Morte no Hawaii - O relato emocionante de uma tentativa de salvamento

O ex-CT Léo Neves foi quem tirou do mar o havaiano que acabou falecendo em Rocky Point


A última segunda-feira foi triste no Hawaii. Pela manhã o havaiano Dusty Payne vacou em Backdoor e bateu forte com a cabeça no coral, tendo fraturas no crânio e no maxilar. Dusty segue no hospital com quadro de saúde estável. Porém, duas horas depois, em Rocky Point, um outro havaiano, Glen Jeans, de 56 anos, também sofreu um acidente, porém morreu. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, mas quem o tirou da água e tentou salvá-lo foi o carioca que vive há muitos anos em Saquarema Léo Neves.

Léo Neves é bicampeão brasileiro de surf profissional. Foto: divulgação.

Léo Neves é bicampeão brasileiro de surf profissional. Foto: divulgação.



Léo, que tem um currículo forte no mundo do surf (foi atleta CT e conquistou uma nota 10 na etapa que rolou nas perigosas ondas de Arica, no Chile, bicampeão brasileiro e tricampeão carioca) e hoje é técnico e shaper, fez um relato emocionante para o Ricosurf.

Confira:

Foi f... o acidente, foi a maior tristeza. Já salvei várias pessoas aqui no Hawaii, achei que fosse conseguir salvar o cara, mas acabou que ele se afogou mesmo. Foi no mesmo dia do acidente do Dusty Pyane.

Na verdade a gente não sabe exatamente o que aconteceu, se um cara rabeou ele e a prancha do cara bateu na cabeça dele e ele desmaiou. Quando eu vi a prancha dele estava sendo puxada pra baixo e dava pra perceber que tinha algo preso no strep.

Foi no primeiro segundo que eu coloquei o pé em Rocky Point, cheguei na praia e logo vi uma prancha boiando e achei muito estranho. Nesse momento que eu olhava, um cara já gritou na praia como se tivesse alguém lá e então só deu tempo de tirar o celular do bolso, correr e pular na água. Nadei até quase a arrebentação, peguei o cara por trás, já segurei a cabeça para tirá-la da água, deu um apertão na barriga e ele vomitou.

Rocky Point. Foto: Michael J Photography.

Rocky Point. Foto: Michael J Photography.



Parecia que ele estava voltando e isso me deu uma motivada a mais para sair com ele. Cheguei rápido na beira, mas tive dificuldade em sair pois ele estava muito pesado e eu saí pelas pedras, me cortei um pouco, mas uma galera me ajudou.

A gente fez os primeiros socorros. Colocamos ele de lado no primeiro momento para botar água pra fora, enquanto eu fazia uma massagem na barriga dele. O Miranda (Alexandre), pai do Ryan (Kainalo), fez uma massagem cardíaca.

No primeiro momento ele meio que voltou, aquela reação do corpo de quando sai de dentro d’água, de vomitar, parecia que ele estava vivo, mas na sequência a gente se deu conta de que ele não estava respirando. Seguimos fazendo a massagem cardiaca nele até que chegaram os bombeiros e em pouco tempo os caras perceberam que ele estava morto. Foi um dia triste pra caramba. Uma pena não ter conseguido salvá-lo.

O Michael Ho me contou que ele era um ótimo surfista, um ex-profissional, que competiu em Pipeline e que era muito amigo dele. A gente acha que faltou um guarda-vida em Rocky Point, faltou um posto de salvamento que não tem naquela praia e o auxílio acabou sendo demorado. Acabou que fomos nós que o pegamos e que fizemos os primeiros socorros nele na areia. Talvez se fosse em Pipeline o cara não tivesse morrido.

Conheça um pouco mais sobre o pico de Rocky Point numa matéria feita pela equipe do Ricosurf com o brasileiro que vive em Portugal Nuande Pekel:

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