Artigo: Arpoador Surf Club e Tito Rosemberg

ARTIGO


 

Tito e Edgardo Gordilho - Foto: http://www.gordilho.com/

A ligação de Tito Rosemberg com o Arpoador era antiga. Com seu imenso canhão oco de madeira, o menino de Copacabana remava para investigar o mundo e os mistérios além do Forte. Ao atingir o Arpoador descobriu o surfe. Não saiu mais de lá.Aos 17 anos Tito conseguiu um estágio nas revistas Manchete e Fatos & Fotos. O jovem repórter vivia sugerindo pautas sobre o Arpoador. Ele queria estar perto das ondas e do seu microcosmos. A partir do seu trabalho, uma sequência de fotos começou a ser feita sobre a praia e o surfe. O registro de Tito é uma fonte documental de grande valor histórico sobre uma época de profundas transformações culturais e políticas.Em meados da década de 1960 o regime militar foi implantado no Brasil. A ditadura reprimia qualquer movimento político e até mesmo os grupos de surfistas eram vistos como uma ameaça à ordem social.

Arpoador anos 1960 - Foto: Tito Rosemberg

Além disso, outros fatores geravam desconfiança e antipatia ao surfe. Naquela época as pranchas não tinham cordinhas e o esporte atraía a curiosidade e a presença de banhistas que nadavam junto aos surfistas. A combinação quase sempre acabava em acidente. Os banhistas mais desavisados levavam a pior e se machucavam. A polícia e as autoridades passaram a reprimir e a proibir a prática de surfe. Os conflitos se tornaram inevitáveis. A ordem era impedir e apreender as pranchas. A recuperação da peça só poderia ser feita pelos pais, muitas vezes apoiadores da lei. Para ajudar os salva-vidas e fortalecer a relação com a comunidade, Tito reuniu os surfistas e frequentadores da praia e criou o Arpoador Surf Club. Muitos desses entusiastas já faziam parte da recém-criada Federação Carioca de Surf. A união dos surfistas criou uma força política para atuar junto ao governo do Estado.

Arpoador anos 1960 - Foto: Tito Rosemberg

No final de 1966, um grupo de 80 pessoas assinou a Lista de Fundação do clube. Jovens dos 12 aos 30 anos, homens e mulheres, famosos e anônimos, participaram desse sonho. O mais velho foi o italiano Arduíno Colassanti, famoso ator do cinema brasileiro. Peter Johnson que aparece em primeiro na lista foi um dos grandes surfistas norte-americanos, afilhado de Phil Edwards, um ícone do surfe californiano. Tito acabou assinando em segundo lugar. Paulo Sérgio Valle se tornou outro artista famoso. O compositor tinha 26 anos quando assinou a lista. O empresário do setor portuário, Richard Klien e Russel Coffin, que assumiu a produção da Clark Foam no Brasil, fizeram parte do clube. Pioneiras no surfe feminino, Fernanda Guerra, Heliana Oliveira e Maria Helena também participaram do ato de fundação.

Cantinho do Arpex - Foto: Tito Rosemberg

Os primeiros surfistas do Arpoador conquistaram feitos importantes para o crescimento e consolidação do esporte. Sem distinção de gênero, classe social e idade, muitos desses jovens desejavam a construção de uma sociedade livre. O destino e as escolhas separaram suas histórias, mas a ideia continua viva.

Equipe do Museu do Surfe
@santoscidade
@museudosurfedesantos
@gabriel_pierin
@gersonluizsurf
@diniziozzi
@professor_nene
@alessandrofrancosimoes3
@associacaosantossurf

Comentários