Entrevista - Theo Fresia parte para a Europa de olho nas vagas dos evento 10000 do QS

Surfista de Búzios fez uma boa perna sul-africana e já subiu mais de 100 posições no ranking


Theo Fresia. Foto: arquivo pessoal.

Theo Fresia. Foto: arquivo pessoal.

Em Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, o jovem Theo Fresia, de 19 anos, vem fazendo bonito nas etapas do Qualifying Series (QS), a divisão de acesso ao Championship Tour (CT), a elite do surf mundial. Theo conseguiu expressivos resultados nesse ano de 2018, o seu primeiro ano no QS. Há algumas semanas, na África do Sul, o buziano conquistou um 9° e um 3° lugar em duas etapas. Com isso subiu mais de 100 posições no ranking.

O atleta compete com recursos próprios, trabalha muito e tem a ajuda de familiares e amigos para realizar o objetivo: chegar ao CT. Confira uma breve entrevista com Theo Fresia, onde ele diz as suas expectativas para a próxima aventura, que será na Europa. Ele parte para o Velho Mundo no dia 8 de agosto e vai passar por França e Espanha. Na sequência ele vai novamente para o continente africano, dessa vem no Marrocos.

O Brasil sempre teve grandes nomes no surf, com o Fabio Gouveia, Neco e Teco Padaratz, Victor Ribas, Peterson Rosa, Pepê... e chegou num patamar mais elevado com os títulos mundiais de Gabriel Medina e Adriano "Mineirinho" de Souza, e isso acarretou em uma avalanche de novos talentos em terras tupiniquins. Theo é uma dessas grandes promessas.

O esportista, que começou a surfar aos 8 anos, tem um vasto repertório e diversos pódios ao longo da sua curta carreira como atleta. Inspirado pelos irmãos, Fresia começou a competir naturalmente e vem numa pegada e regularidade que chama atenção dos especialistas do esporte.

Theo Fresia nas ondas da África do Sul. Foto: arquivo pessoal.

Theo Fresia nas ondas da África do Sul. Foto: arquivo pessoal.



Em 2017 o surfista se profissionalizou e logo no seu primeiro ano subiu ao pódio numa etapa do Sul-americano de Surf, no Panamá, ficando em 3° lugar. Nesse ano de 2018 Fresia ganhou a uma etapa na Praia Salt Creek, na Califórnia, EUA. O surfista conta com uma linha de surf que mescla com a clássica e a agressiva, gosta da linha clássica, dos carvings alongados, isso mesclado com uma linha agressiva. O interessante para o Theo é a variação na onda. Conseguir fazer os dois tipos de surf na onda.

Theo coleciona diversos canecos ao longo da sua jornada como surfista. Campeão Infantil Circuito Buziano, Campeão Estadual Infantil, Bicampeão do Circuito ASBT – Cyclone, Campeão do Circuito Cabofriense, Campeão do Circuito Norte-Fluminense, Bicampeão Circuito Norte-Fluminense, Vice-campeão Brasileiro Junior, Campeão Estadual Junior – RJ, Bicampeão Estadual Carioca (2010 – 2015) e Medalha Bronze no ALOHA CUP – International Surfing Association (ISA).

Theo Fresia em habitat natural, Geribá. Foto: arquivo pessoal.

Theo Fresia em habitat natural, Geribá. Foto: arquivo pessoal.



Victor Viana - Quando você saiu do Brasil para ir a África do Sul, o que passava na sua cabeça?

Theo Fresia - Passava que eu tinha uma grande oportunidade pela frente, sempre foi um sonho competir os eventos QS e tinha chegado a hora... Eu só pensava em fazer as coisas certas nos momentos certos e desfrutá-los.

Teve alguma preparação física e mental quando estava na África?

Eu basicamente me alongava muito depois dos treinos e baterias. A preparação mental foi ler, que é algo natural para mim, por que eu gosto muito de ler. Passava meu tempo lendo.

Observou e tirou proveito dos demais competidores?

Tirar proveito acho que tirei dos momentos que tive oportunidade e consegui aproveitá-los. Observei a forma como os gringos surfam naquelas ondas e como competem e se comportam fora d’água, acho que o que você faz fora d’água influencia diretamente no seu rendimento dentro.

Como foi para você conseguir estes ótimos resultados?

É uma sensação incrível você buscar por resultados e eles acontecerem no momento que você quer. Eu tinha treinado muito em Geribá, como não tenho patrocínio e dependo da ajuda de amigos, apoiadores e do meu trabalho, sabia que essa era uma oportunidade única, e as coisas se encaixaram.

Sem patrocinador master, Theo e familia se organizam pra bancar as viagens. Foto: arquivo pessoal.

Sem patrocinador master, Theo e familia se organizam pra bancar as viagens. Foto: arquivo pessoal.



O que você adquiriu de experiência para a próxima perna europeia?

Maturidade. Esse é o começo de uma longa jornada no QS, senti a energia que envolve as etapas do QS, onde todos estão num único objetivo. O que separa o primeiro do ranking e o 300º colocado são apenas detalhes.

Qual a sua meta para este ano ainda?

Eu quero terminar entre os 100 melhores competidores do mundo.

Como está sendo a preparação para a sequência da temporada?

Estou treinando em Geribá e fazendo uma preparação física na Academia Workout, lendo, vendo muitos vídeos e trabalhando.

Existe algum planejamento para sua entrada no CT? Se possível entrar já em 2019 ou ir pegando experiência?

O planejamento é ganhar baterias (risos). Basicamente estou pensando etapa por etapa, se as coisas acontecerem é porque estarei pronto. CT é o objetivo de vida e farei o que tiver que fazer para estar lá.

Por correr o circuito juntando recursos próprios, trabalhando para isso, você acha que o acesso será mais recompensador?

Todos que entram no CT são dignos de recompensa e de glória. Alguns têm mais suporte, outros não, como é meu caso. Acho que esse lance de eu trabalhar e receber ajuda de amigos para competir de forma integral é uma motivação para mim.

Um patrocinador master no momento seria crucial?

Com certeza! Estou no pelotão de acesso dos QS6000 e QS10000. Um patrocinador master iria me dar o suporte que eu nunca tive, ainda mais neste momento.

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