Colunista Gustavo Franck: Carnaval em junho

Gustavo Franck fala sobre a etapa brasileira do CT


 

Filipinho também é linha - Foto: Fred Rozário 

Se o Tio Sam (e mais a sua parentada anglo-saxônica) ainda tinha alguma dúvida em relação a nossa batucada das ondas, a terceira edição do Oi Rio Pro em Saquarema acabou com qualquer dúvida nesse quesito. Quatro dias de folia, alegria, empolgação e emoção, onde a única atravessada no ritmo ficou por conta da própria WSL, que na sua recorrente sanha em terminar as etapas o quanto antes, colocou os surfistas em uma autêntica máquina de lavar roupa no segundo dia de competição. Tô achando que ainda vão trocar o slogan “You can’t script this” por “Time is Money”... Mas a parada brasileira foi uma enxurrada de coisas boas e é nisso que vamos focar. Pra começar a Barrinha, com suas direitas pesadas, nervosas e de certa forma, imprevisíveis. Quem não viu as filmagens do pico na manhã de sábado (antes do evento masculino ter sido transferido pra lá), não deixe de procurar, principalmente o tubo arrancado pelo local João Chianca. Naquela hora, o mar estava mais liso e ainda mais pesado do que a tarde. Não dá pra escapar daquele famoso bordão do surf “cara, precisava ter visto como estava umas horas atrás”. E se Chumbinho mostrou a maestria dos anfitriões no free surf, com a lycra em punho Filipe Toledo colocou os pingos nos is e provou mais uma vez ser o cara por ali. 

Despachou seus oponentes um a um, incluindo Kanoa Higarashi (com quem teve uns entreveros dentro da água dois anos atrás, em Saquarema e em Huntington) e Kelly Slater, que havia levado a melhor em Bali. Na final, resolveu a parada logo nos primeiros minutos da bateria contra Jordy Smith e ficou pacientemente esperando o tempo passar. Saiu coroado da água, no jet ski. E Jordy, de Kombi. No feminino deu Sally, que é daquelas surfistas que definitivamente não recebe o valor que merece. Apesar de ter sido vice campeã mundial algumas vezes e estar sempre nas cabeças, a australiana há anos não conta com um patrocinador principal no bico da prancha.

Kelly pegando uma bomba - Foto: Fred Rozá

Nem por isso deixa de estar sempre sorridente e disputando suas baterias com muita garra. Por aqui, virou pra cima da favorita Carissa Moore e assim como Filipe, deixa Saquarema ostentando um tri em águas brasileiras. E de quebra amealhando a camiseta amarela pra si. Entre os demais surfistas, há que se notar um surpreendente Kelly Slater, que mesmo menosprezando a etapa verde amarela por anos, foi calorosamente recebido pela torcida brasileira e demonstrou bastante simpatia com os fãs. Tomara que a ficha tenha caído. John John se machucou nas oitavas, aliás o mesmo joelho que o deixou de fora de praticamente todo o ano de 2018. Torçamos para que tenha sido só um susto e que possa voltar para J-Bay, que começa no dia nove próximo.

John John - Foto: Fred Rozário 

Gabriel mais uma vez ficou no quase. Em uma bateria insossa, acabou perdendo no final para Kolohe e assim segue no seu jejum tupiniquim e com mais um discreto quinto lugar no somatório de 2019. Apesar de ter subido quatro posições no ranking (está agora em oitavo), a esperada arrancada do segundo semestre está cada vez mais ganha contornos dramáticos. Afinal, além do título do CT, se o corte pra olimpíadas fosse agora, Medina estaria fora de Tóquio 2020. Pra terminar, se há algo que nem o mais obcecado dos ranzinzas pode questionar foi o nosso público. Areias LOTADAS por dezenas de milhares de pessoas que, apesar de estarem torcendo pelos representantes brasileiros, receberam todos os participantes com muito carinho e alegria no coração. A WSL não sonha com o surf em estádios? Bem, o Maracanã das ondas entregou isso e muito mais. 

E como disse Peter Mel, comentarista oficial das transmissões: “Vejo milhares de pessoas aqui e nada de problema. Só amor”. Sem dúvida o Oi Rio Pro 2019 foi dez, nota dez! Em homenagem a mais essa conquista de Filipe Toledo, a pedida musical da semana fica com o hit do projeto parisiense Geyster, “Bye Bye Superman”. Lançado no álbum 1984, traz um pop com elementos eletrônicos, como só os franceses sabem fazer. Vide Phoenix e Tahiti 80. Voa Filipinho!





Fotos: @wsl / @damien_poulleno.

 

Comentários