Colunista Gustavo Franck: Interregno

COLUNA


 

 

 Carlos Burle foi um dos desbravadores do circuito -  Foto: Phil Gibbs

Mudanças significativas no formato das disputas nas ondas grandes foram anunciadas pela WSL e claro, opiniões diversas emergiram mais rapidamente do que os coletes infláveis usados pelos surfistas. A partir de agora, a temporada oficial irá ter sua janela entre 01 de novembro e 31 de março (aproveitando o hiato do CT) e com apenas uma etapa em Jaws (Maui), para se determinar o campeão. Nazaré receberá um evento de tow in apenas para convidados, com todos tendo como meta colocar seus respectivos nomes no Guinness book. Já Maverick’s, que teve sua licença comprada por pouco mais de meio milhão de doletas anos atrás, foi defenestrada aparentemente em definitivo por alegações “técnicas”. E é claro que os clãs californianos estão espumando com tamanha heresia... Até 2013 o então BWWT remou com os próprios braços, quando foi adquirido pela ASP, predecessora da WSL.

Lucas Chianca venceu em Nazaré 2018 -  Foto: divulgação 

Naquela temporada, seis eventos estavam programados: Maverick’s, Todos os Santos, Punta Galea , Nelscott Reef, Pichilemu e Pico Alto, que cobriam um ano inteiro de disputas. Mas desde então, o circuito mais casca grossa do surf veio sendo desidratado ano após ano, tendo fechado a janela 2017/2018 com apenas duas etapas realizadas. Voltando a 2019, muitas razões são apresentadas para justificar o anúncio: segundo Pat’O Connel, a entidade oficialmente assumiu centrar todos os seus esforços na promoção e crescimento do seu maior produto, o WT. Isso de certa forma vem de encontro aos rumores que sempre rondaram os bastidores do surf, a respeito das finanças da WSL, que em português claro, são deficitárias. Então, se dá prejú, fecha amigo!

Pat Oconnel -  Foto: divulgação

Mas para muitos, o circuito de ondas grandes nunca teve espaço para desenvolver todo o seu potencial dentro da entidade. A explicação é simples: a possibilidade de roubar o brilho (e os dólares) do chamado dream tour. Quem não se lembra do famoso code red de Fiji em 2012, quando a etapa do WCT teve que ser suspensa por excesso de ondas. Saiu a elite, entraram os big riders na água e a audiência pela internet explodiu. Ali sem dúvida, outra luz vermelha se acendeu, mais precisamente na cabeça dos cartolas do surf: esse negócio é predatório ao nosso negócio... Quem sabe a mais recente estocada no big surf não o leve a algo que já deveria ter acontecido há muito tempo: o desenvolvimento de um circuito novo, fora do guarda-chuva da WSL. Certamente, um trabalho bem feito e com gente competente arregimentada, tem tudo pra dar certo. Os ingredientes estão todos ali: imagens espetaculares, condições extremas e perigo de vida. Um verdadeiro coliseu moderno, onde saem os leões e entram as ondas. Aposto que contas bancárias do cacife de Helmut Marko, Elon Musk e Richard Branson pelo menos parariam pra escutar a ideia.

O cartaz de Yesterday

Em cartaz desde a semana passada, o filme “Yesterday” traz a divertida história de um músico fracassado que, após ser atropelado por um ônibus acorda num mundo onde os Beatles nunca haviam existido.O roteiro de realidade fantástica se desenrola leve e divertido, ao melhor estilo água com açúcar, bobinho até. Mas o que faz “Yesterday” digno de ser assistido são as canções dos Fab four ingleses, que mostram o quão grandiosa é a obra que eles deixaram para a posteridade. A gente era feliz e sabia! Não tenho a menor dúvida que da mesma forma que se ouve Mozart até hoje (sem a menor chance de desaparecer!), daqui a trezentos anos os Beatles ainda estarão bombando, nas merrecas de Saturno ou nas morras de Júpiter.

Trailer Yesterday: https://youtu.be/Ry9honCV3qc

Revolution: https://youtu.be/BGLGzRXY5Bw

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