Colunista Gustavo Franck: pitacos e calculadoras

COLUNISTA


 

Carissa Moore - Foto: divulgação

Pitacos e calculadoras O circuito mundial de surf caminha para o seu desfecho e a etapa de Portugal tem tudo para ter importância fundamental nos destinos dos melhores surfistas do mundo. Enquanto que a categoria masculina ainda apresenta chances de reviravoltas no final (embora ache muito pouco provável), entre as mocinhas a fatura só não está liquidada diante de uma enorme zebra. Com oito etapas realizadas, Carissa Moore tem um retrospecto digno de campeã: duas vitórias, dois segundos, duas semis e duas quartas de final.

Convenhamos, é extremamente difícil que a tricampeã mundial tenha dois fiascos nas etapas que restam, principalmente na última em Honolua Bay. Mantendo a regularidade que foi sua tônica no ano, chega fácil a quarta conquista. Para suas adversárias, resta o milagre: torcer que a havaiana se dê mal em ambas as provas e ao mesmo tempo tenham um desempenho avassalador. Para Lakey Peterson, Sally Fitzgibbons e Caroline Marks não dá pra pensar em nada menos do que duas finais. Já entre a rapaziada a coisa parece um pouco mais animada. Matematicamente ainda há oito competidores na briga, mas na prática apenas quatro: Gabriel Medina (atual líder do ranking), Filipe Toledo, Jordy Smith e Ítalo Ferreira. Filipe luta contra a contusão nas costas e um fraco retrospecto em Pipeline, última parada do tour.


Caroline Marks -  Foto: divulgação

Mesmo em Portugal, fora a vitória em 2015, sua performance não costuma ser das melhores. Via de regra para chegar ao fim do ano como real postulante ao título, o garoto voador precisa não falhar nos picos onde é amplamente favorito, como na Gold Coast e em J-Bay. Tem que ter uma boa gordura para suas agruras na perna europeia e os canudos havaianos. Dos três abaixo de Medina, Jordy é o que me inspira mais respeito. Já foi vice em Portugal e tem melhorado sensivelmente nas edições do Pipe Masters, ano após ano. E certamente um título do sul-africano deixaria muita gente bastante feliz... No entanto acho pouco provável que repita o renascimento de Julian Wilson em 2018, mas não custa nada ficar esperto.

Jordy Smith - Foto: divulgação

Já Ítalo é a personificação do imponderável. Pode ser tanto arrasador quanto frustrante. Em que pese seu indubitável talento, o potiguar ainda se atola na irregularidade dos resultados, a ponto de ser o único dos quatro que desde já carrega um décimo sétimo lugar para o somatório final. Vem de vitória em Portugal no ano passado e não faz feio nos tubos pra esquerda. Mas certamente será uma baita surpresa se chegar no Natal como campeão do mundo. Finalmente para Medina, seu maior adversário é ele mesmo. Surfa bem em Portugal (tem uma vitória e um vice) e dispensa comentários em Pipe. Em outras palavras, na terrinha está em pé de igualdade com os demais postulantes e no Havaí sobra na turma. No frigir dos ovos, o tri está muito bem encaminhado.

Pipeline é a onda decisiva do circuito

Mas... Muito mais emocionante estão as disputas pelas vagas olímpicas, onde as brigas pelo segundo posto dos três principais países devem ser definidas apenas na etapa derradeira. Nossa disputa doméstica tem Ítalo (que venceu o evento da ISA no Japão) se aproximando perigosamente de Filipe e mantido o retrospecto das últimas etapas, tem tudo para amealhar o posto. Os números de Portugal serão fundamentais. Já Gabriel Medina pode ir treinando comer de palitinhos. Na terra dos cangurus, Owen Wright, apesar da escorregada na França, vem como favorito pra uma das vagas australianas. A segunda está indefinida entre Julian Wilson e Ryan Callinan. Wilson leva vantagem na pontuação e no seu retrospecto nas etapas que faltam, mas diante do seu ano ruim, é melhor não marcar bobeira com o novato. Afinal, já basta um Medina na sua vida.

Kelly Slater - Foto: WSL

Finalmente os Estados Unidos. Hoje, John John Florence tem uma vantagem de 7.525 pontos sobre Kelly Slater, já computado Pipe, caso não corra a etapa. Isso obriga o careca e fazer um nono e um quinto para assegurar a vaga. Se levarmos em conta que em Pipe sua performance ainda faz diferença, a vaga não está tão difícil assim. Mas John John falou que pretende correr em casa, o que pode colocar água no chopp de Kelly, alijando-o de correr aquele que provavelmente seria o último grande evento da sua carreira. Mais dramático impossível e se preferirem, terreno fértil para todas as teorias possíveis com o requinte de qualquer patriotada estar fora da mesa de opções. Seria essa a Escolha de Sophia da WSL? Em homenagem ao meu coroa, que faria 80 primaveras nesse 16 de outubro a pedida musical da coluna fica por conta de Charlie Parker, genial saxofonista que revolucionou os caminhos do jazz com o bebop do início dos anos 1950.

Ítalo Ferreira -  Foto: divulgação

O estilo, restrito ao círculo dos muito virtuosos transgrediu todo o modelo das então reinantes big bands, ao inserir na cena musical longos solos e modulações em alta velocidade. Bird, como era conhecido, tocou com gente do quilate de Dizzy Guillespie e Miles Davis, arrebatando os amantes do jazz tanto nos Estados Unidos como na Europa. Fazendo-se uma analogia com o rock, ele seria como um Jimi Hendrix do saxofone. E assim como Hendrix morreu novo e também pelas mãos da dona Herô. Mas sua marca e sua inventividade certamente ficarão para sempre na história da música. Para quem quiser conhecer mais sobre a trajetória desse gênio da música, a dica é o filme “Bird”, dirigido por ninguém menos do que Clint Eastwood e tendo Forrest Whitaker impagável no papel do protagonista.

Charlie Parker -  Foto: reprodução internet

Charlie Parker (Yardbird Suite): https://youtu.be/HmroWIcCNUI

Comentários