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Os bastidores dos gigantes: os brasileiros por trás das maiores ondas do mundo

Por trás de cada onda histórica, existe uma operação precisa onde confiança, experiência e trabalho em equipe tornam o impossível viável.

Escrito por

Yunes Khader

|

Publicado em:

27/03/2026

|

Atualizado em:

30/03/2026

-

16:49

|

4 min de leitura

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Na imensidão da Praia do Norte, onde o oceano testa diariamente os limites humanos, existe uma engrenagem pouco visível que sustenta os maiores feitos do surf de ondas gigantes. Por trás de cada recorde e cada onda histórica, há uma equipe preparada para operar no limite.
Hoje, três brasileiros se consolidam como parte central dessa elite: Paulo Diego Imbica, Eric Rebiere e Daniel Rangel.
Com trajetórias distintas, mas objetivos em comum, eles formam uma das equipes mais requisitadas do mundo para operar em condições extremas.

Paulo Diego Imbica / Foto: Kaique Silva

A estrutura por trás dos recordes
O Brasil já alcançou o topo do surf de ondas gigantes com nomes como Rodrigo Koxa e Maya Gabeira. No entanto, existe um fator decisivo pouco explorado: o time de confiança que torna esses feitos possíveis.
Imbica traz a experiência da Praia de Itacoatiara, um dos picos mais técnicos e exigentes do país. Rebiere, com passagem pelo circuito mundial, é um dos pioneiros do surf de ondas grandes na Europa. Já Rangel se destaca atualmente como um dos principais nomes da segurança da World Surf League em Nazaré.
Juntos, atuam onde poucos conseguem.

Sebastian Steudner / Foto: Kaique Silva

A equipe dos maiores nomes do mundo
Essa estrutura atrai atletas que buscam desempenho máximo e segurança em condições extremas. Entre eles:
•Sebastian Steudtner
•Justine Dupont
•Mason Barnes
 • Laura Crane
Além de brasileiros como Michelle des Bouillons.
São atletas que operam no limite e dependem diretamente de uma equipe altamente sincronizada.

Michelle des Bouillons / Foto: Kaique Silva

 

O dia em que o recorde se aproximou
Durante a ultima temporada, em meio a um evento da WSL, a brasileira Michelle des Bouillons surfou uma onda com potencial de quebra de recorde.
Naquele momento, a operação envolvia Ian Cosenza na entrada da onda, Michelle na prancha e Imbica no resgate. Uma formação construída ao longo de anos de convivência, amizade e treinamento conjunto.
Imbica relembra o momento:
“As coisas acontecem naturalmente, mas através de muita confiança. Somos amigos que treinam juntos e acabam se colocando juntos nessas situações. Quando chega a hora, você precisa confiar — e nada melhor do que estar com quem você conhece de verdade.”
Após a descida, a tensão continuou.
“Ela terminou perto de mim. Fiz o resgate e já tivemos que fugir de outra onda gigante logo atrás. Quando chegamos numa zona mais tranquila, foi só comemoração com o público na montanha. Foi um dos melhores momentos da equipe em Nazaré.”
Porém nem sempre as operações terminam de forma perfeita. Em outra edição do evento, a equipe enfrentou uma situação crítica ao perder um jet ski no meio das ondas.
“Foi tudo muito rápido. Quando você entende o mecanismo da equipe, você para de pensar e age por reflexo.”
A resposta foi imediata.
“Recuperamos o equipamento antes mesmo de chegar na areia. Foi um trabalho de equipe onde cada um sabia exatamente sua função.”

Daniek rangel / Foto: Kaique Silva

 

O limite real do esporte
Ao lado de Sebastian Steudtner, a equipe enfrentou alguns dos maiores mares da temporada, com ondas entre 80 e 100 pés, vento forte e condições instáveis.
Nesse nível, não existe margem para erro.
A operação exige leitura precisa do mar, tomada de decisão em segundos e total confiança entre todos os envolvidos.

Eric Rebiere / Foto: Kaique Silva

Brasil no centro da elite mundial
A presença brasileira no surf de ondas gigantes não se limita mais aos atletas que estão na prancha. Ela se estende à operação, à estratégia e à segurança.
A atuação de Imbica, Rebiere e Rangel representa uma nova fase do esporte: mais estruturada, mais profissional e cada vez mais global.
O que antes era restrito a poucos, hoje depende de equipes completas. E nessas equipes, o Brasil ocupa um papel central. E isso também vale ressaltar que é um trabalho antigo, com nomes como Alemão de Maresias, que teve essa visão la atras ainda com o Burle. É uma evolução do esporte e do tempo.
O próximo recorde mundial pode estar próximo. E, como essa história mostra, ele não será construído sozinho.
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