamos perder todas as edificações sobre o calçadão no trecho entre o Quebra Mar e o Alfa Barra. Acredito que ainda podemos preservar o trecho depois do Alfa Barra até o final da Praia do Recreio, mas para tal, precisamos de uma grande intervenção com orientações oceanograficas de especialistas, de forma a apresentar uma solução definitiva para a situação. Sugiro procurarmos o Prof. Rosman da COPPE - UFRJ, para que ele possa dar seu parecer a respeito”, afirma Abílio que é pai do campeão brasileiro de surfe profissional em 2008, Gustavo Fernandes.

Fotos que fazem parte do estudo de Abílio

Na contramão das explicações do ambientalista, nesta segunda-feira, 28 de setembro, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) pode derrubar resoluções que tangem ao licenciamento ambiental de áreas de preservação ambientaL. Ricardo Salles determinou urgência e caso essas medidas sejam alteradas, haverá sérios riscos ao meio ambiente. A resolução mais importante do Conama é a 303. A medida é diretamente ligada às praias e suas áreas de restinga.

“É um importante anteparo de vegetação rasteira, que protege a linha do litoral e é cada vez mais essencial devido às mudanças climáticas”, afirma Bocuhy presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam).

Os quiosques da orla da Barra estão ameaçados - Foto: Abílio Fernandes

“Trata-se de áreas de preservação permanente na faixa de 300m preamar máxima, justamente a vegetação típica das praias”, completa.

Para Tadeu Badaró, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, não existe razão para que essa proposta de revogação seja colocada em regime de urgência.

“Será que tal proposta não comportaria, ao menos, uma discussão mais ampla, com a oitiva de especialistas?”, questiona.

Sem a vegetação nativa, a erosão avança -  Foto: Abílio Fernandes

Conforme ambientalistas, se a resolução for derrubada, vai favorecer a especulação imobiliária.

“Houve decisão recente do Tribunal Regional Federal de SP mantendo a 303 em vigor por considerá-la fundamental para garantir o máximo grau de proteção a ecossistemas de enorme relevância ambiental. E agora o ministro pauta a revisão de forma urgente. Pode representar o ‘passar da boiada’”, diz Bocuhy, referindo-se à famosa frase dita por Salles em reunião ministerial de abril deste ano.

Outra resolução que poderá ser alterada é 302, que trata de reservatórios artificiais, como é o caso das represas Billings e Guarapiranga, em SP. Conforme Bocuhy, nesse caso se refere aos níveis de consolidação em áreas de preservação permanente. “Essa discussão para a região metropolitana de SP merece uma análise bem aprofundada, porque diz respeito à manutenção da qualidade dos reservatórios”, afirma.

Com informações do site: souecologico.com

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