Colunista Gustavo Franck: Hamlet das ondas

Depois da parada de um mês do CT, o mundo do surf aguardava ansiosamente a volta da competições e logo em Teahupoo, onde as ondas costumam separar os homens dos meninos


 

Romário ou Edmundo? Questão de gosto

Depois da parada de um mês do CT, o mundo do surf aguardava ansiosamente a volta da competições e logo em Teahupoo, onde as ondas costumam separar os homens dos meninos. Nesse contexto, passou despercebido por muita gente a entrevista que John John Florence concedeu à ESPN estadunidense. Na ocasião, o bicampeão mundial falou da sua recuperação e das expectativas para esse ano e o que vem. Noves fora, John John ainda tem esperanças de ir a Tóquio em 2020. Aliás, tive a oportunidade de conversar um pouco com ele em Saquarema, antes da contusão. E naquela famosa brincadeira de "se tiver que escolher um, qual prefere?", perguntei-lhe entre a medalha de ouro ou tricampeonato, por qual optaria. John John, aliás um dos surfistas mais gentis e educados do tour, nem pestanejou e cravou o título olímpico como objeto máximo de desejo.

John John em Portugal - Foto: WSL

Isso nos leva a uma questão, de causar orgasmos múltiplos aos amantes das teorias de conspiração: levando-se em conta que Kolohe Andino já é dono de uma das vagas, só resta outra para ser disputada entre o havaiano e um floridiano que atende pelo nome de Robert Kelly Slater. John John ainda tem um longo caminho a percorrer, depois da cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior. O tratamento, se bem sucedido, pode devolvê-los às competições a tempo das disputas em Pipeline. Segundo o ortopedista Alcino Affonseca, uma das maiores autoridades no assunto, sua recuperação tem tudo para ser total, devolvendo John John com 100% das condições. "A questão é saber se apareceram lesões pós traumáticas após a primeira contusão. Acho que teria sido melhor operar na ocasião. Lesões parciais são pouco frequentes, a imensa maioria é total", ressalta. Além disso, acrescenta que a chance de John John voltar a ter problemas no joelho é maior do que em quem nunca passou por algo similar: "Quanto mais contusões, maior o risco". Portanto cautela é fundamental.

Kelly Slater -  Foto: WSL

Já no caso de Slater, a vaga está mais próxima, porém longe de garantida. Se levarmos em conta o ranking do ano passado, John John (se não conseguir voltar a tempo para Pipe) fecharia a disputa de 2019 na sétima posição. Nada mal pra quem parou de competir antes do meio da temporada. Com isso, Slater tem que, após usar o descarte, fechar todas as etapas que faltam de nono pra cima. E se sucumbir antes em alguma delas, precisará compensar com um terceiro lugar no mínimo.Olhando o restante do calendário, arrisco a dizer que o perigo pro careca reside na perna europeia, onde as condições (principalmente na França) o deixam em clara desvantagem em relação aos surfistas mais novos.

Kolohe Andino  -  Foto: WSL

Que o cara manda prender e manda soltar na WSL, pouca gente duvida. Mas será o que tudo-pode-tudo-quer de Slater seria capaz de levar o mundo do surf a situação com cenários de resultados duvidosos em seu benefício, justamente contra o herdeiro da sua coroa? 

Será que haverá algo de podre no reino da WSL?

 

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