Exclusivo: Eric de Souza fala sobre a experiência na Laje da Besta

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Eric de Souza já dedicou às competições tendo inclusive vencido alguns importantes campeonatos, entre eles uma etapa do WQS 6 Estrelas. Atualmente Eric se divide entre as aulas de surfe, os treinos em ondas grandes, além de trabalhar como piloto e apoio em sessões de tow in em condições extremas. Nosso editor Gerson Filho conversou com Eric sobre seu atual momento e principalmente sobre a última sessão em que participou como apoio, mas também pegou algumas bombas bem grandes na Laje da Besta. A sessão rolou no último dia 22 de abril, e além de Eric estavam presentes nomes como Carlos Burle, Pedro Scooby, Lucas Chumbo, Michelle Des Bouillons, entre outros. Vale o drop!

Eric captado por Alemão de Maresias

Gerson Filho - Fale sobre a experiência de ter surfado o último swell na Laje da Besta:
Eric de Souza: Foi maravilhoso, um dia incrível. A gente começou o dia na Barra da Tijuca, e ao longo do período a ondulação virou para sudeste e tomamos a decisão de ir em direção à Laje da Besta, essa onda tão rara que quebra aqui na Baía de Guanabara, no Rio. Na verdade eu fiz parte de um trabalho com a equipe da Red Bull com Lucas Fink, Lucas Chumbo, Pedro Scooby, Carlos Burle além do Ian Cosenza e da Michelle des Bouillons. A minha função era ajudar na pilotagem e resgate, além de ajudar nas filmagens. O local exige bastante do piloto ainda mais você tendo que manter a estabilidade para que o cinegrafista fique com a câmera na mão e consiga registrar as imagens, pois com a câmera na mão, fora da caixa estanque, as imagens ficam com uma qualidade melhor. Conseguimos fazer altas imagens e no final da session o Scooby me deu uma pilha "Eric vai pra corda, vai pra corda" e eles me colocaram em altas ondas. O Pedro Velasco me colocou em umas ondas incríveis e logo na sequência o Alemão me puxou em algumas melhores ainda! Foi maravilhoso poder fazer um bom trabalho e ainda me divertir com os amigos.

Gerson Filho: Que tipo de equipamento você usou na sessão?
Eric de Souza: Usei uma prancha 5´9" projetada para ser uma prancha de "step off". Ela é mais estreita, com bastante edge, e mais pesada do que as pranchas tradicionais. Mas é basicamente uma prancha normal. Já tenho essa prancha há uns quatro anos, ela tá bem surrada já...rs mas ainda não consegui quebra-la...rs Ela foi shapeada pelo Joca Secco e já me proporcionou momentos incríveis. Sempre que surfo com ela me dou bem. Já peguei alguns tubos incríveis com ela no Shock, na Barra da Tijuca, na Ilha Mãe. Então ela é uma prancha antiga mas que me traz ótimos momentos até hoje. Para ser melhor que minha prancha, poderia ter um modelo com mais peso, e com alças que fazem a diferença, pois é uma onda bem oceânica então tem muito bump. A onda da Besta lembra bastante Nazaré, é bem volumosa e forte!  Resumindo, é uma onda pouco amistosa e quanto melhor preparado você estiver  - em termos de equipamento e fisicamente -  melhor.

Eric de Souza - Laje da Besta - Foto: Alemão de Maresias

Gerson Filho: Como foi o planejamento da sessão?
Eric de Souza: Esse swell era mais de sudeste, e ele favorece bem essas lajes que recebem bem esse tipo de ondulação. Entre elas a Besta, a Ilha Mãe, que fica mais para o lado de Niterói. Para que essas ondas de laje, ou slabs, quebrem eles precisam do ângulo certo para encaixar o swell. Então nem sempre a previsão acerta, pois são necessários vários fatores para que essas ondas funcionem bem. A gente sempre prevê, mas concretizar são outros quinhentos...rs

Gerson Filho: Você pretende dar sequência às competições em ondas grandes, além de expedições nesse sentido?
Eric de Souza: Com certeza, nossa vontade nunca morreu. Até cheguei a me dedicar há alguns anos indo para o México e pegando ondas bem grandes na remada. E gostei muito de conseguir transferir meu know-how em ondas pequenas e médias, tubulares, para ondas maiores. Essa foi uma ótima experiência, que considero um grande passo no sentido de surfar em condições realmente extremas. Puerto é um lugar bem agressivo, que não tem canal. Mas como a gente sabe o momento no Brasil é bem difícil, com muitos atletas sem patrocínio em todas as categorias: surfe performance, surfe em ondas grandes. O dólar a seis reais também dificulta bastante a vida do surfista brasileiro. Hoje em dia eu dou aulas na escola de surfe do meu pai, onde aprendi a surfar, faço esse trabalho de pilotagem, assistência de filmagem e resgate junto com o Alemão de Maresias, o Burle, Lucas Chumbo, que sempre que podem me ajudam com os trabalhos. É muito bom pois além de me divertir tenho a oportunidade de aprender com os melhores e é sempre bom estarmos alinhados com os melhores, seja no surfe, nas filmagens pegando os melhores ângulos.

Eric vira na base de uma bomba na Laje da Besta - Foto: Renan Vignoli




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