Brasil fora do ISA World Surfing Games do Japão

CBSurf não foi capaz de superar as burocracias. “A gente não tem a estrutura de uma federação de vôlei, de natação, não pode querer milagre”


Palavras de Filipe Toledo. Reprodução Instagram.

Palavras de Filipe Toledo.
Reprodução Instagram.

A equipe brasileira não vai para o ISA World Surfing Games, competição classificatória para os Jogos Pan-Americanos de Lima (2019), que acontece nos moldes das Olimpíadas.

A verba (R$ 278.000,00) foi liberada pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil), mas a CBSurf (Confederação Brasileira de Surf) não conseguiu passar pela burocracia que todas as confederações passam, então o time formado por Ian Gouveia, Geovane Ferreira, Marcos Corrêa, Anne dos Santos, Gilvanita Ferreira e Larissa dos Santos não vão mais nos representar na competição mundial.

Leia a nota do COB no final mais abaixo

Em entrevista ao blog Radicais de O Globo, o coordenador esportivo da CBSurf falou sobre o caso. “Os japoneses demoraram para enviar as cartas para iniciar o processo do pedido de visto. Sem os vistos, não podíamos comprar as passagens. Toda hora aparecia um obstáculo. Com visto emitido, fomos comprar as passagens. O COB nos ajudou a operar o projeto, mas só conseguiu passagens indo pelos EUA, e as meninas da equipe não tinham visto americano. Só os meninos poderiam ir. Decidimos que ou ia o time inteiro, ou não ia ninguém”.

Veja também: Que mico! CBSurf não consegue passagens a tempo e Brasil está fora do Mundial da ISA

Segundo Rosaldo, a CBSurf não tem estrutura, poderia cometer erros e prejudicar a Confederação. "A coisa começou a se tornar inexequível e as consequências seriam desastrosas. A CBSurf poderia ficar inadimplente com o COB, que é nosso maior parceiro. A gente não tem a estrutura de uma federação de vôlei, de natação, não pode querer milagre. Não nos sentimos confortáveis para operar essas verbas e depois ser acusados de mau uso do dinheiro público".

Vários atletas usaram as redes sociais para externar suas frustrações. O atual líder do circuito mundial, Filipe Toledo, usou a palavra “vergonha” no meio de seu desabafo; a vice-campeã mundial de 2012, Jacqueline Silva, usou “vergonhoso e absurdo” e o ídolo mundial Fábio Gouveia escreveu “Triste. Mico to the max!” (Mico ao máximo!). Esses são só alguns exemplos das mensagens de atletas, ídolos e pessoas que amam o surf escreveram durante todo o dia nas mídias sociais quando o assunto começou a circular.

Essa felicidade não vai ser vista no Japão. Foto: ISA / Rommel Gonzalez.

Essa felicidade não vai ser vista no Japão. Foto: ISA / Rommel Gonzalez.



Nota do COB

O COB enviou uma nota para o jornal O GLOBO. Confira ela abaixo:

"O COB aprovou a liberação de verba para o projeto apresentado pela CBsurf para o ISA Games no dia 17 de julho, com previsão de repasse de recurso e início da execução do projeto pela CBSurf em 1º de agosto. No entanto, na data prevista para repasse, a CBSurf estava impossibilitada de receber recursos da Lei Agnelo/Piva por não ter apresentado documentos necessários e obrigatórios para prestação de contas de projetos anteriores.

Assim que a CBSurf regularizou sua situação de prestação de contas, no dia 3 de setembro, o recurso foi disponibilizado. Durante o período em que a CBSurf estava impossibilitada de receber recursos, o COB informou que poderia executar o projeto, como atualmente atua com algumas Confederações, com o objetivo de não causar prejuízos aos atletas. A CBSurf optou por aguardar o momento que pudesse receber o recurso e executar o projeto.

Na quinta-feira, 6 de setembro, a CBSurf esteve no COB e informou diversas dificuldades operacionais internas para contratação de passagens aéreas, hospedagem, alimentação e aluguel de veículo, que poderiam acarretar problemas na futura prestação de contas da entidade junto ao COB. O COB então deu orientações para que a Confederação pudesse seguir com o planejamento.

Na segunda-feira, dia 10, a CBSurf esteve novamente no COB e informou que não tinha conseguido fazer nenhuma das contratações necessárias. Mesmo diante do curtíssimo prazo para a viagem, o COB buscou, mais uma vez, auxiliar a confederação na organização desta ação.

Em relação as passagens aéreas, na data em que as reservas foram solicitadas, só havia disponibilidade em empresas aéreas com conexão nos Estados Unidos, onde é necessário visto para entrada no país. A CBsurf era a responsável por conseguir os vistos para seus atletas e a equipe feminina não dispunha de visto americano. Pela Europa só havia disponibilidade de passagens de primeira classe e a Lei Agnelo/Piva não permite a compra de passagens desta categoria. Desta forma essa ação não pode ser realizada no tempo necessário para participação no evento.

Por decisão da CBSurf, a participação no Mundial foi então cancelada”.

Opine sobre o assunto.

Comentários